Cross Border: tendência da China ganha o Brasil

Empreendedores já montam seus próprios negócios com os produtos adquiridos nestas plataformas

Postado em: 04-12-2021 às 13h00
Por: Carlos Nathan Sampaio
Empreendedores já montam seus próprios negócios com os produtos adquiridos nestas plataformas | Foto: Reprodução

O continente asiático é um dos maiores pólos de inovação do planeta. E quando falamos de e-commerce, a China desponta como principal referência, mantendo com sucesso a liderança global em vendas online e exportando tendências para o comércio eletrônico no mundo todo. Uma delas é o cross border, também conhecido como “comércio transfronteiriço” e que se baseia na compra e venda de produtos internacionais por meio de marketplaces, como Aliexpress, Shopee, Amazon, E-bay, Mercado Livre e Shein. 

O Cross Border cresceu 76% em receita no Brasil em 2020, segundo pesquisa da Ebit | Nielsen, gerando R$ 22,7 bilhões, o que representa mais de 20% do e-commerce brasileiro. De acordo com o relatório Comércio Sem Fronteiras 2021 (Borderless Commerce Report), realizado pelo PayPal, cerca de 57% dos brasileiros fizeram pelo menos uma compra internacional no último ano.

“Os consumidores brasileiros enxergam vantagens promissoras na compra de produtos dentro dos marketplaces chineses, seja o preço baixo, a variedade de produtos e até mesmo a rapidez de entrega. Foi uma solução e tanto para quem queria comprar produtos de fora, mas se deparava com as restrições de viagem impostas pela pandemia. E os marketplaces chineses souberam aproveitar o cenário favorável e investiram em serviços cada vez melhores, com atendimento em português nos portais, melhoria nas condições de frete, oferta de formas de pagamento local, entre outros aspectos”, avalia Franklin Bravos, CEO da Signa, startup que já profissionalizou mais de 500 e-commerces no Brasil. 

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Foi o que aconteceu com a empreendedora goiana Ana Costa Silva, de 40 anos. Apesar de não ter sido oficialmente profissionalizada por alguma startup, ela começou a revender produtos de e-commerce devido a alta das demandas. “Eu já comprava diversas coisas, mas eram apenas pra mim. Porém, em certo momentos amigos e conhecidos começaram a perguntar onde eu havia comprado certos produtos, pois eles não achavam em lugar nenhum. Foi quando eu tive a ideia de começar a fazer encomendas”, disse.

Ana afirmou que junto de uma amiga, elas já conseguem uma renda extra que varia de 3 a 4 mil por mês. “Ainda não temos loja física e como dividimos entre nós duas, ainda não é algo que se garante como fonte de renda principal, mas como começamos este negócio há cerca de 9 meses, durante o ápice da pandemia, acredito que o negócio irá expandir mais ainda”, garantiu a empreendedora.

Outra empresária que aposta nisso há mais tempo é a Luana Souza, de 48 anos, e já possui loja física que vende todos os produtos a R$ 10 no Setor Bueno, há 3 anos. “Antes do boom, eu já via que este negócio ia crescer, então comecei a investir minhas economias nisso. Consegui alugar um espaço pequeno mas bem localizado e fiz muitas encomendas de acordo com as demandas da minha carteira de clientes. E tem dado certo até hoje”, explicou a empreendedora que tem, como seu negócio, sua principal fonte de renda.

De olho nesse ‘boom’ de vendas dos grandes players internacionais, empresas brasileiras como Magazine Luiza, B2W e Via Varejo estão apostando no e-commerce cross border e buscam se adequar a essa tendência do mercado, investindo em novas formas de pagamento e na cadeia logística.

“As empresas brasileiras viram o potencial do cross border e buscam implantar tecnologias que as permitam atingir públicos de forma global”, explica Bravos. “No Brasil, o cross border segue em fase embrionária, mas, com o avanço da digitalização e o crescimento do e-commerce, esse cenário poderá mudar rapidamente. Certamente, será um dos principais caminhos para lucrar mais e diversificar a base de clientes em nível global”.

Fundada em 2005 na cidade de Blumenau/SC, a Signa é uma empresa de soluções digitais e uma das principais especialistas na plataforma de e-commerce Magento do Brasil. Por muitos anos, o foco da Signa foi o desenvolvimento de e-commerces em projetos sob demanda e nomes como Melissa, Rider, Ipanema, Tigre, Fiat e Brandili já fizeram parte do seu portfólio. 

Nos últimos anos, lançou o Signashop, uma solução para quem deseja ter uma loja virtual de qualidade, com um investimento justo. Além do Signashop, que atualmente é o principal produto da empresa, a Signa está em um abrangente processo de expansão. O espaço físico foi ampliado, assim como o quadro de funcionários. O leque de produtos, serviços e soluções também foi estendido.

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