Empreendedorismo feminino: o movimento que cresce no mundo e em Goiás e não irá retroceder

Postado em: 25-12-2021 às 11h32
Por: Fernanda Santos
Mulheres conquistam cada vez mais espaços de poder no mundo e estão cada vez mais focadas em sua independência | Foto: Arquivo pessoal

O empreendedorismo feminino é um movimento que não irá retroceder, assim como outras conquistas femininas. A partir de 2018, o número de mulheres com diploma no mercado de trabalho superou o de homens, com 50% delas contra 38% deles, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nas eleições de 2020, o Brasil teve 187 mil mulheres candidatas a cargos políticos, o que, consequentemente, aumentou o número de eleitas, de acordo com informações do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Embora a luta pela conquista do espaço ainda tenha muitos percalços e uma longa estrada à frente, os homens devem se acostumar: chegou a vez delas.

O monitor do Global Entrepreneurship Monitor estima que existe atualmente, no Brasil, 30 milhões de mulheres empreendedoras. O número representa quase metade do mercado empreendedor, com 48,7%. Em Goiás, à exemplo do resto do país, cada vez mais pessoas do sexo feminino têm tomado o volante da própria vida profissional e alcançado o sucesso.

A confeiteira Adeliza Pereira dos Santos, de 32 anos, é um destaque das redes sociais. Com uma página no Instagram que cresce cada dia mais, suas publicações estão recheadas, literalmente, com as delícias que ela mesma produz na cozinha de casa. Mas quem vê sucesso não vê batalha. Adeliza conta que não foi fácil deixar a estabilidade de um emprego assalariado para seguir o sonho de ter a própria empresa.

“Eu não me via como empreendedora, mas chegou o momento em que ficou difícil viver apenas com um salário-mínimo. Sair de casa às 6h30 da manhã e chegar depois das 18h. Eu pagava as contas e, de repente, não tinha mais dinheiro. Pagava aluguel, cartão, outros gastos sempre altos… até que pensei, preciso fazer algo para vender”, lembra. 

Ela explica que desde o ensino médio fazia bolos para amigos e professores. “Pensei, sei que os bolos que faço são bons e gostosos, as pessoas gostam, o que eu preciso é treinar. Eu sabia fazer os recheios e as massas, mas precisava me aperfeiçoar na decoração”, relata. Foi quando decidiu fazer curso de confeitaria.

Ela diz que sempre trabalhou com gastronomia e que seu último emprego foi ainda em junho deste ano, em uma loja de bolos caseiros. “De lá para cá tenho vivido apenas com meu ateliê. É difícil, não é fácil empreender. Meus clientes vieram pela internet. Graças a Deus tive ajuda dos meus amigos, que indicam meu trabalho, do boca a boca, do cliente que gosta recomenda para outros. Eles fazem uma diferença muito grande. Hoje não tenho dúvidas de que não quero viver de outra coisa senão da confeitaria”, afirma. 

Ela ressalta que vive inúmeros momentos de incertezas. “Para nós, mulheres, as coisas são muito mais difíceis. Encontrei muitas dificuldades. Em vários momentos pensei em desistir. Tem dias que bate um desespero. Será que vou conseguir pagar minhas contas trabalhando apenas com confeitaria? Mas até aqui tem dado certo. Começa janeiro e tenho novos projetos de aumentar meus produtos, oferecer bolos sem glúten, sem lactose, sem açúcar, porque Goiânia precisa muito”, diz.

Já no ramo de eventos, Ana Barros fundou uma empresa que leva seu nome e revoluciona em transmitir a mensagem que de que eventos são experiências sensoriais e afetivas. 

“Há seis anos a palavra ‘empreendedorismo’ não era tão forte como hoje. A ideia de ter meu próprio negócio surgiu de uma oportunidade disfarçada. Eu trabalhava como uma produtora de eventos para uma agência que tinha muitos problemas com os pagamentos. Os fornecedores sempre me procuravam [para solucionar os problemas]. Então pensei, não quero canseira, vou começar a produzir alguns eventos. Minha intenção era de ser produtora freelancer, não de ter uma agência”, afirma.

“Não me veio a ideia de ser empreendedora, o que veio foi a paixão por produzir eventos. Produzindo veio a oportunidade de empreender. […] Acabei tendo que fazer meu próprio CNPJ para receber por um trabalho. As oportunidades vieram e assim iniciei a empresa dentro da minha casa, em um quarto, em uma mesa feita de porta e com um computador que recebi como pagamento por um trabalho que eu havia executado”, lembra.

Ela narra que alugou sua primeira sala depois que um cliente a perguntou onde ficava seu escritório e, com vergonha de dizer que trabalhava de casa, Anna procurou um local para recebê-lo. “Foi tudo muito atropelado, mas sem medo e com muita vontade”, afirma.

No entanto, ela diz que o começo foi muito pesado. “Foi o meu primeiro negócio próprio e tive muitas dificuldades. Eu sabia produzir eventos, não empreender. Mas, a cada dificuldade, uma descoberta. E, a cada descoberta, uma dificuldade. Eu nunca fui boa em administração e financeiro. Eu queria apenas produzir, eu queria exercer meu dom criativo.”

Para Ana, grande parte de seus clientes vieram de trabalhos realizados nos tempos em que atendia por outras agências, mas ela destaca que a internet é essencial para marcar presença no mercado. “Eu costumo dizer que hoje quem não tem presença digital, morreu. Então, tenho, sim, uma relação com a internet, sou ativa nas redes sociais”, fala a empresária.

Sobre quais dicas ela deixaria para mulheres que sonham em empreender, Ana conta que gostaria de se encontrar com ela própria de seis anos atrás. “Eu diria: estude sobre seu público, sobre estratégia de atendimento e marketing de experiência. […] O cliente tem que sentir o diferencial que sua empresa pode entregar. […] Tenha um bom relacionamento com as pessoas e respeite as diversidades e diferenças. Um dos meus erros foi querer tudo da minha forma, mas uma equipe completa é aquela que se une. Mulheres, sejam livres para criar, se envolver, dar engajamento e sintam. Sejam sensíveis às suas ideias.”

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