Viver é desenhar com amor e vinho

Postado em: 06-05-2021 às 09h52
Casais que reservam um tempo para juntar as duas taças, com certeza são muito mais felizes e isso os leva a um relacionamento fora da rotina | Foto: reprodução

Edna Gomes

Este tempo e vagar que a pandemia imprime a nossa nova realidade. Temos a missão de destacar, sublinhar e trazer à memória aquilo que pertence à nossa identidade. Sublinhar o significado de nosso mundo pessoal, social e cultural. Missão que cabe olhar para dentro e tenho feito isso percebendo o agora. É curioso perceber na solidão, a importância dessa janela aberta. Uma simples janela que nos permite olhar para fora, preservar nossa vida como armazenamos o vinho em tonéis de carvalho. Tornar o sol amigo, próximo e sincero porque a vida e o amor querem o vinho, exigem esse tempo e esse vagar, não as coisas céleres que o cotidiano nos impõe.

A relação entre a poesia e o vinho, resgata, ao longo dos tempos, uma garrafa aberta, mas quando estas duas linguagens se encontram, provocam em mim, um encontro, um outro significado, uma outra dimensão. Refiro-me ao sentido que o vinho ganha quando se encontra com a poesia e que este ganha quando se encontra com meu íntimo. Esse encontro me faz repensar o tempo em que estamos vivendo.

A simbiose poesia e vinho é uma dinâmica muito forte, mais transformadora da realidade individual e social. Precisamos ir à génese da nossa poesia lírica e seguir ao longo da nossa História exemplificando sobre um breve tempo para nós.

As linhas que quero contar do amor e do vinho tem uma relação intensa com a poesia e a vida que atravessa a História e define o hoje. Isso é muito importante porque o vinho, é um ato de celebrar a vida. Define muito o que somos na forma, nossa essência e identidade.

E assim, sentada na minha cozinha, como um bom alentejano, à soleira da porta ao final do dia, bebendo um divino Vinho de Talha, na minha adega ou no universo. Nesse cerrado onde o sol dá o tom certo da sensualidade dos corpos e o vinho produz a languidez da libertação dos sentidos.

O amor e o vinho marcaram nos últimos mil anos a nossa poética do viver. Saboreiam do amor tudo o que um homem sóbrio saboreia do vinho. Com o amor dá-se o mesmo que com o vinho, mas bem vêem que ambos embriagam. Quando um casal se une, o melhor motivo para beber vinhos, é o amor. Casais que reservam um tempo para juntar as duas taças, com certeza são muito mais felizes e próximos e isso os leva a um relacionamento fora da rotina, além de ser muito interessante a troca de experiência com algo que os dois desejam, pois o prazer dos abraços é mais intenso, e pode ser traduzido com olhares apaixonados.

Para começar, aquele jantar a dois, um cru Beaujolais chamado Saint Amour, do vinhedo Paradis, situado na cidade de Saint Amour. Este vinho recebeu a medalha de ouro no concurso internacional do Gamay. Incrível! Me fez viajar por Paris de mãos dadas sem medo de ser feliz.

Em seguida, para acompanhar um prato com carne, um vinho do Clos des Vins d’Amour intitulado Alcôve. Um começo fácil, quase evidente. Para finalizar a noite, escolha uma bebida efervescente, explosiva como o espumante da Borgonha, Blancs de Blancs, de Louis Picamelot. O que nos leva a escolher uma vida morna? Ou melhor, contesto a resposta, eu sei de pronto e está estampada na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços. Não deixe que a saudade sufoque, a rotina acomode e o medo impeça de tentar. Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida. Um vinho e um carinho são tudo o que precisamos para aquecer nossa alma, a dor e a solidão nesta pandemia. Tim tim! (Especial para O Hoje)

Por: Redação
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