Crescimento populacional afeta qualidade de asfalto em Goiânia

Expectativa é para o retorno nas obras de implantação da massa asfáltica em 30 novos bairros da Capital. Em 2018 já foram investidos cerca de R$ 2,5 milhões em serviços de tapa buraco

Postado em: 07-05-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Expectativa é para o retorno nas obras de implantação da massa asfáltica em 30 novos bairros da Capital. Em 2018 já foram investidos cerca de R$ 2,5 milhões em serviços de tapa buraco

Gabriel Araújo*

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O crescimento econômico e social, quando a população passou de 53 mil pessoas em 1950 para quase um milhão e meio este ano, afetou a forma como o planejamento urbano funcionou. Muitas áreas foram apropriadas com a construção de vias, casas, prédios e lojas, o que diminuiu consideravelmente a quantidade de solo capaz de receber a água da chuva. A Impermeabilização da cidade afeta a qualidade do asfalto, diminuindo a vida útil e aumentando os problemas estruturais.

Para o professor de Engenharia da PUC Goiás, o doutor em engenharia de transportes Benjamim Jorge Rodrigues dos Santos, o maior problema enfrentado pela massa asfáltica de Goiânia é a impermeabilização do solo. “Nessa época de chuva a água, com a ação do tráfego, desagrega o pavimento e começam a aparecer fissuras e trincas que se tornam o que chamamos de ‘coro de jacaré’ que se viram as famosas panelas”, contou.

De acordo com Santos, o asfalto da Capital ainda sofre com uma falta de planejamento e manutenção, o que gera os principais problemas no trânsito e coloca a vida de motoristas em risco. “Quando se constrói o pavimento ele tem uma determinada vida útil, de 15 a 20 anos se existir um plano de manutenção. Sem a manutenção, com as chuvas frequentes e o tráfego que aumenta a cada ano o pavimento é mais solicitado sem um cuidado adequado e acaba sofrendo danos estruturais”, afirmou.

Investimento

Em 2018, cerca de 160 toneladas de massa asfáltica já foram aplicadas em ruas de bairros da Capital, o que equivale a um investimento de R$ 43 milhões. Os serviços são de recuperação das vias, como tapa buracos, e continuam em cerca de 20 bairros. Este ano foram realizados trabalhos somente de recuperação de buracos, nenhuma rua que sofre com a falta de asfalto e nem recapeamentos foram realizados.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), foram investidos este ano pouco mais de R$ 2,5 milhões. No momento são cerca de 120 operários trabalhando em equipes em diversos setores.

Enxurradas

Durante o período chuvoso é preciso ter um cuidado redobrado na hora de dirigir. A Defesa Civil explica que os motoristas não devem enfrentar enxurradas e, se a água estiver com 20 centímetros de altura, o condutor já deve estacionar e procurar por abrigo. “Se a água estiver a 20 centímetros já é preciso ficar em alerta. Mais 10 centímetros há possibilidade de entrar água no carro. É preciso estacionar e deixar o veículo. Se não, vai chegar a um momento que o motorista não vai conseguir nem abrir a porta do carro e entrar em situação de pânico”, afirma agente de proteção da Defesa Civil, Cidicley Santana.

Para este ano, a prefeitura de Goiânia prevê um investimento de R$ 100 milhões em pavimentação de ruas e de R$ 30 milhões implementação de infraestrutura e melhorias do Corredor Goiás Norte/Sul. Em nota, a Seinfra informou que “retomará neste ano os trabalhos de pavimentação asfáltica em toda a cidade, e que até o fim da gestão nenhuma rua ficará sem o benefício. A Seinfra salienta que vai iniciar a pavimentação de 30 bairros que surgiram nos últimos cinco anos e viabiliza a liberação de um empréstimo internacional para reconstruir o asfalto de 600 vias, em 100 bairros”, concluiu.

Problemas recorrentes

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) realizou uma pesquisa em mais de 100 mil quilômetros de rodovias do país e descobriu os principais defeitos que afetam a estrutura do asfalto. De acordo com o órgão, a maior parte dos defeitos encontrados são resultados de falhas na implantação da massa asfáltica.

