Previsão de alta para produção de grãos impulsiona empregos no agronegócio

Estiagem do ano passado afetou Goiás menos que outros estados

Postado em: 11-02-2022 às 08h45
Por: Redação
Estiagem do ano passado afetou Goiás menos que outros estados | Foto: Reprodução

Por Ítallo Antkiewicz

O setor de agronegócio deve experimentar um crescimento de 21,4% na safra de grãos 2021/2022 e a previsão é que essa expectativa eleve a geração de empregos repetindo a alta do ano passado, quando o setor criou mais de 6 mil novos postos de trabalho. O levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta que o estado deve produzir 29,8 milhões de toneladas. 

A estiagem sentida no ano passado não afetou profundamente a produção de grãos no estado como em outras regiões do país como no Sul e Centro-Sul. Com isso, Goiás deve produzir acima da média estimada para o país que é de 5%. 

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Em relação à produtividade, o levantamento revela que o estado de Goiás deve saltar de 3,8 toneladas por hectare para 4,5 toneladas por hectare, o que significa aumento de 18,8%. Já em relação à área cultivada, a estimativa é de quase 6,6 milhões de hectares, crescimento de 2,2% em relação à safra anterior.

Durante a abertura da Colheita Estadual de Soja, que ocorreu no último dia 3 de fevereiro, em Catalão, no Sudeste goiano, o governador Ronaldo Caiado estimou números recordes na safra de grãos no Estado. “Vamos arregaçar as mangas, pois queremos chegar a 30 milhões de toneladas de grãos. Tenham a convicção de que nós teremos a maior safra”, projetou. Ele ressaltou, ainda, o trabalho que o governo tem feito para estimular, ainda mais, o segmento agropecuário, como é o caso da entrega de maquinários, por meio do programa Mecaniza Campo, e a abertura de estradas, em parceria com os prefeitos.

Carro-chefe

Principal produto da pauta agrícola goiana, a soja deve alcançar 15,0 milhões de toneladas cultivadas no Estado, aumento de 3,2% na atual safra. A área plantada do grão tem previsão de mais de 4,0 milhões de hectares (+2,2%) e a produtividade deve subir para 3,7 toneladas por hectare (+1,0%). Com essa estimativa, Goiás deve ocupar a segunda posição entre os principais produtores de soja no País, atrás apenas do Mato Grosso, que tem previsão de quase 40 milhões de toneladas do grão na atual safra.

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tiago Mendonça, destaca que a cultura da soja é importante, porque gera emprego e renda em todo o Estado. “O grão é produzido em todas as regiões goianas, o que traz saldo relevante para a nossa economia. É o principal produto exportado por Goiás”, defende. O complexo soja foi responsável por 59,8% das exportações do agro, no Estado, em 2021, somando US$ 4,28 bilhões.

Outras culturas

No milho total (1ª e 2ª safras), a previsão é que Goiás registre aumento de 53,7%, com quase 13 milhões de toneladas produzidas no Estado. A produtividade deve saltar também em 48,6%, chegando a mais de 6,8 toneladas por hectare. Com esse resultado, o Estado mantém a terceira posição no ranking nacional de produção, atrás de Mato Grosso e Paraná.

Nas culturas de sorgo e girassol, Goiás deve manter a primeira posição de maior produtor dos grãos no Brasil. A expectativa é de aumento de 26,6% no cultivo de sorgo em terras goianas, com 1,15 milhão de toneladas, e também de 26,6% em produtividade, com mais de 3,03 toneladas por hectare. No girassol, o crescimento na produção deve alcançar 68%, com 33,6 mil toneladas.

Desempenho no país

Com 16,8% das lavouras já colhidas, a soja deverá registrar uma produção de 125,47 milhões de toneladas, uma queda de cerca de 9% quando comparada com a safra passada. O plantio da oleaginosa ocorreu dentro da janela ideal na maioria das regiões produtoras, o que gerou expectativas positivas. Porém, a partir de novembro, o cenário mudou devido às condições climáticas adversas ocorridas. 

Já para o milho, apesar do clima adverso para a primeira safra, a Conab espera uma recuperação na produção. Segundo a estimativa da estatal, deverão ser colhidos 112,34 milhões de toneladas, um incremento de 29% em relação a 2020/21. A primeira safra do grão deve permanecer em 24 milhões de toneladas, volume muito próximo ao colhido na temporada passada.

Em relação aos preços dos produtos nas principais praças observou-se, no mês de janeiro em comparação com dezembro, certa estabilidade nas cotações de arroz no Rio Grande do Sul, com ligeira queda de 0,1%. Preços estáveis também para o trigo no Paraná. Em contrapartida, o feijão preto no estado paranaense e o feijão cores em São Paulo registraram alta de 20% nas cotações. No Mato Grosso, alta para milho, soja e algodão em 10,5%, 7,6% e 6,7% respectivamente. A oleaginosa também apresentou preços mais elevados em 5,5% no PR.

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