Goiânia: de A de Anhanguera a Z de Zezé Di Camargo

No aniversário de 83 anos da Capital de Goiás, o ‘Essência’ preparou uma lista com algumas das razões para amar a cidade e lembrar que ela é boa demais da conta

Postado em: 22-10-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
No aniversário de 83 anos da Capital de Goiás, o ‘Essência’ preparou uma lista com algumas das razões para amar a cidade e lembrar que ela é boa demais da conta

Tudo bem. Nós sabemos que nem tudo é incrível e belo na cidade que completa 83 anos amanhã (24). Existem muita desigualdade social e violência (que grande cidade não enfrenta esses problemas?). O trânsito anda meio maluco e o transporte público possui falhas que parecem que nunca terão fim. A cidade possui alguns prédios com os nomes mais cafonas do mundo, e é impossível para quem vem de fora acertar de cara um endereço, tamanha é a confusão com os nomes das ruas, que não são nomes, mas números. 
Sabemos de tudo isso, mas mesmo assim estamos aqui para enaltecer a cidade no que às vezes esquecemos que ela tem de bom e de único. Goiânia cresce vertiginosamente, mas ainda possui aquele clima de interior, onde todo mundo é meio familiar. Quantas vezes você já se pegou espantado com o tanto que Goiânia “é um ovo”? Então vamos começar a falar bem de Gyn City e, em vez de reclamar, agir para que seus problemas sejam resolvidos? O Essência escolheu algumas das características mais marcantes de Goiânia e preparou um guia afetivo da cidade.

Nome literário 
Dizem que o nome de Goiânia foi escolhido por uma enquete em um jornal da antiga capital, Cidade de Goiás. Não é bem assim: pela enquete, a Capital de Goiás se chamaria Petrônia. Na verdade, o nome para batizar a cidade veio do título do livro Goyania, a primeira publicação literária cuja temática gira em torno de Goiás. O poema épico do escritor Manuel Lopes de Carvalho Ramos teve circulação bastante limitada, razão pela qual a nomeação da cidade permanece desconhecida do grande público. Já pode contar vantagem: sua cidade é uma das poucas com o nome de um poema.

Celeiro de sertanejo 
Existe uma piada que diz que, se você sacudir uma árvore, cai uma dupla sertaneja. A verdade é que a cidade é tão referência nesse mercado que cantores vêm de outros Estados para começar a carreira, aqui, como Gusttavo Lima. E, é claro, existem as duplas que a gente viu se formar e ganhar o Brasil. Zezé Di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo, Chrystian & Ralf…

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É na sola da bota! 
Se há uma coisa que agrada uma galera em Goiânia é vestir uma beca invocada com um jeans bem justo, camisa xadrez, bota, chapéu e um cinto com fivelas gigantes. O universo cowntry na cidade abriga fazendeiros, amantes de música sertaneja, gente que ganha a vida em rodeios e quem só quer se divertir nas casas de shows mesmo. Em maio, quando chega a Pecuária, aí a peãozada se anima e se rebuliça.

Sanduicheria não! Pit dog! 
E aí você pode escolher se quer seu x-salada com ou sem batata palha, milho, abacaxi, cebola, catupiry. Um autêntico sanduíche é aquele que você não consegue dar uma primeira mordida sem sujar metade do rosto. Para acompanhar um creme de polpa de fruta é a melhor pedida. 

Empadinha é no mercado 
Você pode preferir a Empada do Alberto, onde a banca é adornada com fotos do proprietário, ao lado de artistas como Fernanda Montenegro e Marilia Pera. Ou então a da banca ao lado, onde um freezer tem uma foto de “Seu” Mário e a frase: “Aqui, o artista sou eu”. Rivalidades à parte, nada é mais tradicional que as empadinhas do Mercado Central. Tão famosas que a Empada do Alberto, já possui filiais em vários locais da Capital. “Seu” Mário faleceu há alguns anos, mas seu filho continua lá, no mesmo lugar, com os melhores quitutes de Goiânia. 

Verde que te quero verde 
Localizada em pleno Cerrado, um dos biomas mais devastados do Brasil, Goiânia mantém uma grande quantidade de áreas verdes para uma metrópole. São 94 m² de área verde por habitante, a segunda maior taxa de área verde por habitante do mundo, atrás apenas de Edmonton, no Canadá. O índice por habitante de área verde da Capital é quase oito vezes maior do que os 12 m² por habitante recomendados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mas, mesmo assim, não é legal ver árvores sendo derrubadas em obras pela cidade. 

“Vamo ali no parque?” 
Pergunte a um paulistano  qual é o melhor parque de São Paulo. Ibirapuera deve ser a resposta, já que essa é a maior referência em área verdes daquela cidade. Em Goiânia, o difícil é escolher um parque para chamar de seu, já que são tantos e tão verdinhos, tão refrescantes, tão belos. Parque Vaca Brava, Bosque dos Buritis, Jardim Botânico, Areião, Lago das Rosas e Parque Flamboyant são só os mais frequentados. Isso sem falar nas pracinhas escondidas do Setor Sul, sempre com alguma surpresa para quem acaba caindo ali sem querer.

