Chás: beba com moderação

Nutricionista fala sobre os pontos positivos e negativos do consumo de chá e suas especificidades

Postado em: 18-10-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Nutricionista fala sobre os pontos positivos e negativos do consumo de chá e suas especificidades

No Brasil, quem não é fã de café o substitui por chá. Há, também, quem utilize a bebida como pretexto para socializar. Na Inglaterra, por exemplo, o chá da tarde é tradição. A bebida também pode ser uma aliada dos atletas. Mas, além de ser um símbolo de rituais da sociedade ocidental e pretexto para encontros sociais, o chá tem seus benefícios nutritivos e, também, suas restrições. Nem toda erva que vira chá pode ser consumida livremente em uma simples recepção a visitas em casa. E nem todo chá que faz bem para certos tipos de doenças fará bem para outras. Para tirar essas dúvidas, a nutricionista Monica Laboissière explica os valores nutritivos da bebida e até que ponto os chás são bons ou não para a saúde.
Dentre os pontos positivos, está a sua importância medicinal. Segundo a nutricionista, os chás são ricos em polifenóis, que são agentes preventivos do câncer e de doenças cardiovasculares. Ainda, nas especificidades, Monica comenta sobre o chá verde que, de acordo com ela, tem efeito cardioprotetor. O efeito também pode ser alcançado com o consumo do chá preto, branco ou do ban-cha. Além disso, o chá verde também tem propriedades antinflamatória e antitrombolitica. A nutricionista destaca também a capacidade de reduzir o nível de lipídeos do sangue pelo chá verde – de acordo com um estudo europeu. 
O chá de hibisco, por exemplo, tem ação diurética. “Ele também é capaz de reduzir a adipogênese (formação de células que armazenam gordura)”, explica a nutricionista. “O chá de camomila auxilia nas náuseas e é importante para pacientes que estão em tratamento de quimioterapia”, destaca. Já o chá de boldo – cujo saber tradicional faz com que os mais velhos sempre o indiquem quando qualquer tipo de doença aparece – tem um papel importante nas disfunções digestivas. Para auxiliar na digestão, também, é aconselhável consumir o chá de alecrim. Para quem costuma ter insônia, cólica ou enxaqueca, Monica recomenda o chá de capim cidreira. 
Mas nem tudo são flores quando se fala dessa bebida. Nem sempre o chá será a opção mais saudável para seu organismo e, por isso, é importante consultar especialistas. Mas, para adiantar, Monica comenta sobre algumas contraindicações. “A presença de cafeína em alguns chás, por exemplo, faz com que esses devam ser evitados por gestantes”, menciona. A explicação é que a cafeína pode atravessar a placenta e provocar alguma alteração na frequência cardíaca e na respiração do feto. Além disso, “o chá verde e o chá mate podem alterar a frequência cardíaca, causar dispepsia ou enxaqueca em pessoas com predisposição”, comenta. O chá de hortelã, apesar de popular por sua refrescância, é contraindicado para quem tem hernia de hiato porque, segundo a nutricionista,  relaxa o esfincter esofágico, que é um anel muscular que separa o estômago do esôfago. 
“São tantas propriedades e utilização dos chás que devemos ter cuidados para não exceder”, ressalta. Monica explica que ainda não foram comprovados os efeitos do chá no corpo humano e qual a dosagem segura conforme a erva de que é feito. “A temperatura também  deve  ser individualizada. Pacientes com gastralgia, por exemplo, devem evitar temperaturas extremas”, cita. Por isso é importante saber aliar os conselhos nutricionais da bebida, seja quente ou gelada, às combinações gastronômicas. 
O chef boulanger Ítalo Motta de Andrade explica que os chás são bebidas de fácil harmonização. “A combinação com pães ou biscoitos vai das preferências de cada um. Uma sugestão ao misturar os sabores é optar por um chá de sabor mais forte combinado a um pão de sabor neutro. Outra proposta bastante apreciada é optar por produtos da viennoserie francesa, como os pães de massa folhada, a exemplo do croissant, que com uma característica bem amanteigada harmoniza com chás de sabor ácido”, sugere. Mas é importante, antes de tudo, saber o que o seu organismo recebe bem ou não.

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