Governo do DF não paga fornecedor de oxigênio há 120 dias

Postado em: 06-03-2021 às 08h00
Por: Carlos Nathan Sampaio
Acusação de dívida de R$ 500 mil pegou de surpresa o Estado | Foto: Bruno Kelly/Reuters

Da Redação

Após dizer que Goiás teria dívida de R$ 500 mil, o presidente da Indústria Brasileira de Gases (IBG), Newton de Oliveira, voltou atrás e disse que cometeu um equívoco. Na manhã desta sexta-feira (5/3), ele afirmou que a Secretaria de Saúde do Estado não teria pagado contas relacionadas à compra de cilindros de oxigênio para pacientes diagnosticados com Covid-19. No entanto, a dívida é do Distrito Federal, segundo ele. 

A confissão de culpa foi dada pela tarde e ele assumiu o erro. “Nós atendemos ai o Centro-Oeste. Eu não separo muito o que é Goiás, e o que é DF. Mas foi uma conversa muito rápida e acho que teve uma confusão aí”, afirmou Newton. “Precisamos esclarecer isso aí, é a Secretaria de Saúde do DF que está devendo. Eu inclusive nem atendo o governo de Goiás diretamente. A gente atende através das Organizações Sociais [que gerenciam os hospitais públicos]”, explicou ele. 

Durante o dia, a acusação pegou de surpresa o Estado, que logo negou a situação. O titular da SES, Ismael Alexandrino, rebateu a contestação da Indústria Brasileira de Gases (IBG) sobre a dívida. Segundo Ismael, apenas uma nota, no valor aproximado de R$ 7 mil, que foi emitida errada pela a IBG está em aberto, vinculada ao Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Huana). “A Huana notificou à IBG para que a nota fosse corrigida para efetuarmos o pagamento. Mas ainda não recebemos o retorno. Então, se há essa dívida, não é dívida do estado”, destacou.

Ismael explicou que a pasta paga notas de fornecimento diariamente. “Se tivéssemos essa dívida, já teríamos tomado atitude. O estado prima por manter os pagamentos em dia. Assumimos Goiás em 2018 com quase R$ 1 bilhão em dívidas e já quitamos a maioria delas. Certamente nossos fornecedores vivem outra realidade em relação a pagamentos. Então, espanta a empresa ter procurado a mídia sem traduzir a realidade dos fatos”, disse.

Leitos teriam sido fechados 

Na última quinta-feira (04), o secretário de Saúde também esclareceu que é falsa a informação de que Goiás teria fechado leitos de UTI para tratamento de Covid-19. De acordo com ele, isso não condiz com que o governo goiano fez, não só mantendo os leitos abertos no ano passado como ampliando a capacidade de internação dos doentes pela Covid na rede pública estadual. Alertando para o “pior momento” da pandemia que Goiás tem enfrentado, Ismael detalhou os investimentos do Estado na abertura e manutenção de leitos de tratamento da doença.

“Desde o início da pandemia, nós mais do que triplicamos os leitos de UTI. Já superamos agora na segunda onda o número de leitos que abrimos na primeira onda. Todo leito aberto em todo hospital de campanha de Goiás instalado na primeira onda, nós não fechamos nenhum desses leitos e nenhum desses hospitais. Porangatu continua, Formosa continua, Luziânia continua, Jataí, São Luís de Montes Belos, Itumbiara e Goiânia. E vamos abrir na próxima semana o hospital de campanha de Uruaçu. Começamos com cerca de 300 leitos na primeira onda e hoje estamos com 427”, disse o secretário.

Para amenizar a falta de leitos, um novo hospital será entregue à população de Uruaçu na próxima segunda-feira (8). Foram R$ 40 milhões em investimentos e a unidade atenderá à população da região centro-norte de Goiás com 68 leitos de UTI e 118 leitos de enfermaria. O hospital será inicialmente voltado exclusivamente ao tratamento da Covid-19 e depois se consolidará como hospital estadual regional.

Situação de calamidade 

Dezesseis das dezoito Regiões de Saúde em Goiás seguem em situação de calamidade. As outras duas, Norte e Nordeste II foram classificadas como críticas. A orientação da SES-GO é que a região que apresentar uma melhora no mapa de calor mantenha as recomendações por mais uma semana, já que o ciclo do Coronavírus (SARS-CoV-2) seria de 14 dias.

Cidades como Goiânia e Aparecida devem decidir, neste final de semana, sobre a extensão do decreto que somente permite o funcionamento de atividades essenciais por mais uma semana. Em vigência desde o dia 1º, o decreto valerá até segunda (8), mas, para a retomada das atividades, a flexibilização somente poderia ocorrer se a taxa ficasse abaixo de 70% por cinco dias consecutivos, o que não ocorreu.

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