sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Código Florestal no Brasil

Vulcanis pede fim da polarização em discussões sobre meio ambiente

Audiência aconteceu no âmbito da Comissão sobre Mudanças Climáticas

Tathyane Melopor em
Andréa Vulcanis defende união entre sociedade civil e Poder Público para implementação plena do Código Florestal | Foto: Semad
Andréa Vulcanis defende união entre sociedade civil e Poder Público para implementação plena do Código Florestal | Foto: Semad

Em audiência pública promovida pelo Senado com o propósito de se debater os desafios em torno da implementação do Código Florestal no Brasil, na última terça-feira (18), a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), Andréa Vulcanis, falou em nome dos estados, pediu o fim da polarização e a união de esforços em busca de soluções definitivas.

“Passou da hora de a gente parar com essa troca de acusações mútuas e entender o que cada parcela da sociedade pode fazer para que a gente avance na direção certa”, afirmou a secretária. “Enquanto estivermos nessa linha de ataque a um ou a outro, de acusações a uma ou outra parte, não evoluiremos. Um diz que o problema é o governo federal, porque o Sicar [Sistema do Cadastro Ambiental Rural] não funciona. Outro diz que o problema é o produtor rural, e por aí vai. Não adianta, não sairemos dessa realidade nacional”.

A secretaria pondera que o estado brasileiro enfrenta problemas que, além de graves, estão na raiz do desafio que o poder público enfrenta para implementar o Código Forestal. “Temos problemas graves para fazer o estado operar como uma máquina pública eficiente nesse tema do Código Florestal. Isso é fato. E, até que isso esteja construído, do que adianta a gente pegar um setor produtivo inteiro, que é a base econômica desse estado, e acusá-lo de ser o vilão da vez, do momento? E achar que nós vamos resolver isso com fiscalização, com comando e controle?”.

Vulcanis defende que se olhe para o meio ambiente não só pelo prisma do cumprimento da lei, mas também pelo viés do que chama de ação regenerativa. “Precisamos mostrar para o produtor rural como ele pode olhar para seu território e entender que ele faz parte de um contexto maior. Que a ação que ele realiza ali, naquela localidade, produz efeitos difusos sobre outras realidades. E essa consciência hoje não existe, é fato isso. As pessoas não têm a relação de causa e efeito. Elas não compreendem isso. Nosso problema é muito mais profundo do que um problema de estado ou de tecnologia. É um problema de consciência humana. De entender que temos um objetivo comum”.

Cadastro Ambiental Rural

Para ilustrar a tese de que o estado brasileiro também deveres a cumprir para que o Código Florestal seja implementado de forma efetiva, a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás fez um relato sobre as dificuldades que a pasta comandada por ela enfrenta na operação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

“Eu ouvia sempre quando eu cheguei lá. Diziam: ‘secretária, nem que a gente queira a gente consegue cumprir o Código Florestal nesse país’, e é verdade. Ele não consegue acessar o CAR, ele não consegue acessar um sistema de licenciamento adequado, ele não consegue ter uma autorização, e aí não adianta a gente fechar os olhos e colocar uma venda”.

“Em Goiás, eu tentei customizar o Sicar. Nós contratamos o serviço e o governo federal não nos passou o código-fonte, em 2021. Agora, eu contratei um novo sistema, por R$ 5 milhões. O Estado de Goiás está investindo para ter um sistema que opere, porque o governo federal ninguém nos dá uma resposta sobre como ele está apto para funcionar. Até que ele esteja apto a funcionar, eu posso atestar aqui com segurança: o Código Florestal não irão funcionar”, completou.

A audiência pública aconteceu na Comissão Mista Permanente de Mudanças Climáticas e foi presidida pelo deputado federal Nilto Tatto. O parlamentar disse concordar com a tese de que não se pode vilanizar o agronegocio.

Além da secretária Andréa Vulcanis, participaram outros 12 especialistas em meio ambiente: Fabíola Zerbini, diretora do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA); Raoni Rajão, diretor do MMA; Marcelo Elvira, secretário-executivo do Observatório do Código Florestal; Suely Araújo, especialista do Observatório do Clima; Fernanda Rodrigues, coordenadora executiva da Organização Diálogo Florestal; Laura Antoniazzi, membro da Araticum; Leonardo Papp, consultor da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); Nélson Ananias Filho, coordenador da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil; Mário Cardoso, gerente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Gustavo Castro, chefe-geral da Embrapa Territorial; Jose Ribeiro, pesquisador da Embrapa Cerrados; e Jarlene Gomes, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia.

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