Dia dos namorados será celebrado com economia

Com a queda de 17% esperada para o varejo na data mais apaixonada do ano, casais buscam outras formas de comemorar o Dia dos Namorados

Postado em: 07-06-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Com a queda de 17% esperada para o varejo na data mais apaixonada do ano, casais buscam outras formas de comemorar o Dia dos Namorados

Assim como no último feriado forte para o comércio, o Dia das Mães, a expectativa para o Dia dos Namorados deste ano é que o consumidor brasileiro evite gastos, procure presentes mais baratos ou ainda novas maneiras de comemorar. Segundo pesquisa de uma entidade empresarial, as vendas de produtos para a data devem sofrer um tombo de 17% em comparação com o ano passado.

O valor do presente também deve ficar mais barato, entre R$ 137 e R$ 150. O que representa uma queda de R$ 16,84 no ticket médio de 2015. O recuo na intenção de compra é mais um sinal da cautela do consumidor. Considerando o fraco desempenho das outras datas comemorativas ao longo de 2015 e no início de 2016, a expectativa dos lojistas é baixa.

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A correção acima da inflação nos preços dos produtos mais consumidos na data e a dificuldade de acesso ao crédito deverá fazer o varejo registrar o pior resultado dos últimos 12 anos. “Não estamos com grandes expectativas esse ano. As vendas estão fracas”, comenta a proprietária de uma loja de perfumaria do Centro de Goiânia, Vanusa Da Mata. A microempresária afirma que precisou antecipar as ações promocionais para tentar fechar a data no azul.

A piora das condições econômicas no Brasil, como o aumento do desemprego, da inadimplência e o crédito mais restrito, tem exercido forte impacto sobre o consumidor, que acaba sendo obrigado a limitar e rever seus gastos para salvar as finanças. “O momento não está propício para gastos ou endividamento”, comenta a gerente de relacionamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL – Goiânia), Dina Marta Correia Batista.

Nome sujo

A especialista da CDL comenta que não compensa assumir uma dívida e ter dificuldades para pagar depois. Do total de pessoas que vão presentear neste ano, 31,4% estão com o nome sujo. Em relação ao ano passado, as compras no Dia dos Namorados deixaram um em cada dez entrevistados com o nome inscrito em algum cadastro de inadimplentes. 

O casal Diogo Loiola e Leydiane Alves pretendem engrossam a lista dos que não vão trocar presentes esse ano. Mas a data não vai passar em branco. Os dois querem celebrar o amor com uma viagem. “Queremos comemorar de uma maneira mais significativa, mas o fator crise e os aumentos dos preços dos produtos esse ano claro que pesaram também”, comenta a moça.

A necessidade de economizar é a principal justificativa para diminuir o consumo, citada por 19,2% dos entrevistados. Os presentes deverão estar concentrados em artigos do vestuário e calçados, perfumaria e cosméticos, além de outros artigos de uso pessoal. Os produtos mais baratos devem ganhar a preferência dos namorados. Os itens mais atrativos estão no grupo de vestuário, calçados e acessórios, porque tiveram queda de preço ou alta inferior à inflação do período.

 Nem o jantar romântico escapa de corte

Apesar da atratividade, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta queda nas principais atividades relacionadas ao Dia dos Namorados. A de vestuários e de calçados deverão encolher em 8,7%. O ramo de informática e comunicação, 10,5%. Conforme a entidade, as expressivas médias de retração para esses segmentos estão ligadas ao difícil acesso ao crédito nos últimos meses.

Segundo a CNC, dos 25 bens e serviços mais consumidos no Dia dos Namorados, sete tiveram reajuste significante, acima do IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses, de 9,6%. Os destaques são os motéis (+21,5%), máquinas fotográficas (+15,7%) e chocolates (+13,8%).

Ainda segundo a entidade, os casais que gostam de comemorar a data com jantar, cinema e outras atrações terão que desembolsar um valor maior neste ano. Segundo dados do Índice de Preços de Serviços (IPS), comer fora de casa está, em média, 10% mais caro do que no ano passado.

Mesmo o cinema, um programa mais em conta para quem está com o orçamento apertado, apresentou alta acima da inflação no período (+11,25%). Esses fatores devem influenciar para que a comemoração da data seja feita principalmente em casa. Essa opção deve ser adotada por quase metade das pessoas, 49,3%. “Não fazemos questão de trocar presentes esse ano. Vamos comemorar com um jantar íntimo, provavelmente em casa mesmo. O momento não está para gastos”, observa a cerimonialista, Marisa dos Santos. (R.C.)

  

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