A moda no novo normal

Postado em: 18-04-2021 às 15h35
Confira a crônica escrita por Jordana Ayres, estudante de jornalismo e estagiária do jornal O Hoje | Foto: Reprodução

Jordana Ayres

Desde o início do isolamento social tivemos que nos acostumar com o home office, que traduzido para o português, significa escritório em casa. Aos que pensaram que essa nova forma de ocupação traria mais comodidade e facilidade simplesmente por não ser necessário sair de casa e pegar aquele trânsito, se depararam com uma realidade um pouco diferente.

Claro que trabalhar em casa pode ser mais confortável, porém exige de nós muita força de vontade para lidar com os afazeres sem perder o entusiasmo, principalmente na hora de se vestir. Passamos a acreditar que o pijama pode substituir tranquilamente qualquer outro tipo de roupa que costumávamos vestir para trabalhar, além disso, na pior das hipóteses, até o hábito de acordar cedo, tomar um banho e escovar os dentes foi deixado de lado. 

Esse desleixo com nós mesmos só prova o quanto a pandemia acendeu problemas que já existiam dentro de nós, incluindo a falta do autocuidado. Quando paramos de fazer as coisas que sempre estiveram presente na nossa rotina e são responsáveis por nos dar a sensação de bem-estar, ficamos findadas à desmotivação, de modo que todos os desafios que aparecem no nosso dia a dia se tornam difíceis demais de serem superados. A roupa pode e muito influenciar os nossos ânimos e renovar nossas energias; quando trocamos o pijama por uma calça jeans e uma blusa mais confortável, passamos um batom e nos sentamos à frente do computador ao invés de ficarmos debruçada sobre a cama durante 24 horas por dia, experimentamos, imediatamente, uma renovação dos nossos ânimos.

Além do mais, não são só as roupas que precisam estar alinhadas, mas também o ambiente em que estamos trabalhando ou estudando. Quando trabalhamos no mesmo lugar onde comemos, onde praticamos atividades de lazer ou até onde dormimos, nosso subconsciente não “ativa” o modo trabalho, ocasionando uma queda de rendimento e produtividade. Eu já pude constatar que os dias em que eu decido me arrumar e organizar o meu ambiente de estudos são bem mais produtivos do que os dias que eu opto por fazer tudo dentro do quarto, com as luzes desligadas e as cortinas puxadas. 

 Quanto mais tempo ficamos sem nos arrumar, mais nos acostumamos a este novo normal que nos leva a estar sempre dentro da zona de conforto, sem sair do lugar. Se não optarmos por sermos nossas próprias incentivadoras nos períodos de crise, dificilmente conseguiremos sair delas com lições que foram aprendidas e forjaram o nosso caráter de alguma forma.


Por: Carlos Nathan Sampaio
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