Goiânia Rock City 
Goiânia é conhecida nacionalmente pela exportação de duplas sertanejas, mas o que nem todo mundo sabe é que a cidade também possui um dos cenários mais expressivos de rock alternativo do País. Conhecida como “Goiânia Rock City”, a Capital recebe festivais de renome nacional – como Bananada, Vaca Amarela, Goiânia Noise e Grito Rock Goiânia. Há tanto bandas com mais de 20 anos, que continuam na ativa como uma cena novíssima, quanto bandas bombando na gringa, como o Boogarins.

A melhor loja de quadrinhos
Já são quase 25 anos de Hocus Pocus, loja de ambiente pequeno e abarrotado de livros, revistas usadas e acessórios de rock. Quem já passou pela Av. Araguaia, ali perto do Mutirama, certamente sentiu uma pontada de curiosidade de adentrar àquele recinto. O local, cheio de livros, papel guardado e incenso, é inconfundível. Várias gerações encontraram, ali, a camiseta da sua banda predileta. A loja é um dos melhores sebos da cidade e, com certeza, os donos, Juninho e Fafau, vão ter o que você procura. Ou é capaz de você achar o que nem estava procurando ali.   

Jantinha só no nome 
Não se sabe quem teve a ideia de batizar assim essa deliciosa combinação de espetinho com seus acompanhamentos. O fato é que toda esquina de Goiânia tem uma churrasqueira saindo fumaça e uns espetinhos na brasa. A jantinha é uma paixão goianiense: espetinho com arroz, feijão, mandioca, vinagrete. O nome, no diminutivo, é uma mostra da sutileza goiana. Pelo tamanho das porções, o correto deveria ser “jantona”.

Pense numa vista linda! 
A melhor vista da cidade todo mundo sabe que é a do Morro do Além. E, lá, há um restaurante com o melhor lugar para se observar a cidade, à noite, o mirante. Durante o dia, quem estuda no Campus Samambaia também pode ter uma vista privilegiada de Goiânia. 

Dadaísmo à moda goiana 
É bem verdade que a cidade ganhou as manchetes nacionais por coisas tristes, como o acidente com o Césio, o serial killer e o meme da “senhora”. Mas também existem razões para Goiânia ser internacionalmente conhecida. Uma delas foi a escolha da cidade para ser a “capital dadaísta no Brasil” para comemorar os 100 anos do movimento artístico Dada. Por algumas semanas, neste ano, Goiânia fervilhou com eventos culturais diversos.

Todo dia é dia de feira 
E não é só a feira livre onde você compra verduras, frutas e aquele pastel com caldo de cana ,não. As feiras noturnas de Goiânia também são point de boa comida. Tem aquele empadão da Feira da Lua, aquela torta na Feira do Universitário, aquele Yakissoba da Praça do Sol, aquele suco que só tem na Feira do Cepal. Se organizar direitinho, dá para visitar todas e encher bem a barriga. E, claro, comprar uma roupinha.

Diabo Velho 
Há controvérsias quanto à bravura de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Embora tenha sido pioneiro no desenvolvimento goiano, há quem o condene por seus métodos brutais de desbravamento. Fato é que o bandeirante do século 17 é uma figura importante na cidade, emprestando a sua alcunha à maior avenida, onde a estátua de Bartolomeu figura, imponente, no cruzamento com a Goiás. A estátua é o coração em forma de concreto da cidade. Uma curiosidade: Anhanguera, em tupi, significa “diabo velho”. Outra curiosidade: a estátua foi doada ao município pela Faculdade de Direito da UFG.  

Vai uma blusinha aí, freguesa? 
A história da Feira Hippie remonta a década de 1960, quando os hippies expunham seus artesanatos no Mutirama, depois na Praça Universitária, Praça Cívica, Avenida Goiás até o local atual, na Praça do Trabalhador. Mas nada de colar de miçanga e de semente: Hoje em dia, a feira é um dos maiores polos de confecção do Brasil. Vem gente do Brasil inteiro comprar, ali, e na Rua 44, ao lado, peças baratinhas no varejo e no atacado. 

Yes, nós temos pamonha! 
Achou que a gente ia chegar ao fim da lista sem falar no melhor dos tesouros que Goiânia oferece, não é? Basta esfriar um pouquinho (o que em Goiânia é ficar em 20º) para bater aquela vontade de comer uma pamonha à moda. E uma de doce logo depois. E comprar outra para comer mais tarde. Ou, no outro dia, gelada. Ou então fritar essa pamonha no outro dia. Se há uma coisa que goiano ama é o carro da pamonha. Ou o triciclo da pamonha dependendo do bairro. É amor em forma de creme de milho.

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