Programa de revitalização da região de Campinas está em projeto

Região mais antiga da Capital, Campinas enfrenta problemas em segurança e estrutura. Prédios históricos tombados estão aguardando reforma há anos

Postado em: 09-05-2018 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Região mais antiga da Capital, Campinas enfrenta problemas em segurança e estrutura. Prédios históricos tombados estão aguardando reforma há anos

Gabriel Araújo*

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O projeto de revitalização do Setor Campinas segue parado na Câmara dos Vereadores. A iniciativa foi proposta em dezembro do ano passado, pelo vereador Jorge Kajuru (PRP) denominada de “Programa de Revitalização Urbana e Funcional do setor Campinas” foi pensada para ser desenvolvida pela administração municipal e busca melhorar a qualidade de vida na região.

De acordo com o texto, o programa propõe contemplar ações de restauração do patrimônio histórico, artístico e arquitetônico, a qualificação do mobiliário urbano e dos equipamentos sociais, a reorganização da malha viária e também do transporte público, a revitalização, conservação e limpeza de vias, prédios e áreas públicas, além da ampliação da oferta de vagas de estacionamento e estímulo ao desenvolvimento de atividades comerciais e prestadoras de serviços.

Conforme diz o texto, para viabilizar as ações, o Paço deve promover convênios e parcerias com entidades e empresas privadas, universidades, moradores e comércio local, em conformidade com o programa de Parcerias Público Privadas (PPP). O vereador afirma que, apesar do valor histórico, o setor está sendo esquecido por políticas públicas. “Campinas guarda importante parte da história de Capital, mas que, com o passar dos anos, inúmeros problemas foram acumulados na região”, lembrou.

Problemas

O Hoje visitou na última terça-feira (8) alguns locais em Campinas para observar como estão as estruturas das áreas públicas, como praças e vias. Na Praça João Rita Dias, localizada na rua José Hermano, as estruturas de concreto estão se quebrando e a população reclama da falta de segurança. Para o chaveiro Márcio José de Carvalho, de 55 anos, a região está abandonada. “Trabalho há 25 anos aqui e a última revitalização foi há oito anos, quando vieram e replantaram tudo aqui na praça. A gente precisa de mais segurança, quando dá R$ 17h, fica cheio de drogados”, contou.

Outro trabalhador da região, Saly Said, de 76 anos, nos contou que tanto a segurança quanto a limpeza precisa melhorar. “To muito abandonado tudo aqui em volta. Tem muita gente e o lixo fica espalhado, podiam ter uma proposta para ajudar”, disse.

O Hoje entrou em contato, por telefone e e-mail, com a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), que é responsável pelo gerenciamento das praças da cidade. O órgão afirmou que uma equipe ao local para averiguar a situação.

Questionada sobre projetos para a reestruturação de vias na região, a Secretaria de Infraestrutura de Goiânia (Seinfra) afirmou que mais de 100 ruas passarão por manutenção este ano. 

Campinas: história e patrimônios 

O atual Setor Campinas, que até 1935 era um município autônomo, é 123 anos mais velho que a Capital, Goiânia. Surgiu em 1810 como um arraial após a vinda de mineradores que buscavam ouro às margens do ribeirão Anicuns, foi elevada a categoria de vila apenas em 1907, sendo território de jurisdição do que atualmente é a cidade de Trindade e passou a ser considerada município sete anos depois, em 1914.

Quando foi decretado a nova capital, Campinas foi anexada como bairro residencial, mas o crescimento populacional logo ultrapassou o planejamento inicial de 50 mil pessoas e o bairro, que passou a setor, se tornou um dos principais pontos de comercio do estado de Goiás. As décadas seguintes, entre 1950 a 1970, foram o ponto inicial do acelerado processo especulativo imobiliário, com um grande fluxo de pessoas saindo da zona rural e passando a morar na cidade, e do rompimento com o projeto arquitetônico de Goiânia.

O crescimento econômico e social de Goiânia após a Segunda Guerra Mundial, quando a população passou de 53 mil pessoas em 1950 para quase um milhão e meio este ano, afetou a forma como o planejamento urbano funciona em toda a cidade. 

Campinas, por ser firmar como região comercial, viu suas estruturas históricas sendo substituídas por comércios e bancos, sendo necessário a intervenção do Estado na preservação de prédios como o antigo Palace Hotel, localizado na esquina da Avenida 24 de Outubro com a Rua Geraldo Nei, em Campinas. O local foi tombado por uma lei municipal em 1991 e posteriormente transformado na Biblioteca Municipal Cora Coralina, que já passou por duas reformas, a primeira em 2000 e a segunda em 2007 e aguarda a conclusão da licitação para a terceira.

A Capital possui edifícios e uma região tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Museu Professor Zoroastro Artiaga, construído em 1942 pelo engenheiro polonês Kazimiers Bartoszevsky para sediar o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o conjunto Arquitetônico e Urbanístico Art Déco do Centro da cidade e o Centro Cultural Oscar Niemeyer são apenas alguns. Além disso, a prefeitura também possui locais tombados como patrimônio histórico e cultural, são casos da Antiga sede do Fórum e da Prefeitura Municipal de Campinas e do, já mencionado, antigo Palace Hotel.

Um dos edifícios históricos mais emblemáticos da Capital é a antiga Estação de Trem, que está localizada próxima à rodoviária de Goiânia e está passando por um processo de reforma total. O local foi inaugurado em 1950 e funcionou até a década de 1980, recebendo trens de cargas e passageiros da Estrada de Ferro Goyaz. Ela é um dos mais importantes edifícios representativos do Acervo arquitetônico e urbanístico Art Déco de Goiânia, tombado pelo Iphan desde 2002.  O pavimento central do edifício possui dois relevantes afrescos de autoria de Frei Nazareno Confaloni, pintor e muralista, reconhecido como pioneiro da arte moderna em Goiás. (Gabriel Araújo é estagiário do jornal O Hoje sob orientação do editor de Cidades Rhudy Crysthian) 

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