Tendências para 2022 vão de transformação digital à preocupação socioambiental

Postado em: 31-12-2021 às 08h22
Por: Almeida Mariano
A conexão entre o “on” e o “off” se destaca como estratégia de marketing | Foto: Reprodução

Mesmo após dois anos de transformações devido à pandemia do coronavírus, tudo indica que o próximo ano ainda continuará sendo de mudanças, sobretudo relacionado ao uso de tecnologia conforme ocorreu em 2020 e 2021. Com o avanço tecnológico em diversos setores, o mercado tem se reinventado para acompanhar as necessidades destes novos tempos.

Em 2022, especialistas indicam uma consolidação da experiência digital, o fomento de modelos híbridos, adoção tecnológica à solução de problemas estruturais e a conscientização social e ambiental.

Para o economista Pedro Prates, o prosseguimento das mudanças para o digital continuará no próximo ano. “As empresas vão continuar a fazer transformação digital. Os clientes demandam uma experiência digital nos serviços, esta é uma transformação cultural. Não tem como uma empresa gerar valor como fazia antes da pandemia”, afirma.

O professor de publicidade e propaganda do Mackenzie, José Maurício Conrado, acredita na criação de modelos híbridos de negócios como tendências em 2022, de modo que as experiências digitais e físicas se complementam. Assim, as empresas devem buscar o desenvolvimento de um marketing de experiência através do ‘omnichannel’, que é a convergência de canais de comunicação online e offline com os clientes. “Há um processo ambivalente: busca pela experiência pessoal, porém sem abandonar o virtual. Esta é a grande tendência de 2022: omnichannel, com canais diversos de venda, comunicação, logística (comprar online e retirar na loja). A pandemia reforçou a conexão entre ‘on’ e ‘off’”, afirma José Conrado.

Segundo uma pesquisa realizada pela PwC Digital Trust Insights 2022 com 3.600 executivos de negócios, tecnologia e segurança, aproximadamente 83% das organizações empresariais no Brasil devem aumentar o investimento em segurança cibernética em 2022.Para Andrew Martinez, CEO da HackerSec, empresa de inovação em cibersegurança, 2022 vai ser o ano do reforço de segurança para a proteção de dados.

 “A segurança de dados é tão necessária que se tornou lei. A LGPD foi criada para proteger tanto o cliente quanto o prestador de serviço. O reforço na segurança de dados vai evitar danos irreparáveis”, afirma o executivo.

De modo que a tecnologia em nuvem também ganhará cada vez mais espaço. Uma porta aberta para empresas que criam soluções para desafios reais que afetam diversos segmentos e portes por meio de novas tecnologias que envolvem datacenter, aplicações em nuvem, ciência de dados e inteligência artificial.

No setor financeiro a tendência é a consolidação da tecnologia de blockchain, que possibilita avanços em criptomoedas e DeFi, que são protocolos de finanças descentralizadas. E, com cada vez mais brasileiros no segmento, se estima que haverá um grande número de investimentos de pessoas físicas em criptomoedas.

Outra tendência para 2022 é a preocupação com a agenda ESG  (ambiental, social e governança, em inglês). “A preservação do meio ambiente, por exemplo, é um papel da sociedade como um todo. Empresas também são agentes importantes para o desenvolvimento mundial e já entenderam que, caso não haja a preocupação com questões ambientais, sociais e de governança, vão ficar para trás”, explica Eduardo Tardelli, CEO da upLexis, empresa especializada em mineração de dados. 

E mesmo que a existência cada vez maior e mais intensa desses critérios seja uma demanda das gerações atuais, os investidores mais antigos também estão começando a buscar por gestoras com produtos mais sustentáveis.

Além disso, 2022 deve evidenciar ainda mais a necessidade de as empresas reformularem suas linguagens e a comunicação com seus públicos. Com um posicionamento social e político cada vez mais exigido pelos consumidores, a inclusão de gênero, raça, diversidades sexuais e o posicionamento civil são os principais responsáveis pela atribuição de valor, positivo ou negativo, à imagem das marcas.

“O consumidor quer sentir se a marca entende o que acontece no momento. Já era tendência antes da pandemia, que acentuou isso. A empresa vai precisar de empatia pelo consumidor, esta é uma tendência muito forte. Mais do que nunca, atenção à linguagem é extremamente importante. Quem presta atenção na linguagem presta atenção em frases que possam ser racistas. As pessoas querem se sentir bem, mas não a qualquer custo nem a qualquer preço”, conclui José Conrado.

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