Espetáculo goiano debate o sono durante a pandemia da Covid-19

Postado em: 06-06-2021 às 15h33
Por: Augusto Sobrinho
O evento acontecerá nos dias 16 e 19 de junho no canal do YouTube da Casa 107. Foto: Divulgação

Quais os efeitos da pandemia da Covid-19 no sono dos brasileiros? Este é o tema do vídeo Hábitos Noturnos, que será exibido entre os dias 16 e 19 de junho no canal do Youtube da Casa 107. O trabalho conta com a direção de Valéria Braga, atuação dos atores goianos Rodrigo Cunha e Rodrigo Jubé e participação especial do renomado ator Hugo Rodas.

Segundo Valéria, Hábitos Noturnos representa um ato de resistência diante o cenário pandêmico a qual o mundo atravessa e que impactou duramente a classe artística. A diretora sublinha que o trabalho tem a importância de mostrar que a arte se mantém viva e se reafirma apesar das dificuldades.

 “Se falou muito de como a arte salvou muitas pessoas nesse momento de pandemia, mas a gente que trabalha com isso tem a sensação de sempre estar vivendo à margem. É importante que a gente continue trabalhando para reafirmar o lugar da arte na sociedade.”

O projeto é contemplado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e foi inspirado no filme Clube da Luta (1999), de David Fincher. Porém, será aprimorado com outras temáticas na história, como os desdobramentos violentos e de irritabilidade que a insônia pode causar. O ator Rodrigo Cunha revela que o nome da peça surgiu após observar os costumes noturnos dos animais que estão no Zoológico de Goiânia.

“Nós fizemos uma visita um dia lá e notamos que os animais ficam escondidos nas jaulas devido à tristeza diante aquela situação. Quando escurece, eles não dormem. Eles afloram todos os seus costumes diante dessa forma violência que é imposta. Essa é a insônia. É uma sensação de iminente perigo e morte pela mudança forçada de habitat”, afirmou.

A diretora afirma que tem sido um grande desafio dirigir o espetáculo, mas que sentiu necessidade de explorar esse universo complexo que é a violência. “O desafio é tratar do universo da violência pela sua complexidade e de como a sociedade processa essa violência”, pontua.

Ela  reforça que, apesar de trazer dois personagens masculinos, a sua a presença como mulher, que também atua na gravação, ajuda no diálogo com a violência. Pois, de acordo com Rodrigo Jubé, seu personagem carrega em si o conjunto de todas essas violências.

“A gente conseguiu incorporar os mais diversos julgamentos e preconceitos como racismo, homofobia, gordofobia. Assim como a preocupação estereotipada com o corpo humano. Fizemos um workshop e pesquisa que causaram um profundo impacto na construção do personagem”, concluiu.

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