TikTok e Instagram: por que as dancinhas e challenges na internet fazem tanto sucesso?

Diferentes gerações passaram a usar a tela do celular, e o engajamento nas redes socais cresceu

Postado em: 24-10-2021 às 17h50
Por: Alexandre Paes
Diferentes gerações passaram a usar a tela do celular, e o engajamento nas redes socais cresceu | Foto: Reprodução

Criado em 2016, o app TikTok popularizou-se durante a pandemia da Covid-19. De olho na concorrência, o Instagram passou a investir na ferramenta “reels”. Nem aí para essa disputa, diferentes gerações passaram a usar a tela do celular como palco. A febre das coreografias e vídeos engraçados passou a interferir até no meio musical. Ter um viral pode alavancar a audiência dos músicos.

Descer até o chão, bailar, arrasta-pé, bate-cabelo. Seja qual for o termo preferido, dançar diverte e carrega traços da identidade. Movimentar o corpo também é expressão nas redes sociais. No dia 27 de setembro, o TikTok atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos por mês. Parte deste público tem nas “dancinhas” o seu diferencial.

A internet nos últimos 20 anos dominou nossa maneira de trabalhar, se conectar e, por fim, nos socializarmos. Mas por que as famosas dancinhas da internet fazem tanto sucesso? seria um fenômeno social? ou é considerado somente um puro entretenimento?

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Para o doutor em sociologia, Deyvid Morais, a mudança da linguagem dessas redes sociais tem a ver também com o progresso tecnológico e evolucionário da sociedade. “Os smarthphones revolucionaram a maneira de registrarmos eventos, compartilharmos conteúdos em tempo real. Atualmente esses aplicativos dão a dinâmica a essas novas redes” explica.

Enquanto Facebook/Instagram ancoram a experiência do usuário nos seus amigos ou pessoas do seu interesse, o TikTok mostra ao usuário que usa a plataforma pela primeira vez a plataforma vídeos aleatórios e usa seu algoritmo para modelar o seu comportamento determinando qual perfil de vídeo e qual conteúdo o deixa mais engajado no aplicativo.

Para a psicóloga Otília Loth a música produz sociabilidade e inclusão dos indivíduos dentro de um âmbito social, e pode ser o ponto chave, que prenda a atenção e ajude a tornar viral os challenges. “O público é sempre direcionado e tem certa afinidade com determinados conteúdos, e cada estilo musical ajuda no engajamento e contribui para formação dos famigerados grupos sociais, que se reúnem por semelhanças e gostos próximos” comenta.

Pandemia impulsionou número de usuários

O isolamento social não só permitiu que as pessoas ficassem mais em casa, quanto também que essas consumissem mais conteúdo online. Aliado a isso, no início da pandemia os artistas, influencers e até mesmo pessoas comuns passaram a fazer lives, e produzir conteúdos diários, com o propósito de dar suporte emocional e entreter as pessoas em um momento tão trágico da nossa história.

O Brasil é um dos maiores mercados de influência do mundo, e as dancinhas e challenges bombaram em meio ao distanciamento social imposto pela pandemia. “Os lugares que frequentávamos se tornaram rapidamente lugares virtuais já que no mundo físico a circulação foi restrita” comentou Deyvid.

Hoje plataformas como Tiktok e Instagram são responsáveis por viralizar músicas que rapidamente se tornam as mais vendidas. Isso não acontece por acaso, pois a indústria musical investe tanto em vídeos com coreografias, para que esses clipes gerem engajamento. “As danças são maneiras divertidas de socializar e são modos positivos de se exercitar. Por outro lado, percebemos que as famosas “selfies”, estão sendo substituídos pelo conteúdo em vídeo”

As empresas têm investido fortemente para expandir sua operação na América Latina, especialmente no Brasil. É quase impossível acessar a internet e não ser impactado por um dos anúncios da companhia. De acordo com a insider intelligence (empresa de pesquisa de mercado baseada em assinatura), o resultado já se apresenta com um crescimento acelerado de usuários, que já passam de 39 milhões somente no Brasil.

Insegurança Virtual

Mesmo com todo engajamento gerado e sociabilidade criada, sempre é bom lembrar que a tecnologia nos surpreender a cada dia. Alguns usuários podem utilizar suas contas para gerar entretenimento, conteúdo educativo, informação, há também o modo como a internet pode dar vazão a violências, discursos que segregam e inferiorizam outras pessoas.

“Estar sempre ligado a internet pode ser um risco, pois o virtual torna o ser humano algo mais vulnerável, e ao mesmo tempo da autonomia pra ser quem ele quiser num ambiente que não representa sua verdadeira personalidade”, afirma a psicóloga.

Pensando em vivência social, sempre existiram os pros e contras dessa tecnologia e desses aplicativos virais. “Não há uma escolha entre bom e ruim quando já vivemos essa realidade e ela não irá embora tão cedo”, comenta, “O que precisamos é discutir quais os melhores usos e como essas empresas responsáveis pelas redes sociais e aplicativos podem desenvolver e moderar seus algoritmos para colaborar para esse objetivo” conclui Deyvid.

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