Tráfego na região da Avenida Independência recebe novas intervenções

Novas intervenções causadas por obras viárias devem comprometer ainda mais o trânsito de Goiânia| Foto: Wesley Costa

Postado em: 20-01-2020 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Novas intervenções causadas por obras viárias devem comprometer ainda mais o trânsito de Goiânia| Foto: Wesley Costa

Igor Caldas

A partir desta semana o trânsito já estrangulado da Capital deve piorar. A Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) informa que o tráfego na região da Avenida Independência/Marginal Botafogo vai receber novas intervenções para receber os pilares da Avenida Leste/Oeste. De acordo com a Secretaria, as intervenções já implantadas na região serão mantidas. Os motoristas terão que usar vias alternativas para fugir da piora do engarrafamento, pois a Marginal Botafogo terá duas vias interditadas e deve comprometer todo trânsito da cidade.

Por causa das obras da Avenida Leste/Oeste, a Marginal Botafogo terá circulação restrita, nos dois sentidos. A Rua 227 será interditada nos dois sentidos para receber os pilares do viaduto da Avenida Leste/Oeste. Já o cruzamento da Rua 67-A com a Avenida Contorno será bloqueado parcialmente e a circulação será restrita, com acesso local, na Rua 67-A, via Marginal Botafogo. De acordo com a SMT, os desvios implantados na região, em dezembro de 2019, serão mantidos.

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A Secretaria Municipal de Trânsito afirma que a média de tráfego na Marginal Botafogo é de 80 mil veículos por dia. No entanto, esclarece que a via não vai ser totalmente interditada. O tráfego da Marginal vai continuar liberado com uma pista em cada um dos sentidos da via. A interdição parcial deve fazer com que alguns motoristas escolham alternativas para fugir do engarrafamento em horários de pico.

De acordo com a SMT, o motorista vai ter a opção de seguir pela Avenida Independência e acessar a Avenida Goiás Norte, descendo a Avenida Contorno ou então pode optar por seguir pela Rua 74. Outra opção seria virar antes do acesso à Marginal e fazer o percurso pelo Setor Criméia Leste. Já a Rua 227 será totalmente interditada. A Secretaria esclarece que desde o último Natal, a via está com fluxo reduzido por causa de obras na cidade. A partir de hoje a via vai ser totalmente interditada.

A obra da Leste-Oeste está avançando desde a Praça do Trabalhador com trechos de trabalhos que passam paralelamente à Avenida Independência. Os trabalhos já alcançaram o Shopping Mega Moda. Os pilares do viaduto da Leste-Oeste vão ser colocados nas vias que foram interditadas dos dois lados da Marginal Botafogo. O viaduto passará por cima da via.

Muitas obras

O engenheiro de Transportes que atua junto ao Instituto Federal Goiano, Marcos Rothen afirma que a quantidade de obras acontecendo ao mesmo tempo pode deixar o cidadão confuso. “A cidade está meio confusa, com muitas obras e sinalização mal feitas. Quando o cidadão tem que passar por um desses lugares acaba ficando perdido”.

O especialista em transportes ainda afirma que realizar muitas obras na cidade ao mesmo tempo é prejudicial. “Isso de fazer muitas obras simultâneas prejudica comerciantes, moradores, prejudica todo mundo. O pior é que depois que elas acabam não aparecem tantos benefícios”.

Ele cita a trincheira da Rua 90 como exemplo e cita que não percebeu muitas melhorias depois da conclusão da obra. “Ainda não vi grandes mudanças no trânsito da região. A trincheira encurtou as vias adjacentes, fechou um pouco da Rua 90 e a sinalização foi implantada um mês depois da inauguração da via”.

Sinalização

O Secretário Municipal de Trânsito, Fernando Santana, explica que a sinalização está devidamente implantada e que agentes da SMT estarão na região nos primeiros dias para orientar os motoristas. Aproveita para pedir paciência para quem precisa transitar pelo local, uma vez que também há obras na Praça do Trabalhador.

“São intervenções necessárias para a cidade que, hoje, é um grande canteiro de obras. Tudo isso com a intenção de transformar nossa capital na melhor cidade em qualidade de vida. Estejam certos de que conseguiremos porque contamos com o apoio e compreensão da população de Goiânia que, em breve, vai poder desfrutar de um trênsito com maior fluidez, mobilidade e segurança”, completou.

Em relação a ter que passar por vias comprometidas por obras, Marcos Rothen afirma que é um sofrimento para o cidadão. “As pessoas que passam por essas vias sempre vão ter que procurar uma alternativa por conta própria porque há falta de placas e sinalização. E muitas vezes, mesmo com placas, a gente pode ficar perdido. É muito confuso”.

Viadutos são obras ultrapassadas, diz especialista  

O engenheiro de transportes afirma que se fazem mais viadutos atualmente. “São obras ultrapassadas que se deterioram. As melhorias são paliativas e ficam restritas apenas no trecho onde foi implantado”. O especialista usa como exemplo o viaduto da Avenida T-63 e da Praça do Chafariz que ficam congestionados em horários de pico. Marcos ainda afirma que é preciso ter mais planejamento das obras viárias. “A gente teria que ter mais organização da mobilidade para a cidade fluir da melhor forma. As obras não parecem ter confluência de planejamento”.

Marcos cita que as obras viárias que estão sendo feitas pela Prefeitura de Goiânia são onerosas e o dinheiro investido nelas deveria ser direcionado para solucionar milhares de outros problemas do trânsito da cidade que deveriam ser priorizados. Ele ainda afirma que a solução para o transporte da Capital seria o investimento em transporte público. “O investimento no BRT é importante, mas está sendo realizado no local onde é mais fácil de ser implantado e não onde precisa”.

O especialista afirma que a prioridade para instalação do BRT deveria ser na Avenida 85, onde é mais complicado de ser implantado. “A Rua 90, no Setor Marista ou a Goiás Norte nunca foi de grande movimento, o maior fluxo é na Avenida 85”. Ele avalia que a trincheira da Rua 90 foi uma obra que custou muito dinheiro e trouxe um benefício à altura do investimento para a população.

O engenheiro de transportes diz que é preciso organizar o trânsito com investimentos em novas estruturas. “Os recursos foram aplicados onde foi mais fácil de ser feito. Não construíram nada novo. Estão apenas refazendo estruturas que já existiam anteriormente”. Marcos ainda afirma que o recurso é pequeno, mas deveria estar sendo gasto no que é prioridade para melhorar o trânsito. (Especial para O Hoje) 

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