quinta-feira, 25 de junho de 2026
Desafiando a morte

A busca dos super ricos pela imortalidade financeira

Bilionários investem milhões para driblar a morte e manter suas fortunas por toda a eternidade

Cecília Epifâniopor Cecília Epifânio em 29 de janeiro de 2024
A man and a woman in cryogenic capsules. Hibernation chambers for sleeping. Futuristic polygonal design of interconnected lines and dots. Blue background.
A man and a woman in cryogenic capsules. Hibernation chambers for sleeping. Futuristic polygonal design of interconnected lines and dots. Blue background.

Numa trama que parece saída de um livro de ficção científica, alguns super ricos estão desafiando a morte de uma maneira peculiar: congelando seus próprios corpos na esperança de serem ressuscitados quando a ciência alcançar esse feito extraordinário. Esse processo é conhecido como criogenia, uma alternativa à tradicional sepultura ou cremação, onde o corpo é congelado e preservado com produtos químicos.

O que torna essa prática ainda mais intrigante é o motivo por trás dela. Alguns bilionários estão aderindo à criogenia não apenas na busca da imortalidade pessoal, mas também com a esperança de manterem suas fortunas indefinidamente, sem precisar transferi-las para herdeiros ou familiares.

Nos Estados Unidos, onde a prática ganha notoriedade, o dinheiro de alguém falecido pode ser mantido em um fundo por até 90 anos. No entanto, os “candidatos a imortais” estão investindo ativamente para mudar a legislação e assegurar que suas fortunas permaneçam guardadas para sempre, em um gesto de ousadia e confiança no progresso futuro da ciência.

Mas como funciona esse processo de criogenia? Os corpos são colocados em tanques preenchidos com nitrogênio líquido, mantidos a uma temperatura incrivelmente baixa de -196 °C, menos do que a Antártida. Esses tanques custam, no mínimo, mais de R$ 1 milhão para serem mantidos indefinidamente. Vale ressaltar que até o momento, ninguém que passou por esse processo retornou à vida. A escolha de se submeter à criogenia é movida pela esperança de que a ciência evolua ao ponto de tornar possível a ressurreição.

A empresa americana de criogenia Alcor, fundada em 1967, é uma das pioneiras nesse campo. Atualmente, ela mantém 225 corpos congelados, além de ter mais de mil pessoas que já pagaram para passarem pelo processo após a morte. O cenário da criogenia revela uma perspectiva única sobre como os super ricos estão dispostos a investir milhões na tentativa de transcender as barreiras da mortalidade e manter um controle eterno sobre suas riquezas. Enquanto a ciência busca avançar, esses “pioneiros” da criogenia aguardam, congelados no tempo, pela possibilidade de um renascimento ainda inexplorado.

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