Dia da Consciência Negra: 5 livros para abordar diversidade racial com crianças e adolescentes

Postado em: 28-11-2021 às 12h30
Por: Giovana Andrade
Obras trazem elementos da cultura afro e falam sobre questões raciais de forma lúdica. | Foto: Reprodução

O Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado no dia 20 de novembro, data escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Um dos maiores líderes negros do Brasil, ele lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. É uma data importante, pois traz à luz questões relevantes e que precisam ser discutidas recorrentemente, como o racismo e a desigualdade da sociedade brasileira.

Além de valorizar a cultura negra, instigar o debate sobre questões raciais e promover representatividade, os livros a seguir são ideais para abordar a temática para crianças e jovens de forma lúdica. Reunindo autores renomados e obras contempladas com premiações, a seleção vai desde histórias para leitores iniciantes, de 4 a 5 anos, até leitores autônomos, a partir dos 10 anos.

Benedito

Assim como todos os bebês, Benedito vai descobrindo o mundo por meio de todos os sentidos. A partir das texturas, dos sons, das imagens, dos aromas, dos sabores e, principalmente, das interações afetivas com adultos e crianças, eles vão – pouco a pouco – construindo seus conhecimentos sobre a realidade que os cerca. Bendito, por exemplo, descobre a batida do tambor do Congado e, à medida que experimenta, se apropria da cultura e desta memória ancestral. Nesse livro-imagem, Josias Marinho apresenta as descobertas de Benedito sobre pertencimento, cultura e identidade.

No dia 24/11, das 9h30 às 10h45, o autor Josias Marinho participa da live “Ciranda dos Autores”, um bate-papo organizado pela Flipinha 2021, programa educativo da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Com o tema central da programação abordando identidades, saberes e cosmogonias dos povos originários e comunidades tradicionais, o autor irá falar sobre a ancestralidade e manutenção do saber que vem da cultura negra e que está presente em “Benedito”. A conversa será transmitida ao vivo pelos canais do festival.

Princesa Arabela e um museu só pra ela

A princesa Arabela e seus amigos vão ao Museu Arabela, onde encontram obras impressionantes. Mylo Freeman, escritora e ilustradora holandesa, leva Arabela e seus leitores a um passeio por obras de arte clássicas e contemporâneas, tão fascinantes para as crianças quanto são para os adultos.

A história faz parte da coleção Giramundo, que reúne autores e ilustradores de várias partes do mundo, concebidas para crianças pequenas, e abordam de forma delicada questões importantes como amizade, respeito às diferenças e equilíbrio emocional, acompanhadas de belas ilustrações.

Princesa Arabela vira irmã mais velha

A princesa Arabela brinca sozinha quase o tempo todo. Ela ia gostar de ter um irmãozinho ou uma irmãzinha para ter com quem brincar. Até que um dia Arabela recebe uma surpresa dos pais. Uma história divertida sobre escolhas que não são escolhas e sobre pequenas chateações que também podem ser alegrias. Mais um livro escrito pela holandesa Mylo Freeman, que vive a vida criando ilustrações para revistas e livros infantis.

Batalha!

A obra conta as histórias de dois jovens periféricos engajados com a cultura hip-hop, o slam e os desafios da adolescência. Ao longo dos capítulos, o leitor é envolvido pelo cotidiano da crew, composta por grafiteiros, MCs, b-girls e DJs, e pela batalha contra o racismo, a opressão policial e a desigualdade social, pois é colocado em contato com a organização de festas de rua, o intercâmbio entre diferentes bairros, o amadurecimento artístico e pessoal de cada personagem, as relações com a comunidade, a repressão policial e o perigo iminente do tráfico.

O livro foi escrito por Tânia Alexandre Martinelli, autora de mais de quarenta títulos publicados e ganhadora do selo Distinção do Prêmio Cátedra Unesco de Leitura, da PUC-Rio, e o de Melhor Livro Juvenil da Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil; e por Valdir Bernardes Jr., ativista do movimento hip-hop há mais de vinte anos, que assina produções de rappers locais e nacionais, além de desenvolver e apoiar ações sociais e culturais, como arte educador, nas comunidades de Florianópolis.

Quarto de Despejo: diário de uma favelada

“Gosto de manusear um livro. O livro é a melhor invenção do homem”. A frase da autora Carolina Maria de Jesus está presente no clássico brasileiro Quarto de Despejo: diário de uma favelada, que em 2020 completou 60 anos. A partir de registros pessoais de sua autora, Carolina Maria de Jesus, que narra seu cotidiano cercado por miséria, violência e fome, o livro contempla sua perspectiva sobre as desigualdades de classe, gênero e raça, advinda do dia a dia como catadora de papel na favela do Canindé, em São Paulo. 

Seu olhar único é o responsável por desnudar as raízes do preconceito e da injustiça social no Brasil. Por isso, mesmo sendo escrito na década de 1950, a obra nunca perde sua atualidade e adiciona riqueza e humanidade a temas de extrema relevância, enquanto expõe o processo de auto-estruturação de comunidades periféricas.

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