Sem carnaval devido à pandemia de Covid-19, lojistas estão preocupados com queda das vendas

Pandemia continua provocando reflexos econômicos que vão além de impedir a folia

Postado em: 19-02-2022 às 13h00
Por: Alexandre Paes
Pandemia continua provocando reflexos econômicos que vão além de impedir a folia | Foto: Reprodução

Pelo segundo ano consecutivo o Carnaval no Brasil deve ocorrer de maneira atípica devido à pandemia de Covid-19. Essa intercorrência provoca reflexos que vão além do calendário da folia e atingem a atividade econômica, principalmente os ambulantes e lojistas que roubam a cena na venda de fantasias e comidas de rua.

O cancelamento de blocos de rua frustra planos e espalha preocupação entre comerciantes, vendedores ambulantes e trabalhadores do setor de entretenimento. Isso porque essas pessoas investem na produção para um período farto de vendas, considerando que esta época é uma das mais rentáveis para o setor. 

No entanto o setor de turismo deve ter uma melhora em relação a 2021, mas ainda insuficiente para retomar o nível de negócios da data no pré-crise, projeta a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Em 2022, o turismo deve movimentar R$ 6,45 bilhões em atividades decorrentes do feriado no Brasil, prevê a CNC. 

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A estimativa é 21,5% superior ao resultado do ano passado (R$ 5,31 bilhões), quando o setor amargou um tombo em meio a restrições maiores à circulação de pessoas. Apesar da melhora em relação ao ano passado, o número projetado ainda está 33,7% abaixo do Carnaval de 2020 (R$ 9,74 bilhões), antes da explosão da pandemia. 

Os dados, ajustados pela inflação, consideram os negócios de atividades como hospedagem, alimentação fora de casa e transporte aéreo. O economista Fabio Bentes afirma que o turismo depende mais do feriado em si do que dos blocos de Carnaval. Para ele, a derrubada desses eventos, junto ao recente avanço da Covid, dificulta a volta ao nível pré-crise.

“O processo de recuperação da economia fica sendo adiado. O carnaval deste ano deve ser um intermédio do que ocorreu entre 2020 e 2021, que foram períodos complicados”, afirma Bentes.

Pessoas de todo o país procuram passar o carnaval na famigerada folia do Rio de Janeiro, no entanto em janeiro deste ano a prefeitura anunciou o cancelamento dos blocos de rua devido ao novo avanço dos casos de coronavírus, que foram impulsionados pela variante ômicron. Mesmo com as restrições, muitas reservas ainda permanecem confirmadas, o que não deve impactar o setor econômico do estado.

“Caso a programação tradicional fosse mantida, a rede hoteleira carioca poderia alcançar em torno de 95% da ocupação no final de fevereiro”, apontou Alfredo Lopes, presidente do HotéisRIO (Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro).

“Sem os blocos de rua, a estimativa de ocupação recua para a faixa de 85%. O que deve garantir o percentual ainda elevado. Neste momento as famílias que pretendem aproveitar outras atrações turísticas do Rio devem aproveitar a folga”, concluiu o dirigente. Em 2020, o Carnaval movimentou mais de R$ 4 bilhões, com a presença de 2 milhões de turistas, segundo dados da Riotur.

Para muitos, uma oportunidade de sair do vermelho

Desde o fim do ano passado e início de 2022, as prefeituras de diversos municípios goianos anunciaram a suspensão dos blocos de rua. O segundo ano com a data prejudicada pela pandemia frustra comerciantes. Em algumas cidades turísticas a venda de itens carnavalescos pode cair até 50% sem os blocos.

O economista Luiz Carlos Ongaratto diz que devido aos cancelamentos dos anos anteriores muitos comerciantes ainda estão prejudicados, principalmente aqueles que atendem exclusivamente esse tipo de evento. “Para esse segmento vê-se o cancelamento do Carnaval como uma oportunidade perdida para reaver prejuízos passados”, pontuou. 

Danyele Costa tem uma loja de fantasias em Goiânia, e lamenta o cancelamento das festas no interior de Goiás. “Fica complicado a gente investir e infelizmente não ver o capital girar. Mas entendo que o melhor é suspender as festas e aglomerações”, afirmou a vendedora de alegorias. “Grande parte das minhas mercadorias estão estocadas” conclui ela que diz não ter muitas expectativas com as vendas. 

Carlos Miranda possui um triciclo de bebidas em Caldas Novas, e ele comenta que além do movimento turístico da alta temporada, o carnaval é um plus nas vendas de rua. “Essa data é sempre algo a mais pra gente. Ajudaria bastante, ainda mais em uma pandemia danada como essa”, conta. Segundo Carlos, antes da Covid-19, as vendas nos blocos de Carnaval rendiam o equivalente a até dois meses de trabalho.

“Suspender o carnaval afeta muito nossa renda. As folias de rua são como se fosse o nosso 13º salário, pois só temos renda quando trabalhamos. É um dinheiro que permite fazer compras e pagar contas atrasadas, tirando a gente do vermelho”, comenta Maria Cândida, vendedora de hot dogs em Jaraguá.

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