Empresa prevê reajuste médio de 19% na conta de energia elétrica em 2022

Postado em: 02-12-2021 às 15h53
Por: Maria Paula Borges
Maior parte da porcentagem é consequência da seca | Foto: reprodução

Cálculos da TR Soluções, empresa de tecnologia especializada em tarifas de energia, apontam que a conta de luz deve subir em média 19%, em 2022. Deste número, 12% representam a consequência da alta de custos da geração de energia, provocada pela seca, provocando o acionamento de usinas térmicas para suprir a demanda por energia elétrica.

As usinas térmicas são mais caras, portanto, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinou a cobrança de uma taxa extra na conta de luz, chamada bandeira tarifária. Entretanto, o valor arrecadado com a bandeira não cobre os custos e, segundo a Aneel, em setembro o rombo já era de R$ 9,87 bilhões.

De acordo com a TR Soluções, até 2022, o déficit vai aumentar para R$ 17,8 bilhões, além de apontar que, em algumas regiões, a alta da conta no ano que vem pode ser superior a 30%, mas não detalhou os locais alegando questões comerciais. O jornal ‘O Estado de S. Paulo’ acessou documentos internos da Aneel que preveem aumento médio de 21,04% na conta em 2022. Assim, o reajuste acumulado na conta de luz para o consumidor residencial chega a 7%.

O rombo na conta das bandeiras começou ainda em 2020, devido a pandemia, a Aneel suspendeu a aplicação da taxa extra como medida emergencial para avaliar a conta de luz aos consumidores. Então, 2021 já começou com déficit de R$ 3,1 bilhões.

Neste ano, a agência aumentou o valor das bandeiras amarela, vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2. Essa última, que estava em vigor, aumentou 52%. Entretanto, à época, a posição da área técnica da Aneel era que o reajuste deveria ter sido maior, então, mesmo aumentando o valor, não era suficiente para cobrir os custos extras de geração.

A Aneel criou uma bandeira em agosto, a escassez hídrica, com taxa ainda mais cara, de R$ 14,20 por 100 kWh consumidos, valor em vigor atualmente. Ele representa aumento de 49,6% em relação ao anterior, de R$ 9,49 por 100 kWh.

Segundo o diretor de Regulação da TR Soluções, Helder Sousa, os valores deveriam ter sofrido reajuste maior. “O déficit começou lá atrás [em 2020], porque a bandeira não foi aplicada. Depois, os valores deveriam ter sofrido reajuste maior. Desde o início, a área técnica da Aneel falava que o valor precisava ser de R$ 15 por 100 kWh para pagar os custos, mas a diretoria resolveu aprovar um valor menor”, disse.

Os custos que não foram cobertos acabam sendo absorvidos por distribuidoras, mas chegarão ao consumidor em algum momento.

A Aneel revisa as tarifas de energia elétrica anualmente para cada concessionária e, nos cálculos, considera custos operacionais e investimentos necessários para a operação do serviço. Além disso, os reajustes acontecem em datas determinadas em cada contrato de concessão.

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