Procura por atendimento médico domiciliar sobe 35%

Postado em: 22-03-2021 às 07h45
Por: Sheyla Sousa
Pandemia fez população se sentir mais segura com atendimentos dentro da própria casa | Foto: Wesley Costa

Daniell Alves

Procura por atendimento médico em domicílio registrou um crescimento de 35% nos procedimentos realizados em casa, os chamados home care, modalidade de assistência que passou a atuar em novas frentes com atual a crise sanitária. Segundo especialistas, neste momento, a principal vantagem dessa modalidade é evitar a exposição a outras doenças, inclusive ao coronavírus, além do conforto que o paciente tem ao ser atendido em casa.

Em entrevista ao O Hoje, a coordenadora do Atendimento Domiciliar do Atalaia Medicina Diagnóstica, Ana Mesquita Neves, explica que, a procura pelo atendimento móvel teve um aumento significativo com a pandemia da Covid-19. “Do início do ano passado para o começo da pandemia aumentamos nossa frota em 300% para atender a população de Goiânia e Aparecida de Goiânia, justamente para atender essa grande demanda das pessoas que se isolarem e pela própria consciência de fazer nosso papel para diminuir a propagação do vírus”, ressalta.

Os profissionais, por também atenderem pacientes com suspeita de Covid-19, precisaram incluir novos hábitos. “É necessário o uso de vários equipamentos de proteção individual, como: touca; máscara N95; viseira ou óculos; capote; sapatilha pro-pé; e luvas. Além de proteger a equipe de saúde, que protege o cliente que está na sua residência e solicitou o atendimento”, explica a coordenadora.

Durante o atendimento móvel são feitas coletas para exames laboratoriais, exames de covid (inclusive PCR e teste rápido), exames de genética e a aplicação de vacinas. Os serviços são recomendados para todo mundo que não queira ou não possa ir aos laboratórios.

Sessões em casa

O fisioterapeuta Harley Margon atua na modalidade home care há mais de 10 anos. Atualmente, ele acompanha em média 12 pacientes. Alguns deles realizam sessões duas ou três vezes durante a semana. “O número de atendimentos aumentou devido aos cuidados/precauções com a Covid-19”, ressalta.

Para realizar o atendimento, ele explica que é necessário ter um esfigmomanômetro e estetoscópio para avaliar os pacientes. Estes equipamentos mostram se existem ou não alterações significativas, assim como também auxiliam na ausculta cardíaca e pulmonar. “Em cada paciente são necessários diversos recursos disponíveis dentro da fisioterapia. O material utilizado depende da avaliação e das condutas a serem realizadas no tratamento. No geral utilizamos halteres, tornozeleiras, therabands, mini-band, tábuas de equilíbrio, cicloergômetro, aparelhos de eletrotermoterapia”, explica.

Com a pandemia, Harley intensificou a utilização do álcool 70% em todos os materiais e no corpo. A recomendação é que as pessoas lavem as mãos com água e sabão, utilizem a máscara de proteção, buscando sempre que possível ambiente mais ventilados. “Nós, fisioterapeutas, não prescrevemos medicamentos aos nossos pacientes, exceto os fitoterápicos muito utilizados na fonoforese”, finaliza.

Em alta

Desde o início da pandemia, o atendimento domiciliar vive um boom de pacientes egressos de hospitais, afirma o médico geriatra Leonardo Salgado, presidente do Núcleo Nacional de Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead). Isto porque as instituições precisaram liberar doentes crônicos estáveis para seguir ou terminar o tratamento em casa.

Atualmente, o País conta com 830 empresas de home care, segundo o último levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e o Nead. A receita anual é estimada em R$ 10,6 bilhões, sendo 57,5% geradas por internações domiciliares (que custam, em média, 35% menos do que as hospitalares). O restante, 42%, vem dos atendimentos em casa. Em 2019, foram atendidos cerca de 292 mil pacientes.

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Domiciliar é caracterizada por um conjunto de ações de prevenção e tratamento de doenças, reabilitação, paliação e promoção à saúde prestadas em domicílio, com a garantia da continuidade de cuidados. 

Cuidados com idosos devem ser redobrados 

Izabelly Miranda, CEO da Cuidare Brasil, rede de cuidadores de idosos e pessoas com necessidades especiais, explica que é muito importante se atentar para a higiene pessoal do cuidador, assim como à indispensável necessidade do banho, antes de iniciado o turno de serviço. “O uniforme de trabalho deve ser utilizado após a primeira etapa. Essa medida é uma forma de minimizar a exposição dos assistidos aos agentes externos, como, por exemplo, com o deslocamento por meio do uso do transporte público”, destaca.

Os equipamentos de uso compartilhado, como por exemplo, estetoscópios, aparelho para aferição de pressão arterial e termômetros devem ser limpos e desinfetados com álcool 70% após o uso, três vezes em movimento unidirecional por 20 segundos. Já o ambiente, explica, deve ser higienizado com solução de hipoclorito de sódio a 1% em pisos e superfícies dos banheiros. As orientações são basicamente para reforçar os hábitos de higiene, como já informado pelo Ministério da Saúde (MS).

Todas essas mudanças começaram a valer na rotina de Vinicius Henrique Araújo. Ele cuida de duas pessoas idosos de segunda a sexta-feira e em alguns plantões aos fins de semana. Além de fazer o uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs) em toda a carga horária de trabalho, aumentou a quantidade de banhos no local de trabalho.

Isto vale tanto para ele quanto para o paciente. “Todo e qualquer procedimento sempre utilizo os utensílios estéreis ao invés de somente os específicos”, revela. Anteriormente, Vinicius utilizava os EPIs somente quando o paciente apresentasse alguma infecção. Segundo ele, a utilização do álcool 70% aumentou de forma tão drástica que as mãos estão mais ásperas e descascando.

Hábitos modificados

As duas pessoas idosas que recebem cuidados de Vinicius tiveram que se adaptar aos novos hábitos, que minimizam o contágio da Covid-19. Dobrou a quantidade de líquido ingerida por eles. “Esta medida evita infecções, como a de urina, e mantém um controle do organismo sem a desidratação”. Esta, explica, pode desencadear outros fatores e futuras patologias graves.

Os hábitos alimentares e as visitas domiciliares também passaram por alterações por causa da pandemia. “Modificamos toda a alimentação do paciente para praticamente 100% mais saudável para que não haja nenhuma queda de imunidade. E toda e qualquer visita, no caso de filhos ou netos, pedimos que ao entrarem em contato com o paciente estejam usando máscaras, luvas, capotes e viseiras faciais. Assim, evita-se qualquer transmissão de bactérias ou vírus que coloca a vida do idoso em risco.

A utilização de máscaras, explica Izabelly, são efetivas desde que combinadas à lavagem correta das mãos ou uso do álcool em gel. “É importante reforçar que, antes de colocar a máscara, as mãos devem ser higienizadas”, alerta. A máscara precisa ser substituída por uma nova assim que apresentarem sinais de desgaste, rasgos ou falha na utilização. (Especial para O Hoje) 

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