Atenção a demandas gera oportunidade de negócios

Com planejamento e atenção ao mercado, é possível que o comércio cresça e sobreviva no futuro

Postado em: 28-08-2021 às 13h00
Por: Victor Gabler
Com planejamento e atenção ao mercado, é possível que o comércio cresça e sobreviva no futuro | Foto: Reprodução

Desde o início da pandemia da Covid-19, em março do ano passado, empreender se tornou uma necessidade para milhões de brasileiros que enfrentam o desemprego e buscam uma fonte de renda. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, realizada no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), a taxa de empreendedorismo por necessidade saltou de 37,5% para 50,4%, o mesmo nível de 18 anos atrás. Com a crise financeira, 82% dos novos empreendedores alegaram que foram motivados pela carência de emprego.

A notícia animadora para esses empreendedores é que a necessidade de empreender pode se transformar em uma grande oportunidade, desde façam um bom planejamento e fiquem atentos ao que o mercado deseja. “Não é porque um negócio nasceu da necessidade do empreendedor em ter uma renda que ele não pode transformar essa situação em oportunidade. Com preparo e inovação, é possível que esses pequenos negócios cresçam no futuro e sobrevivam, desde que sigam alguns passos importantes”, comenta o gerente de Competitividade do Sebrae, Cesar Rissete.

De acordo com o gerente, um dos conselhos dados a esse público é que as pessoas empreendam em uma área em que já tenham habilidade e conhecimento ou fiquem atentas às necessidades de mercado que possam ser atendidas por um novo serviço ou produto. “Antes de abrir uma empresa, pense e observe. A boa tomada de decisões necessita de reflexões. Retire um ou mais dias de observações e reflexões antes de iniciar. Empreender requer observação e esse um dia de reflexão pode salvar uma empresa”, pontua Rissete.

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Outra recomendação fornecida pelo gestor é que a crise causada pela pandemia do coronavírus exige dos potenciais empreendedores ou daqueles que já possuem um pequeno negócio, uma atenção redobrada sobre pontos importantes na gestão, principalmente no que diz respeito ao planejamento financeiro. “Um bom planejamento faz parte da rotina de qualquer empreendedor que almeja o sucesso da sua empresa. Sabemos que em cenários de crise há muitas incertezas e que apesar de não conseguir eliminar todos os riscos, é possível mitigá-los”, comenta.

Cesar Rissete frisa que é importante que o empresário elabore um planejamento adequado antes de iniciar a atividade do seu negócio. Além de pesquisar o mercado, conforme o gerente do Sebrae, é interessante que se busque auxílio de ferramentas, como o modelo Canvas, neste primeiro momento. Outro ponto que deve ser levado em conta é a definição do público-alvo, ou seja, para quem sua empresa irá vender. Isso é determinante para o sucesso do negócio. É preciso entender – com o máximo de detalhes – com quais nichos a empresa pretende dialogar. “Quanto mais específico for seu público, maiores serão as chances de conseguir atingi-lo e ter uma melhor aceitação do seu produto ou serviço”, conta o gerente de competitividade.

Expansão

Micro e pequenos empreendedores do setor de serviços esperam aumentar as contratações nos próximos três meses. De acordo com a Sondagem Econômica das Micro e Pequenas, feita pelo Sebrae e a Fundação Getulio Vargas (FGV), 17,3% dos empreendedores acreditam que aumentarão o quadro de pessoal nos próximos três meses. Esse é o melhor resultado desde outubro de 2013.

A pesquisa também mostrou que, pelo quarto mês consecutivo, o Índice de Confiança das Micro e Pequenas Empresas de Serviços (MPE-Serviços) subiu 4,1 pontos, em julho, e atingiu 96,3 pontos, o maior nível desde janeiro de 2020 (96,8 pontos). De acordo com o Sebrae, a expectativa de geração de emprego e a recuperação da confiança do setor de serviço, um dos mais afetados pela pandemia de covid-19, ocorrem devido ao avanço da vacinação e a redução dos casos da doença no país.

Segmentos

O resultado do setor apresenta diferenças por segmentos, e a maior contribuição positiva veio dos serviços prestados às famílias. A confiança das empresas prestadoras de serviços profissionais e demais serviços também cresceu. Apesar disso, serviços de transporte e de informação e comunicação recuaram 3,5 pontos e 2,4 pontos, respectivamente.

Segundo o Sebrae, os serviços de informação e comunicação estão entre os poucos que haviam se beneficiado durante a pandemia e agora estão arrefecendo. Os serviços de transportes ainda oscilam, já que a circulação de pessoas para o trabalho e para as escolas, por exemplo, ainda não retornou à situação do período pré-pandemia. (Especial para O Hoje)

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