O governo do Estado chega ao final de 2021 com quase R$ 4,40 bilhões no caixa

A disponibilidade de caixa havia transitado por terreno negativo nos últimos seis anos, voltando ao positivo apenas no ano passado, quando ficou levemente superior ao dado de 2014.

Postado em: 16-02-2022 às 09h20
Por: Lauro Veiga Filho
A disponibilidade de caixa havia transitado por terreno negativo nos últimos seis anos, voltando ao positivo apenas no ano passado, quando ficou levemente superior ao dado de 2014. | Foto: Reprodução

O governo do Estado iniciou 2022, ano de eleições, com disponibilidade líquida de caixa de R $4,396 bilhões, já descontados os valores inscritos ao longo do exercício na rubrica restos a pagar não processados. As sobras correspondiam, até o fechamento de 2021, a 13,94% da receita líquida corrente acumulada nos 12 meses do ano passado, e se comparavam a um caixa negativo de R $1,564 bilhão registrado em 2020 – o que representava então 6,34% da receita líquida. Os números refletem o resultado muito positivo acumulado ao longo do ano passado na execução do orçamento, favorecido pelo salto nas receitas, mas refletindo ainda o achatamento das despesas com a folha de pessoal.

A disponibilidade de caixa havia transitado por terreno negativo nos últimos seis anos, voltando ao positivo apenas no ano passado, quando ficou levemente superior ao dado de 2014. Como houve mudanças na metodologia de aferição do caixa, que anteriormente descontava as obrigações financeiras do saldo em caixa, a comparação tende a ser inadequada. Apenas como referência, no entanto, a disponibilidade líquida de caixa em 2014 havia alcançado R $2,303 bilhões em valores não corrigidos, representando 13,83% da receita corrente líquida. Atualizada com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a disponibilidade de caixa registrou alta de 31,8% entre 2014 e o ano passado.

Em valores nominais, quer dizer, sem correção com base em índices inflacionários, os dados gerais divulgados no portal Goiás Transparente (www.transparencia.go.gov.br) mostram um aumento mais substancial para as receitas primárias totais quando comparadas às despesas primárias – em ambos os casos, são excluídas receitas e despesas de caráter financeiro, a exemplo de operações de crédito e gastos com juros e amortizações da dívida estadual pública. Sob efeito da inflação mais elevada, as receitas experimentaram alta de 18,59% em relação a 2020, saindo de R $27,771 bilhões para praticamente R $32,933 bilhões, num acréscimo de R $5,162 bilhões em números aproximados. O ganho corresponde a quase dois meses adicionais de arrecadação, considerando-se uma receita média mensal de R $2,744 bilhões durante o ano passado.

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Salto nas despesas

O forte incremento das receitas levou o governo a acelerar suas despesas, que anotaram avanço igualmente expressivo, mas em ritmo ligeiramente menos intenso quando comparadas arrecadação.Os Gastos Primários passaram de R$ 25,067 bilhões para pouco menos de R$ 29,572 bilhões, somando R$ 4,504 bilhões a mais, subindo 17,97% de 2020 para o ano seguinte. Consideradas proporcionalmente, às receitas registraram ganho quase 15,0% maior do que os gastos realizados a mais os 12 meses do ano passado. As despesas primárias aqui levam em consideração gastos efetivamente pagos, somados ainda aos restos a pagar processados não processados também pagos, conforme critério adotado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para aferir o resultado primários nos Estados e governos municipais. Essa diferença permitiu ao governo de Goiás realizar superávit primário de algo em torno de R $3,361 bilhões no ano passado, perto de 24,3% acima do resultado de 2020, quando o saldo primário, excluídos os juros, havia alcançado R $2,703 bilhões.

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