Desemprego atinge marca histórica

Postado em: 21-04-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
População desocupada cresceu mais de 40% em um ano e já soma mais de 10 milhões de pessoas no País

A taxa de desemprego no país acelerou mais uma vez e ficou em 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o pior da série iniciada em 2012. A população desocupada totalizou 10,4 milhões no período e cresceu mais de 40% em um ano.

No trimestre encerrado em novembro, que serve de base para comparação, a taxa foi de 9%. Analistas consultados pela Bloomberg estimavam que o resultado de dezembro a fevereiro ficaria em 10,1%.

A população desocupada, que ultrapassou as 10 milhões de pessoas, cresceu 13,8% (mais 1,3 milhão pessoas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e subiu 40,1% ou mais mais 3 milhões de pessoas em um ano. A entrada deste contingente na fila do desemprego, em um ano, é a maior adição já registrada na pesquisa, nessa comparação. E é a primeira vez que este grupo atingiu os dois dígitos (10,4 milhões). Este número do IBGE contradiz a afirmação feita na véspera pela presidente Dilma Rousseff, negando que o país tenha 10 milhões de desempregados.

Já a população ocupada, estimada em 91,1 milhões de pessoas, apresentou redução de 1,1%, quando comparada com o trimestre de setembro a novembro de 2015 ou menos 1 milhão de pessoas). Em comparação com igual trimestre de 2015, foi registrada queda de 1,3% ou menos 1,2 milhão de pessoas.

Efeito sazonal

“Existe um componente sazonal forte atuando sobre este trimestre analisado, que são as dispensas de trabalhadores temporários nos meses de janeiro e fevereiro. O que temos de analisar é a intensidade com que isso ocorreu. Então, esse aumento era esperado, mas o quanto avançou foi bastante expressivo, o que mostra que além da dispensa dos temporários houve desligamentos de pessoas efetivamente empregadas”, explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, lembrando que, em anos anteriores, na comparação anual entre os trimestres encerrados em fevereiro, em 2014 houve queda de 11,6% no grupo de desempregados e em 2015 aumento de 11,7%, dois dados bem inferiores ao aumento de 40% registrado em 2016.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado caiu 1,5% frente ao trimestre de setembro a novembro de 2015, menos 527 mil pessoas. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a redução foi de 3,8% ou menos 1,4 milhão de pessoas.

O número de empregados no setor privado, com e sem carteira assinada, atingiu seu nível mais baixo desde o início da pesquisa, em 2012. No trimestre encerrado em fevereiro, esse grupo representava apenas 48,9% da população ocupada. Há um ano, o setor privado empregava mais da metade da população ocupada (50,3%). (Agência O Globo)

 Dados são preocupantes, diz analista

 Segundo Azeredo, esses dados preocupam: “Você tem uma indústria menor, e ela sendo um dos setores mais organizados, que mais emprega com carteira e influencia diretamente outros setores, preocupa”, afirma Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

“O rendimento caiu ao nível do início de 2013 e representa uma queda bastante expressiva no que diz respeito ao poder de compra das famílias. Consequentemente caiu a massa total de dinheiro circulando no país, pois além de cair a renda caiu o número de pessoas empregadas”, analisa Azeredo.

Por posição na ocupação, frente ao trimestre de setembro a novembro de 2015, subiram os rendimentos médios dos trabalhadores domésticos (1,8%). Com relação ao ano anterior, verificou-se redução no rendimento médio da categoria dos trabalhadores por conta própria (-5,6%) e empregador (-9,2%). Nas demais categorias, houve estabilidade nos rendimentos, informou o IBGE.

Setores

Por posição na ocupação, o número de empregados no setor privado com carteira assinada caiu 1,5% frente ao trimestre de setembro a novembro de 2015 ou menos 527 mil pessoas. Na comparação com igual trimestre do ano passado, a redução foi de 3,8%, menos 1,4 milhão de pessoas.

A categoria dos empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada recuou 3,8% (-382 mil pessoas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e 4,8% ou menos 493 mil pessoas, quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior.

A participação de empregadores apresentou redução de 5,8% (-233 mil pessoas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 imediatamente anterior. Em relação ao mesmo trimestre de 2015, caiu 5,4% (-215 mil pessoas). (AG) 

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