Domingo, 28 de maio de 2023

População cobra reutilização da estrutura provisória do Terminal Isidória

Moradores querem que o espaço que substituiu o Terminal Isidória se torne um local de convivência pública

Postado em: 06-05-2023 às 09h06
Por: Redação
Moradores querem que o espaço que substituiu o Terminal Isidória se torne um local de convivência pública | Foto: Divulgação

Larissa Oliveira

Desde a inauguração do novo Terminal Isidória, localizado no setor Pedro Ludovico, a Prefeitura de Goiânia discute sobre a revitalização do espaço do antigo terminal provisório. Após solicitações e reclamações de moradores da região, estrutura provisória começou a ser retirada nesta quarta-feira (3/5). E, mais uma vez, a discussão sobre a readequação do espaço foi levantada. 

O terminal temporário funcionou de 22 setembro de 2019 a 25 de julho de 2022. O objetivo era abrigar as paradas de ônibus até a inauguração do novo Terminal Isidória, que passou por obras para que pudesse integrar o sistema BRT-Norte-Sul. Após quase três anos de funcionamento, o terminal provisório foi inativado. Segundo moradores locais, a maneira como o espaço foi deixado os deixou angustiados.

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O ambiente, situado no Setor Pedro Ludovico, na Alameda João Elias da Silva Caldas, foi alvo de diversas reclamações como falta de acesso às ruas, insegurança, sujeira e inutilidade da estrutura. Maria do Carmo Batista dos Santos mora na avenida há 45 anos e conta que, desde o início do ponto provisório, vive em uma situação de tristeza. “Esse terminal nunca trouxe cliente para mim, me isolou de tudo, trouxe prejuízo financeiro, muita poeira para minha saúde e mercadoria”, afirma a comerciante de uma loja de roupas.

No primeiro semestre de 2019, quando a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) anunciou o local que seria construído o terminal provisório, entre as Avenidas 3ª Radial e 4ª Radial, no Setor Pedro Ludovico, houve protestos da comunidade. O vereador Paulo Magalhães chegou a denunciar a retirada de dezenas de árvores dos canteiros centrais da Alameda João Elias da Silva Caldas para a construção da estrutura. 

As árvores teriam sido plantadas pelos próprios moradores porque, segundo ele, a via ficou abandonada durante anos pela administração municipal. Na época, o temor era que a tranquilidade da região fosse abalada. Assim como outros moradores, Maria viu os ipês que a família dela havia plantado sendo retirados da antiga praça. Agora, depois de muito estresse, boa parte da população local anseia pelo retorno da praça e da arborização. 

Três vizinhos, que moram na rua onde ficavam os ônibus, possuem a mesma opinião. O comerciante Humberto de Oliveira, de 55 anos, vive na mesma casa há mais de 20 anos e avalia que o trânsito da avenida foi impactado pelo terminal e obstruiu a possibilidade dos moradores de andarem com mais facilidade a pé. “É difícil passar pelas ruas 1043, 1044 e 1045, as pessoas desistem de vir. Então, para nós, moradores, tem que tirar tudo e devolver o que é mais saudável, nossa praça”, afirma Humberto.

Já o casal Meire Abádia Paulo Nunes, de 76 anos, e Gilson Nunes Barbosa, 78, percebem que a tranquilidade do bairro diminuiu por causa do barulho de ônibus durante os últimos anos e, agora, o desconforto é voltado às pessoas que frequentam o espaço vazio durante a noite, correndo riscos de vandalismos. Segundo eles, os índices de violência aumentaram com a inatividade do terminal provisório.

O secretário de Desenvolvimento e Economia Criativa da capital, Sílvio Sousa, explica que, em um primeiro momento, a ideia é aproveitar a estrutura do terminal e evitar que ela vire sucata. De acordo com o secretário, uma das possibilidades para o espaço é a de realizar feiras semanais. Dessa forma, a verba investida no local não seria descartada. “Seriam feiras especiais, nos moldes da Feira da Lua e do Sol, mesclando com lazer e esporte”, afirma Sílvio. 

Há também um plano de incluir vendas de alimentos produzidos por hortas de pequenos produtores ou de agricultura familiar. Entretanto, essas possibilidades são flexíveis, visto que a Prefeitura busca ouvir os moradores e delinear o projeto que melhor atenda a população. “Cabe à comunidade definir como será utilizado o local, uma vez que será de uso coletivo, seja com praça, seja com centro de lazer e compras, seja como espaço de qualificação para jovens aprendizes”, argumenta o secretário. 

De acordo com Sílvio Sousa, os moradores da rua querem uma praça que sirva como estrutura de convivência, mas a ideia não está fechada entre os moradores do bairro. Portanto, enquanto uma parcela da população local deseja a construção de uma área de lazer, outra parcela deseja manter parte da estrutura para a instalação de uma área comercial, com feiras noturnas.

“Quando a gente tem a dinâmica da vida coletiva tem que se respeitar a opinião coletiva. Essa é uma das boas opções. Tem outros grupos que querem feira americana, onde o produtor da agricultura familiar possa ir uma vez por semana vender seu produto, oferecendo para os moradores da região hortifrutis frescos e orgânicos; Outra parcela quer um centro de compra e lazer; e outra quer simplesmente que remova a estrutura e revitaliza a praça. E tudo isso está sendo levado em consideração”, afirmou.  

O líder comunitário da região, Paulo Henrique Magalhães, afirma que, até o momento, o uso final do local segue indefinido e deve ser debatido junto à comunidade. Ele foi o responsável pela pesquisa que indicou as preferências da vizinhança entre manter ou retirar a estrutura. “Buscamos um meio termo”, resume, em referência às múltiplas opiniões da população. 

Da mesma forma, uma nova pesquisa deve ser feita posteriormente com a comunidade para decidir se a área receberá a feira, ou, ainda, outras sugestões de uso da área. No entanto, o líder comunitário adianta que, mesmo sem a área comercial, o local poderá ser utilizado em outras atividades de lazer. “Independente de ter a feira ou não a cobertura serve para uma área para os idosos, aulas de ginástica”, exemplifica. 

Para além da possibilidade de uma feira, o vereador Paulo Magalhães conta que vai sugerir a instalação de aparelhos de ginástica na área coberta. “Assim, as pessoas, principalmente da terceira idade, poderão usar os aparelhos com mais comodidade e conforto”, explica. Por outro lado, caso a feira semanal noturna seja aceita por toda a vizinhança, o espaço não deve sofrer alterações significativas. “Sem modificações no espaço, uma pequena feira”, aponta.

A Seinfra informou que o serviço de readequação será iniciado após a desmontagem da estrutura. O processo de desmontagem teve início nesta quarta-feira (3/5) e, segundo a Seinfra, deve ser finalizado em até uma semana. Das sete coberturas metálicas, apenas duas serão mantidas. Após esse processo, a readequação do espaço tem previsão de ser finalizada em até 15 dias. 

As obras de revitalização serão feitas com recursos da emenda impositiva do vereador Paulo Magalhães (UB), com valor total de R$ 265.593,94. O montante foi destinado à Seinfra no dia 2 de janeiro, e publicado no Diário Oficial do Município (DOM) do dia 6 do mesmo mês, para a “revitalização da Alameda João Elias da Silva Caldas”. Dentre as etapas de readequação citadas, está a construção de pista de caminhada, instalação de academia ao ar livre, bancos e lixeiras, replantio de árvores e implantação de iluminação por lâmpadas de LED. As obras também vão reconstruir parte das calçadas e meios-fios.

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