Terça-feira, 07 de fevereiro de 2023

Núcleo da Terra desacelerou; cientistas analisam os impactos

Cientistas observaram a vibração de diferentes terremotos nas últimas seis décadas e propuseram nova teoria a respeito do movimento do núcleo da Terra

Postado em: 25-01-2023 às 17h15
Por: Maria Gabriela Pimenta
Os estudos à respeito do núcleo são difíceis de serem realizados e não é possível saber com exatidão o que acontece lá | Foto: iStock

Em estudo realizado a partir de dados de terremotos, os pesquisadores Yi Yang e Xiaodong Song, sismólogos da Universidade de Pequim, constataram que o núcleo da Terra desacelerou o ritmo e parou de girar mais rápido do que o movimento de rotação do próprio planeta. Poderia até estar girando na direção contrária à da superfície.

Os autores observam este fenômeno desde 1995 e o resultado da pesquisa, publicado na revista científica Nature Geoscience na última segunda-feira (23/1), os surpreendeu.

O resultado obtido não é o prenúncio do fim do mundo, mas pode influenciar a velocidade de rotação da Terra, causar alteração na duração dos dias e alterar o comportamento magnético. Estas consequências são apenas hipóteses, que poderão ser confirmadas por meio de mais estudos sobre o fenômeno.

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O Núcleo da Terra

Há décadas, cientistas da área buscam compreender como o núcleo da Terra gira. O núcleo é uma esfera de ferro e níquel com um raio de 1.221 km e temperatura interna de 5.400 °C. Ele é rodeado por uma espessa camada de metais líquidos conhecida como núcleo externo. Como ele flutua em uma espessa camada de líquido, ele pode girar de forma independente da superfície. Por isso, já foi chamado de “planeta dentro de um planeta“.

“Percebemos evidências contundentes de que o núcleo da Terra tem girado mais rápido do que a superfície, mas por volta de 2009 isso parou”, diz o geofísico Xiaodong Song.

Os estudos à respeito do núcleo são difíceis de serem realizados e não é possível saber com exatidão o que acontece lá, pois ele está localizado a mais de 5 mil km abaixo do solo. As informações que existem até hoje são obtidas através da medição de pequenas diferenças nas ondas sísmicas geradas por terremotos e explosões nucleares.

Os autores do estudo analisaram o comportamento de diferentes terremotos nas últimas seis décadas e defendem que “o núcleo interno gira de um lado para o outro como se fosse um balanço”. Ainda, a teoria demonstra que este movimento acontece em ciclos que duram cerca 70 anos, com mudança no sentido da rotação a cada 35 anos. Ou seja, isso não é um fenômeno novo. A última alteração aconteceu na década de 1970 e a próxima deverá acontecer em 2040.

Conclusão

Yang e Song esperam que suas descobertas “motivem os pesquisadores a construir modelos experimentais que tratem a Terra como um sistema dinâmico integrado”. No entanto, há especialistas que se mostram céticos a respeito deste estudo, pelo fato de existir outras teorias sobre o assunto e o núcleo da Terra ainda ser um mistério.

Um dos grandes desafios é conciliar a descoberta da desaceleração do núcleo com outros estudos que projetam mudanças mais rápidas.

John Vidale, um sismólogo da University of Southern California, publicou uma pesquisa no ano passado indicando que o núcleo da Terra oscila de direção em um ritmo muito maior — a cada seis anos ou mais.

Hrvoje Tkalcic, geofísico da Australian National University, publicou uma pesquisa em 2017, na Cambridge University Press, sugerindo que os ciclos de rotação do núcleo da Terra duram entre 20 ou 30 anos, ao invés de 70.

Tendo em vista a divergência entre os modelos, Vidale aguarda “mais surpresas” em relação ao núcleo da Terra.

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