Setor cervejeiro goiano mira pequenos produtores rurais

Postado em: 22-03-2021 às 08h40
Por: Augusto Sobrinho
Ihasminy diz que esse é o 1º contrato firmado pela associação | Foto: Divulgação/Afabev

Em pleno período de recessão econômica, agravado pela pandemia do novo coronavírus, algumas iniciativas, quando articuladas em parceria, têm contribuído para redesenhar o cenário desolador que assola boa parte dos brasileiros. Um desses exemplos foi verificado recentemente com a assinatura de convênio firmado entre a Cervejaria Colombina e a Associação de Agricultores Familiares de Bela Vista de Goiás (Afabev), e que estabeleceu a comercialização mensal de uma tonelada de mandioca cultivada pelos pequenos produtores associados.

A iniciativa – fomentada pelo Governo de Goiás, que tem trabalhado na articulação de convênios voltados ao fortalecimento e na capacitação da agricultura familiar – visa atender a demanda comercial da cervejaria artesanal, que acaba de lançar dois novos rótulos que levam adição da mandioca em sua composição. Com isso, duas cervejarias referências em seus segmentos: Ambev e Colombina encamparam a iniciativa propagada pelo Governo de Goiás de fortalecerem a agricultura familiar, principalmente diante do cenário da pandemia.

“Vislumbramos com esse projeto um reforço dos valores defendidos pela Colombina, de priorizar o pequeno produtor no fornecimento de nossas matérias-primas. Assim foi criada a Colombina Rensga, nas versões IPA e Lager”, esclarece Patrícia Mercês, CEO da Cervejaria Colombina.

Segundo a agricultora e presidente da Afabev, Ihasminy Teixeira, em dois anos de existência, esse é o primeiro contrato comercial firmado pela associação, que reúne 20 famílias de agricultores. “Somos vinculados ao cultivo da terra. O agricultor familiar não é especialista em comercializar sua produção. Fazemos uso das feiras livres para escoar nossos produtos. Então, dá para imaginar a nossa angústia ao vermos constantemente protocolos de proibição das feiras por conta da pandemia”, explica a presidente.

 “Antes de assinarmos esse contrato vendíamos em média 200 quilos de mandioca e seus derivados. Agora, com essa nova parceria, vamos fornecer 250 quilos semanais de mandioca, ou seja, uma tonelada por mês. Todos os produtores associados estão sendo beneficiados e trabalham mais motivados sabendo que a produção tem destino certo”, comemora.

Outra conquista da associação com a parceria estabelecida com a cervejaria foi verificar a forma respeitosa como a negociação foi conduzida. “Eles nos perguntaram quanto a gente queria receber pelo quilo do produto e concordaram em pagar o preço justo pedido por nós. Isso é algo muito raro de vermos nesse tipo de negociação”, reflete Ihasminy  Teixeira.

A associação estimula os pequenos produtores a adotarem a forma de agricultura sustentável, que leva em consideração a recomposição natural dos nutrientes do solo, feita por meio da variedade de plantas cultivadas, reduzindo ao máximo o uso de defensivos agrícolas, ou os abolindo por completo. “Já contamos com três associados certificados como agricultores orgânicos, e nossa meta é chegarmos a 100%”, comenta Ihasminy Teixeira.

A mandioca na cerveja

A nova linha Colombina Rensga traz em sua composição 16% de mandioca – ingrediente inusitado para os padrões da cervejaria artesanal que vinha pautando suas receitas na combinação de malte de cevada – porém que confere um insumo importantíssimo a toda cerveja: o carboidrato que será transformado em álcool durante o processo de fermentação da cerveja. Combinado aos cereais maltados, a mandioca se insere naturalmente no processo de fabricação resultando no teor alcoólico almejado pelos cervejeiros, e deixando a cerveja um pouco mais leve, porém sem alterar significativamente os demais atributos sensoriais da bebida.

“O resultado final foi uma bebida leve e muito agradável de ser degustada. Sensorialmente a presença da mandioca é praticamente imperceptível, não alterando no sabor ou aroma”, explica o Sommelier de Cervejas da Colombina, Alberto Nascimento.

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