quinta-feira, 2 de julho de 2026
Prevenção

Nova vacina contra a dengue chega na rede privada de saúde de Goiânia

Somente nos primeiros seis meses de 2023, foram notificados 78.415 casos de dengue em Goiás

Larissa Oliveirapor Larissa Oliveira em 26 de junho de 2023
Aedes aegypti mosquito that transmits Dengue in Brazil perched on a leaf, macro photography, selective focus
Aedes aegypti mosquito that transmits Dengue in Brazil perched on a leaf, macro photography, selective focus

De acordo com levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES -GO), somente nos primeiros seis meses de 2023, foram notificados 78.415 casos de dengue em Goiás. No ano passado, o número total de notificações chegou a 224.046. A quantidade alarmante de casos de dengue no estado e no país inteiro assustou os órgãos de saúde. Por conta disso, em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisou e aprovou a distribuição da nova vacina contra a dengue, a Qdenga. 

A partir da próxima semana, o imunizante será disponibilizado na rede particular de saúde de todo o país, inclusive nas clínicas particulares de Goiânia. A nova vacina foi desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda Pharma e é a segunda autorizada no Brasil contra a dengue. Desde 2016, a Dengvaxia, do laboratório Sanofi Pasteur, já é registrada, mas tem indicação de uso apenas para quem já se infectou pelo vírus da dengue. Essa vacina tem eficácia contra a reinfecção, que pode se manifestar de forma mais agressiva.

Qdenga

De acordo com o médico infectologista Marcelo Daher, a Qdenga será autorizada tanto para pessoas que ainda não contraíram a doença quanto para pessoas que já tiveram dengue. “O esquema vacinal será de duas doses, com intervalo de três meses entre as aplicações”, informou. Segundo o especialista, a partir do dia 1° de julho, a nova vacina poderá ser aplicada em crianças a partir de quatro anos. “No Brasil, o limite de idade é 60 anos”, disse. 

Conforme Marcelo Daher explicou ao O Hoje, o clima do Brasil, e em especial de Goiás, é considerado propício para a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue. “Goiás bate recordes ano após ano no número de casos da doença e de mortes por dengue”, afirmou. O especialista informou que a Qdenga é feita aproveitando a própria estrutura do vírus da dengue tipo 2. “Mas também dá proteção para os outros tipos de dengue, de tipo um, três e quatro”, orientou. 

O infectologista ressalta que o imunizante é um avanço para a saúde. “Nos testes clínicos, ela se mostrou promissora e eficaz, diminuindo a incidência da doença e com a vantagem da redução significativa da gravidade dos casos e consequentemente as internações e óbitos por conta da doença”, afirmou. Segundo o médico, trata-se de uma vacina de vírus vivo, atenuado e não replicante. “Isso significa que ele não se multiplica no corpo, só induz uma alta proteção”, completou Marcelo Daher. 

Inclusão no SUS

Ainda segundo o infectologista, a partir do dia 1° de julho, a nova vacina estará disponível nas unidades de saúde particulares pelo preço médio de R$450 por dose. “A princípio, será aplicado apenas na rede privada, como clínicas, laboratórios e farmácias, mas provavelmente logo será realidade na rede pública pelo impacto social e econômico que vai trazer para o governo por conta da diminuição de casos, internações e óbito”, destacou Daher.

O especialista explicou que ainda não há prazo definido de inclusão no SUS. A disponibilização e aplicação da Qdenga no sistema aguarda liberação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). “Os trabalhos em relação a vacinação na rede pública também já estão sendo iniciados, mas é uma coisa que demora um pouco mais, pois é mais burocrático. Na rede pública, normalmente se coloca o que a gente chama de cortes de faixas etárias”, apontou Marcelo.

O médico explicou que, devido ao estabelecimento de cortes por idades, não é possível disponibilizar as vacinas para toda a população de uma vez só. No entanto, o infectologista destaca que existe sim uma perspectiva para que o sistema público de saúde obtenha as doses do novo imunizante contra a dengue em breve. “Existe também a possibilidade de uma nova vacina do Instituto Butantan. Talvez o Ministério da Saúde espere por essa vacina nacional”, afirmou Marcelo Daher. 

Dengue

De acordo com a médica infectologista Marianna Tassara, a dengue é uma doença viral aguda, transmitida pela picada da fêmea do mosquito do gênero Aedes aegypti, infectada pelo vírus. “Não há transmissão de pessoa para pessoa. A infecção por dengue pode ser assintomática ou variar até casos graves. Os sintomas são febre alta, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos, mal estar, dor de cabeça, rash cutâneo e coceira na pele”, explicou ao Hoje.

Nos casos graves, a especialista orientou que há dor abdominal, vômitos persistentes, pressão baixa, sangramentos volumosos, inchaço na barriga (ascite) e falta de ar. “Não existe tratamento específico. O melhor tratamento é o diagnóstico precoce para acompanhamento ambulatorial, orientação de medicamentos sintomáticos que podem ser usados e a correta hidratação. E encaminhamento para internação no momento correto, quando necessário”, informou Marianna Tassara.

Segundo a médica, o Brasil é um país recordista em mortes por dengue. “É de suma importância que o país adote a Qdenga no calendário nacional de vacinação, para reduzir a doença que causa surtos e superlotação nos postos de saúde, reduzir internações e óbitos, e também dias perdidos de trabalho pela morbidade da doença. Uma vez que a OMS prevê aumento da dengue e outras arboviroses nos próximos anos pelas mudanças climáticas que acarretam aumento na transmissão do vírus”, completou Marianna Tassara.

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