Vera Holtz, a rainha do Facebook

Postado em: 03-03-2016 às 08h02
Por: Sheyla Sousa
Consagrada em papéis marcantes no teatro e na TV e agora também pelas fotos hilárias nas redes sociais, Vera Holtz vem a Goiânia interpretar um homem em comédia de Shakespeare

JÚNIOR BUENO

Mãe Lucinda. Simone. Pérola. Marion. Santana. Miss Alice Penn Taylor. Quitéria Quarta-feira. Dona Redon­da. Atriz de sucesso. Arrasa no Teatro. Diva da TV. Tem sotaque gostoso. Rainha do Facebook. Conceitual. Performática. Artística. Shakespeariana. Uma deusa. Uma louca. Uma feiticeira. Seu Nome? Vera Holtz.

Para combinar com o sucesso que a atriz Vera Holtz vem fazendo nas redes sociais, uma biografia em forma de gif com os predicados do parágrafo acima seria uma ótima pedida. É que além de ser uma atriz aclamada por sua vasta carreira no teatro, no cinema e na TV, nos últimos meses passou a ganhar uma legião de fãs pelas fotos hilárias no Facebook e replicadas internet afora na forma de memes.

O burburinho começou em junho, com uma série de fotos de Vera usando seu coque para os mais diversos fins, como apoiar um carregador de celular e pendurar uma sacola de compras. O passo seguinte foi postar fotos inusitadas com objetos como uma baguete, um pássaro de cerâmica, balões camisinhas e até um bilhete de metrô ador­nando o penteado. 

Os usuários da rede foram à loucura com a criatividade da atriz e logo, entre correntes e textões, fotos da atriz passaram a ser cada vez mais presentes nas timelines. Vera adora a interação com o público: “É uma plataforma para criação muito potente,” dis­se, em entrevista ao Essência (confira abaixo). 

O último hit da página foi a série que Vera fez no feriado de Carnaval, com um ensaio interagindo com um copo de chá-de-boldo, representando a ressaca que a folia nos traz. Vera é gente como a gente. Além das fotos artisticamente divertidas, ela interage com fãs e posta imagens de sua carreira nos bastidores de diversas produções. 

Nascida em Tatuí, interior de São Paulo, tem no teatro sua formação, em escolas co­mo a Escola de Arte Dramáticas (EAD) e a Escola de Teatro da Uni-Rio. Com 35 anos de carreira, ela tem bastante para recordar, por ser uma atriz muito querida pelo público. Só na TV são 22 novelas, cinco minisséries e outras tantas participações em especiais. E ela ainda se prepara para encabeçar o elenco de Sagrada Família, novela das 21 horas da Globo, prevista para estrear em outubro deste ano. 

No cinema, são mais 19 filmes. E no teatro, 31 produções, incluindo Timon de Atenas, num dos textos menos conhecidos de William Shakespeare, publicado em 1623. No entanto, a abordagem do diretor Bruce Glowenski, transposta para os dias de hoje, mostra o quão atual é o texto do bardo.

E, seguindo uma tradição de ter grandes atrizes vivendo o personagem título, a montagem brasileira traz Vera Holtz no papel de Timon, que se junta a Maggie Smith, Vanessa Redgrave e Fiona Shaw. Vera explica que, apesar de ser um homem, Timon é representado como um gênero neutro.

Timon de Atenas é um milionário que festeja seus amigos, a arte e o poder, mas se depara com a ruína. Neste momento de derrocada, é abandonado por todos e, cheio de ira e fúria contra a humanidade, vai morar nas ruas enquanto manifestantes se preparam para tomar o poder. A adaptação vem da tradução de Bárbara Heliodora e a peça começa agora a correr o país, após uma temporada de êxitos no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com a atriz:

OH- O que te motiva na escolha de um personagem? E na escolha desse texto de Shakespeare, em especial?

Gosto, no teatro, de personagens que me desafiem e contem histórias interessantes. Timon é escrito em versos, tem um tema atual, um contraste de uma obra de 1623, com uma direção contemporânea. Trabalhar com um elenco grande é uma raridade nos dias de hoje, e somos 15 em cena sem con­tar a equipe.

OH-  E como é para você interpretar um homem neste espetáculo?

Varias atrizes mundo afora estão fazendo papéis masculinos de Shakespeare em gênero neutro, como Maggie Smith, Vanessa Redgrave, Fiona Shaw – representamos o personagem, não o gênero.

OH-  Uma reivindicação constante no meio artístico é da falta de bons papeis para mulheres acima dos 50 anos. Como você enxerga esta questão?

A grande tendência no teatro atual são os documentários cênicos e certamente não faltam papéis para todas as idades. São obras autobiográficas ou de memórias. Os projetos são autorais.

OH-  Sua carreira tem papéis variados: feirante, alcoólatra, caçadora de vampiros, catadora de lixo, dondoca, mulher reprimida. Você sente falta de algum papel que gostaria de ter feito e não fez? 

Eu acredito que os personagens nos encontram. Uma crença charmosa, mas tem me conduzido bem. Estou realizada com essa diversidade de papéis. Outros virão e saberei reconhecer os que posso representar bem.

OH-  Como é a sua relação com o público da internet, que já te elegeu a Rainha do Facebook? De onde vem a inspiração de fotos tão inusitadas e maravilhosas?

No Facebook mantenho uma relação direta com o segmento de público que comenta as publicações. É uma plataforma para criação muito potente e no dia-a-dia me inspira para as minhas criações.

Serviço

Espetáculo ‘Timon de Atenas’

Local: Teatro Goiânia

Dias e horários: 4 e 5 de março (sexta e sábado) às 21h e 6 às 18h30

Ingressos: R$25 (inteira) e R$ 12,50 (meia entrada)  

Compartilhe: