Web 3.0: Nova fase da internet promete revolucionar a indústria de tecnologia

Postado em: 22-01-2022 às 17h00
Por: Redação
Desenvolvida há anos, a Web 3.0 já gerou impacto no Vale do Silício | Foto: Reprodução

A “nova fase” da internet, intitulada de Web 3.0 vem se destacando entre os  profissionais da tecnologia  de todo o mundo. Considerada  como a terceira geração da internet,  as inovações dessa nova versão devem transformar o modelo de internet e de negócios na internet vividos atualmente. 

A Web 3.0 tem sido vista por especialistas como uma visão do futuro da internet, onde a propriedade e o poder serão menos centralizados e mais distribuídos. Além de ser baseada em códigos digitais transparentes, conhecidos como blockchains, a tecnologia que sustenta as criptomoedas. Essa nova fase já vem sendo desenvolvida há anos e já gerou impacto no Vale do Silício, a região do Estado americano da Califórnia que representa a indústria de tecnologia. 

Essa terceira geração da internet permitirá que as máquinas interpretem um volume muito maior de dados. Possibilitando uma forma muito mais profunda com outros usuários. De modo que não será mais preciso de sistemas operacionais complexos ou grandes “hard disks” para armazenar informações. Isso tudo, de maneira muito mais rápida e podendo ser personalizado.

 A principal mudança será a descentralização da internet, de modo que a criação de uma rede mais equitativa, terá como consequência a redução do poder das grandes empresas do setor de tecnologia digital.

Colin Evran  é um dos especialistas que está trabalhando no desenvolvimento da Web 3.0.  Ele é responsável pela direção dos ecossistemas de Filecoin e IPFS, dois protocolos criados pelo Protocol Labs, uma empresa de tecnologia blockchain sediada em San Francisco, na Califórnia (EUA), que assim como a Web 3.0, visam “descentralizar a Web”.

“Grande parte do meu trabalho consiste em acelerar a transição da Web2 para a Web3… Nosso objetivo é atualizar a Web para torná-la mais rápida, mais segura, mais resistentes aos ataques e mais aberta.”

Evran explica que com a chegada da Web 3.0, os usuários terão acesso a milhares de centros de dados em todo o mundo e poderão escolher quem guarda seus dados e como.

Atualmente, as empresas Amazon, Google e Microsoft atualmente lideram o mercado de armazenamento de dados na nuvem. Sendo que a Amazon, com sua filial, a AWS, controla 41,5% do total, segundo dados da McAfee de 2019. Seguida pela  Azure, da Microsoft, com 29,4% e Google Cloud, com 3% 

“Em seu início, a internet foi um protocolo aberto e descentralizado…ela começou a se centralizar nos anos 1990, com as grandes empresas de tecnologias que conhecemos hoje em dia. O que se deseja com a Web3 é voltar à essência, ao início do que foi a internet: que ninguém controle em grande proporção essa ferramenta de comunicação tão presente no nosso dia a dia.”, explica Ursula O’Kuinghttons, diretora de Comunicação da Parity Technologies.

Dúvida e críticas 

A promessa é de que a Web 3.0 seja capaz de acabar com a hegemonia de gigantes tecnológicos como Google ou Facebook. Porém, nem todo mundo tem o mesmo entusiasmo em relação ao projeto. Críticos enxergam o movimento como um exercício de branding projetado por investidores de tecnologia para impulsionar ainda mais as criptomoedas. Outra observação feita por eles é que muitos dos grandes investidores da Web3 são os mesmos que apoiaram a Web 2.0.

O co-fundador do Twitter e da Block, Jack Dorsey, se pronunciou em suas redes sociais dizendo que a Web 3.0 é “uma entidade centralizada com um rótulo diferente”. Para ele, a classe investidora será dona dela, como de costume. Dorsey também realizou uma série de publicações no Twitter afirmando que nunca fez parte deste novo cenário da internet que vem sendo desenvolvido. 

 Elon Musk, executivo-chefe da Tesla e da SpaceX, também é um dos grandes nomes que são céticos em relação à Web 3.0. Recentemente, Musk publicou em seu Twitter “Alguém viu a Web3? Não consigo achar.”, em tom de ironia.

Colin Evran, entretanto, segue entusiasmado pela novidade.”O passo da Web1 para a Web2 foi uma transição enorme que levou muitos anos. A transição da Web2 para a Web3 é inevitável, mas não vai ocorrer de um dia para o outro, mas sim em vários anos. Ela está apenas dando seus primeiros passos…Se nos concentrarmos em desenvolver a Web, nos próximos cinco ou dez anos conseguiremos fazer com que os dados voltem a estar nas mãos dos usuários. E esse é o mundo que eu quero para mim e para os meus filhos.”, disse.

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