Após 8 anos, surpresas e despedidas marcam o fim da série Brooklyn Nine-Nine

Série chega ao fim com dignidade em meio a protestos contra policiais.

Postado em: 19-09-2021 às 17h00
Por: Alice Orth
Produção chega ao fim com dignidade em meio a protestos contra policiais. | Foto: Divulgação

A aclamada comédia policial Brooklyn Nine-Nine chegou ao fim nesta quinta-feira (16/09). Após oito anos de série, os fãs e os atores se despediram do programa com um episódio duplo que não podia ser mais apropriado – o tema escolhido foi “O Adeus Perfeito”.

Brooklyn passou por reviravoltas enquanto ainda estava na metade, ao ser abandonada pela FOX. A pressão dos telespectadores foi o suficiente para que outra emissora, a NBC, assumisse a história de onde parou e bancasse o que era necessário para que ela tivesse um final feliz.

A série trouxe nomes até então desconhecidos, como Melissa Fumero (Amy Santiago) e Stephanie Beatriz (Rosa Diaz), para o carro da frente da comédia televisiva. Terry Crews (Terry Jefferson), Chelsea Peretti (Gina Linetti), Joe Le Truglio (Charles Boyle) e Andre Braugher (Raymind Holt) não são novos de casa, mas formaram uma equipe coesa e harmônica com o protagonismo do velho de guerra da gênero, Andy Samberg (Jake Peralta). Ex-Saturday Night Live, ele é um dos componentes do grupo musical The Lonely Island (vencedor do Emmy com o clássico “Dick in a Box”) e famoso por filmes como Este é o meu garoto (2012), com Adam Sandler, Popstar – Nunca desista de desistir (2016) e Palm Springs (2020).

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É difícil ser inovador dentro do mundo das sitcoms, mas essa acontece de ser a especialidade de Michael Schur. Criador de séries que entraram para o cânone da comédia, como The Office, Parks & Recreation e The Good Place, ele escreve ao lado de Dan Goor (The Late Show, Late Night with Conan O’Brien) um enredo leve, espirituoso e sensível. Dentre os grandes elogios que Brooklyn Nine-Nine ganha, estão o cuidado com temas difíceis, como racismo, sexismo e homofobia, e a delicadeza entre as relações: pai e filho, melhores amigos, casados, separados, e até inimigos.

O tato com os relacionamentos revela jóias raras, como o relacionamento do personagem principal. Ainda na primeira temporada, Jake e Amy são rivais amigáveis, com uma leve tensão amorosa. Ao longo dos anos, vemos os dois desenvolverem um namoro saudável, um casamento feliz e dividirem a vida a dois – e depois a três – como verdadeiros parceiros. A alternativa fácil e comum, que coloca longos e desnecessários empecilhos, como traições, separações e brigas para movimentar o romance, dá lugar à discussão de pequenos gestos, de discordâncias naturais e de crescimento mútuo.

Essas qualidades foram essenciais para que Brooklyn Nine-Nine chegasse ao seu fim com dignidade. O ano anterior ao finale foi marcado por protestos contra a violência policial e o racismo estrutural, luta do movimento ativista internacional Black Lives Matter. Ignorar que o tema central da história estava deteriorado do lado de fora era uma saída, mas não a mais honrosa. O ano 8 foi de episódios difíceis, com temas que o mundo gostaria de esquecer e situações nada palatáveis ao público que ligou a TV para se distrair.

Em cinco sessões de episódios duplos, vimos os personagens evoluírem, serem levados para a próxima etapa de suas vidas e ainda lembramos dos trechos mais notáveis da série. E são muitos para escolher – “nome da sua sex tape”, “ser eu mesmo? que lixo de conselho é esse?”, “amor: te sustenta como mingau”, e um preferido particular: “cada vez que alguém toma coragem e assume ser quem é, o mundo se torna um lugar melhor e mais interessante”.

Smort

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