Queda no PIB da construção civil frusta setor

Postado em: 05-06-2021 às 12h32
Por: Pedro Jordan
A estimativa para o PIB do setor em 2021 caiu de 4% para 2,5% | Foto: reprodução

Os bons resultados alcançados pela indústria da construção no segundo semestre de 2020 não se mantiveram no 1º trimestre deste ano. De janeiro a março de 2021, o índice que mede a situação financeira das empresas do setor recuou 5,3 pontos em relação ao último trimestre de 2020, caindo de 47,2 para 41,9 (número abaixo de sua média histórica, de 44 pontos). O índice é da Sondagem Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

As informações fazem parte do estudo Desempenho Econômico da Indústria da Construção do 1º trimestre de 2021, realizado pela CBIC e apresentado durante evento online no dia (29/04).

De acordo com o estudo da CBIC e com os dados da CNI, o nível de atividade da construção começou a perder intensidade a partir do último mês de dezembro e o setor encerrou o 1º trimestre de 2021 em queda. O indicador de atividade em março deste ano foi de 44,9 pontos, 6,5 pontos abaixo do observado em agosto de 2020, quando a construção começou a fortalecer o seu ritmo após a queda observada nos dois primeiros meses da pandemia.

Com isso, os resultados mais positivos observados no período de agosto a novembro de 2020 não se sustentaram. Em março de 2021, o setor registrou o menor patamar de atividades desde junho de 2020.

Pelo segundo trimestre consecutivo, os empresários da construção apontam que o maior problema que eles enfrentam é a falta ou o alto custo da matéria-prima. No 1º trimestre de 2021, essa foi a dificuldade assinalada por 57,1% deles.

De uma forma geral, os números comprovam que o setor retornou para os mesmos patamares de julho do ano passado, quando ainda não havia uma completa percepção de que o mercado imobiliário teria excelentes resultados no segundo semestre de 2020. “A retomada veio em V, mas hoje não temos suprimento necessário para atender à demanda. Por isso estamos defendendo trabalhar com o mercado exterior, ao menos para suprir essa carência atual”, disse o presidente da CBIC, José Carlos Martins.

Falta de previsibilidade

O setor imobiliário encerrou 2020 com uma queda de 17,8% no número de lançamentos, na comparação com 2019. No mesmo período, o número de imóveis novos vendidos subiu 9,8%.

Com esses resultados, mais a redução de 12,3% na oferta final de imóveis novos, a percepção era de que em 2021 os novos lançamentos apresentariam forte expansão. Porém agora existem dúvidas se isso realmente acontecerá, em função do desabastecimento e do aumento dos preços dos insumos, que provocam incertezas sobre o futuro.

Para o vice-presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, esses fatores prejudicam bastante o planejamento das empresas. “Com isso, o mercado imobiliário começa a adiar lançamentos de forma a entender melhor como vão se comportar seus custos. Isso, naturalmente, atrasa os investimentos e diminui a atividade econômica do setor”, disse.

O INCC-Materiais e Equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que a alta de preços acumulada no período de 12 meses encerrados em março deste ano (28,13%) é a maior para o período desde que o índice começou a ser disponibilizado, em 1998.

Expectativas e projeções

De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, os empresários do setor ainda possuem expectativas positivas para as suas atividades nos próximos seis meses. No entanto, as perspectivas otimistas vêm perdendo intensidade desde janeiro e hoje estão no menor patamar desde julho do ano passado.

A indústria da construção iniciou o ano com expectativa de crescer 4% em 2021, o que corresponderia à sua maior alta desde 2013. Com o cenário imposto pela falta de insumos, a estimativa do setor foi alterada para 2,5%.

Marcelo Souza Azevedo, economista da CNI, diz que a expectativa da Confederação, da CBIC e dos próprios empresários, era de que haveria uma normalização no mercado de insumos na virada de 2020 para 2021, o que não ocorreu. “Nossas pesquisas têm demonstrado que a expectativa dos empresários sobre a resolução desse problema está sendo sucessivamente adiada”, disse. Para o economista, essa frustração também ajuda a explicar a revisão do PIB do setor para baixo.

Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, esse número ainda pode ser considerado otimista. Além do problema que o setor enfrenta com a questão da falta de materiais e do aumento de preços, ela diz que é preciso considerar as preocupações com a instabilidade macroeconômica, a desvalorização cambial, a inflação elevada, o avanço da pandemia e a vacinação ainda em ritmo lento. “Também não se pode deixar de ressaltar que o menor ritmo da construção civil significa muito mais do que impacto econômico, significa impacto social”, disse.

De acordo com a CBIC, caso se confirme a paralisação das obras da faixa 1 do Casa Verde e Amarela, em função do corte nas verbas destinadas ao programa no Orçamento de 2021, essa projeção para o PIB poderá ser ainda mais reduzida.

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