Capitu traiu ou não traiu? Advogado revela ter descoberto o segredo de Dom Casmurro

Postado em: 14-09-2021 às 18h46
Por: Alice Orth
Para o jornalista e advogado Miguel Matos, há uma resposta certa. E ele sabe. | Foto: Reprodução/Globo

O mistério que ronda o romance de Machado de Assis divide leitores e estudiosos. Enquanto alguns acreditem que Bentinho, protagonista da história, nutria uma paranoia de que a esposa lhe traía, outros têm certeza de que Capitu tinha, sim, um relacionamento com Escobar, melhor amigo do narrador. Mais uma parcela argumenta que o objetivo do autor não era definir a verdade, e que ela seria irrelevante para o livro.

Para o jornalista e advogado Miguel Matos, há uma resposta certa. E ele sabe. Autor do recém-lançado “Código Machado de Assis: Migalhas jurídicas”, ele garante ter provas de que Capitu era infiel. Segundo ele, a “prova cabal” está na linguagem jurídica de Machado, que entrega mais informações sobre o relacionamento.

A peça final do quebra-cabeça seria o título de um capítulo em que Bentinho encontra Escobar saindo de sua casa à noite, onde a esposa estava, chamado “Embargo de terceiros”. A expressão é usada pelo escritor em “A Mão e a Luva”, o que mostra que ele entenderia seu significado e não a usaria sem intenção.

“Machado usa muitas metáforas jurídicas em sua obra”, contou Matos ao jornal Estadão. “Em ‘Dom Casmurro’, o termo ‘embargos de terceiro’ é uma metáfora para disputa pela posse. No caso, a ‘posse’ de Capitu. O mesmo termo aparece em ‘A mão e a luva’ para falar sobre uma pessoa que quer conquistar a outra. Machado não iria fazer essa associação à toa”.

Como explicação para estar na sua casa àquela hora, Escobar diz, segundo o narrador, que estava tratando de uma “questão de embargos”, tentando justificar o incidente como uma emergência. Matos lembra, no entanto, que isso não seria motivo para uma visita à noite, e com conhecimento de comerciante, ele saberia disso.

A sátira contra advogados é frequente na obra machadiana, que zomba das palavras refinadas e o “juridiquês”. “Ele criticava aquela linguagem que não parece português, repleta de terminologias de foro. Machado gostava de fazer graça com a vaidade dos advogados, esse rebuscamento na forma de falar que existe até hoje”, contou o advogado.

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