Dentre os problemas encontrados estão o afundamento plástico, que é definida como uma deformação no asfalto com formato de onda. Segundo o estudo, isso é causado por uma falha na mistura asfáltica. As panelas são outro exemplo disso, quando existe uma deficiência na compactação do solo ou mesmo muita umidade no local. Falando de umidade, as diferenças de temperatura entre o pavimento e o solo é a causa de muitos problemas enfrentados tanto em rodovias quanto em cidade. Estes casos podem dar origem a fissuras e trincas, o que leva a formação de buracos.

De acordo com estudo do pesquisador da Universidade de Brasília, Dickran Berberian, o cuidado e a compactação do solo é a melhor forma de evitar futuros problemas. “Para se fazer o asfalto, começa-se da camada original do terreno, chamada de subleito. Essa camada é feita de terra e solo compactado. É a espinha dorsal do pavimento. E o solo não gosta de água. Se molhar, perde a resistência. Essa é no fundo a principal função do revestimento: não deixar entrar água no sub-leito, na sub-base e na base”, afirmou.

Implantação

De acordo com a prefeitura, o processo de tapa buracos bem como da restauração de uma via consiste na varredura da pista, na colocação de um material ligante e aderente, conhecido como Betume e, posteriormente coloca-se o CBUQ, um composto de areia, brita e cimento asfáltico de petróleo (CAP).

O último procedimento é a compactação, todo o processo garante a qualidade e maior durabilidade do asfalto. O material utilizado é o CBUQ – Concreto Betuminoso Usinado à Quente, no asfalto “à quente”, a massa asfáltica utilizada tem cerca de 100ºC. 

Marginal Botafogo segue instável 

A principal via de acesso interna da capital, a Marginal Botafogo continua interditada em diversos pontos. A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e a Secretaria de Trânsito fecharam totalmente o tráfego de veículos no sentido Sul-Norte, saindo do Pedro Ludovico para o Centro de Goiânia, além do trecho de chegada no mesmo ponto e locais que antes permitiam a passagem de motoristas em pista única agora passam por vistoria da Seinfra. 

De acordo com o doutor em engenharia de transportes, Benjamim Jorge Rodrigues dos Santos, a marginal sofre com o tipo de solo em que foi construída. “A Marginal Botafogo foi construída em um vale, onde se encontra muita matéria orgânica e com um solo muito instável. Durante as chuvas o solo se expande e, quando seca, contrai, essa movimentação constante acaba criando falhas no pavimento”, lembrou.

O então secretário de Infraestrutura, Dolzonan Matos, afirmou que a prefeitura trabalha para tornar a via segura para população. “Os pontos mais críticos são esses da Avenida 88 e o da Avenida Independência. Ainda não temos como precisar um prazo para o fim das obras. Estamos muito preocupados com a estabilidade do canal, precisamos fazer a recuperação das partes danificadas, já encontramos verdadeiros buracos. Faremos de tudo para concluir as obras e entregar a Marginal segura para a população”, disse.

Revitalização

A Prefeitura de Goiânia prevê que uma obra de revitalização da Marginal Botafogo, que conta com 14 km de extensão e quase 30 anos. A obra deve durar dois anos e custar R$ 35 milhões. Após as constantes interdições o paço autorizou a contratação de uma empresa para a realização de uma avaliação técnica de todo o percurso da via. 

O prefeito Iris Rezende (MDB) afirmou que está buscando recursos para revitalizar toda a via. “Sabemos da importância da Marginal para os goianienses, ninguém mais do que eu quer vê-la toda reestruturada”, afirmou. Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra), os recursos devem vir do Ministério da Integração Nacional. Ainda segundo o órgão, os trâmites burocráticos estão adiantados e nos últimos meses foi providenciado o Termo de Referência, uma das mais demoradas etapas do processo de licitação da obra. (Gabriel Araújo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian). 

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