Medicações sofrem com aumento antecipado de 4,8%

Postado em: 16-03-2021 às 09h15
Por: Augusto Sobrinho
Medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 tem reajuste antecipado em 15 dias e valor sobe 4,8% | Foto: Reprodução

Daniell Alves

Cada vez mais se automedicando por conta da pandemia da Covid-19, os goianos devem sentir aumento no valor dos medicamentos nos próximos dias. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) autorizou o aumento de até 4,88% nos preços dos remédios. O reajuste já pode ser aplicado pelas farmacêuticas. O texto foi publicado na edição de ontem (15) do Diário Oficial.

A regulação vale para mais de 19 mil medicamentos disponíveis no mercado varejista brasileiro. A decisão foi tomada pelo Comitê Técnico-Executivo da CMED, órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em reunião no último dia 12.

Por meio do órgão, o governo controla o reajuste de preços de medicamentos periodicamente. Assim, pode estabelecer o aumento máximo que esses produtos podem atingir no mercado brasileiro. Contudo, a autorização de reajuste ocorre 15 dias antes do usual. A resolução da CMED estabelecia que os preços deveriam ser modificados em 31 de março de cada ano, mas o texto não esclarece a antecipação.

No último ano, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um acordo com a indústria farmacêutica prorrogando o reajuste anual de todos os remédios por 60 dias. Foi levada em consideração a crise provocada pela pandemia do Coronavírus. Em junho daquele ano, foi autorizado um aumento nos preços de remédios de até 5,21%. Cada indústria de medicamento determina o quanto da porcentagem irá aplicar. O reajuste afeta as farmácias, que compram das fabricantes, e repassam o valor para o consumidor. O índice que define o valor é medido pela CMED.

Variação de preços

O Procon Goiás, durante a última vistoria em drogarias de Goiânia, constatou variação de até 678% em preços de medicamentos genéricos. Para o levantamento realizado no ano passado, foram verificados 65 tipos de remédios (33 de referência e 32 genéricos).

Os medicamentos de uso contínuo podem pesar até 56% no orçamento do consumidor, segundo o Procon. De acordo com o Procon, quem optar pela compra de genéricos pode ter uma economia de até 88%. Os medicamentos genéricos sempre registram grande diferença de preços, pois há uma maior concorrência entre os diversos laboratórios.

Segundo o Procon, é importante que o consumidor saiba que pode ser mais interessante comprar um medicamento genérico por ser mais barato, desde que seja seguida a prescrição médica. Os medicamentos genéricos, inclusive produzidos pelo mesmo laboratório, podem apresentar preços diferentes de um estabelecimento para outro, inclusive da mesma rede de drogarias.

Automedicação

A presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF-GO), Lorena Baía, alerta para os riscos da automedicação em tempos de pandemia. Segundo Lorena, a ivermectina teve um aumento de 567% em suas vendas, já a cloroquina e a hidroxicloroquina tiveram um incremento de 237%. Ela salienta que tais medicamentos passaram a ser utilizados como forma de prevenção e cura da Covid-19, mas que até o momento não possuem eficácia comprovada cientificamente para estes fins.

“Até o momento não tem nenhum medicamento que tenha o uso para essa finalidade. A ivermectina mostrou resultado antiviral em laboratório, mas não foi confirmada quando testada em uso humano. São medicamentos utilizados para outros finalidades que não é o aprovado para a Anvisa”, explica.

De acordo com a presidente, a ivermectina é um medicamento que se for utilizado na dose registrada é seguro. “Mas o que a gente tem percebido que as doses na tentativa de prevenir a Covid são doses bem superiores ao uso prescrito. Pode gerar desconforto gastrointestinais, diarreias e complicar ainda mais a situação daqueles pacientes que tem comprometimento neurológico”, alerta.

 A utilização de vitaminas C e D, mesmo isentas de recomendações médicas, também podem gerar problemas. “São medicamentos contraindicados para pacientes com infecção renal, por exemplo. Não estão isentos de reações adversas e devem ter orientações de um profissional de saúde”, revela Lorena. (Especial para O Hoje)

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