A região francesa da Alsácia e seus vinhos

Postado em: 25-11-2021 às 08h47
Por: Redação
Alsácia é uma região marcada pela forte influência alemã. Devido à sua localização geográfica, foi alvo de muita disputa entre a França e a Alemanha

Por Edna Gomes

A Alsácia está situada na região nordeste da França, entre as margens do Rio Reno – na fronteira com a Alemanha – e a cordilheira de Vosges. Ela é uma das regiões mais peculiares da França, tendo sido considerada, ao longo de sua história, por vezes como território alemão, por vezes como território francês. Como se não bastassem os deliciosos vinhos ali produzidos, os vilarejos alsacianos são de tirar o fôlego, aliando charme e uma forte identidade cultural.

Alsácia é uma região marcada pela forte influência alemã. Devido à sua localização geográfica, foi alvo de muita disputa entre a França e a Alemanha, por isso a arquitetura local se parece tanto com a do país vizinho.

Antigamente, a região pertencia ao Sacro Império-Germânico e ficou sob a administração da Áustria até o ano de 1648, quando foi cedida à França no final da Guerra dos Trinta Anos. No entanto, a maioria da população era de origem germânica e se recusava a aprender a língua e os costumes franceses. Alsácia e Lorena voltaram a fazer parte da nação germânica após a Guerra Franco-Prussiana, em 1870.

A Alsácia permaneceu parte da Alemanha até o final da Primeira Guerra Mundial, quando o país deu de volta à França no Tratado de Versalhes, mas não demorou muito para que o local voltasse a pertencer à Alemanha. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi novamente tomada pela Alemanha nazista e só voltou a fazer parte da França no final da guerra, em 1945.

Graças à sua história, Alsácia ainda carrega muitos elementos da cultura germânica. As construções e a paisagem da região se parecem muito com o interior do país, no entanto, os costumes e a língua francesa prevaleceram, e é por isso que a tradição da vinicultura não se perdeu ao longo dos anos.

Diante de tantos conflitos ao longo dos séculos, houve algo na Alsácia que sempre esteve acima das disputas franco-germânicas: o seu vinho. Em especial, o branco, tão famoso e aclamado mundialmente. Quando alguém fala em Riesling e Gewürztraminer, a primeira associação que se faz é com essa maravilhosa província francesa.

Região produtora de vinhos da Alsácia se estende por 110 quilômetros desde a cidade de Thann, perto da fronteira suíça, até Marlenheim, ao norte, próximo de Estrasburgo. A zona vitivinícola se divide em duas, Alto Reno e Baixo Reno. Percorrer a “Rota do Vinho”, que corta todo o território, e visitar suas encantadoras cidades medievais e seus vinhedos realmente vale a pena. É imprescindível passar por Colmar, Turkheim, Riquewir, Ribeauvillé, Selestat, Obernai e, finalmente, Estrasburgo, a metrópole regional, com todos seus encantos e sua rica vida cultural e gastronômica.

Vinho alsaciano

O clima da região é continental, o que significa que os verões são quentes, e os invernos, gélidos. Ao oeste, Alsácia é protegida pela cadeia montanhosa Vosges. Ela é responsável por resguardar a região dos ventos úmidos que vêm do local. O efeito causado pelas montanhas faz com que Alsácia seja quente e ensolarada, o que contribui para o amadurecimento lento das uvas.

A variedade de microclimas e de solos presentes é grande. Calcário, granito, arenito, argila e xisto são apenas alguns dos vários tipos de terrenos que podem ser encontrados sós ou mesclados, formando um mosaico interessante para o plantio.

O conceito de terroir em Alsácia é tão levado a sério quanto em Borgonha. O resultado é composto de vinhos brancos, em sua maioria, e varietais. Embora a região faz fronteira com a Alemanha e tenha sofrido grande influência da cultura germânica, como dito, os vinhos alsacianos são completamente diferentes dos alemães.As castas brancas dominam a Alsácia. Apenas 8% dos vinhos são tintos ou rosés (geralmente para consumo local) e os restantes 92% são utilizados na elaboração de vinhos brancos tranquilos e espumantes. Veja quais são as principais uvas da localidade:

  • Riesling: é a casta com o maior potencial da região. Os vinhos mais simples podem ser degustados ainda jovens, e os mais complexos precisam evoluir por 10 anos ou mais. Eles podem variar entre doces e secos;
  • Gewürztraminer: outra casta que se adaptou muito bem à Alsácia. O grande diferencial dessas uvas é que os vinhos se tornam mais aromáticos, de modo que lembram lichia e rosas. Com elas, é possível produzir vinhos secos, meio doces ou doces;
  • Pinot Gris: são usadas na produção de vinhos secos, encorpados e bastante aromáticos, que envelhecem bem;
  • Muscat: é a principal casta para a produção de vinhos leves e que devem ser tomados jovens. Eles são extremamente aromáticos e secos.

A região da Alsácia também produz alguns bons Pinot Noir e, no caso de alguns produtores, fantásticos vinhos de sobremesa, além do reputado espumante Crémant d’Alsace.  A Alsácia possui hoje uma forte identidade cultural, às vezes francesa, às vezes alemã, o que torna a visita a essa belíssima região, arduamente reconstruída depois da destruição da II Guerra, uma experiência extremamente rica e curiosa.

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