Investimentos em criptoativos saltam com guerra entre Rússia e Ucrânia; entenda

Bitcoin teve alta de 14,5% e foi a criptomoeda mais valorizada durante a crise.

Postado em: 05-03-2022 às 16h30
Por: Redação
Bitcoin teve alta de 14,5% e foi a criptomoeda mais valorizada durante a crise | Foto: Reprodução

Por Jennifer Neves

Na segunda-feira (28/2), o preço das principais criptomoedas foram lá em cima, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, que falei no vídeo anterior. A Bitcoin, por exemplo, teve ganhos de mais de 14,5%. Agora, ela está valendo em torno de US$ 40 mil.

Outros criptoativos também são afetados. A Ethereum manteve dominância de 17%, e em contrapartida, dogecoin, caiu mais de 14%, nesta semana.

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Mas se essas moedas pertencem a iniciativas privadas e não têm relação com nenhum governo, como uma crise entre países pode afetar na variação de preço?

As criptomoedas são ativos e todo mercado de renda variável, ou seja, que não tem como calcular qual será o ganho, caminham juntos quando alguma crise chega. Então os investidores abandonam esses mercados e a cotação deles despenca.

Vários fundos de investimentos colocam as criptomoedas nas carteiras, e quando um risco global se aproxima, eles fazem o que podem para não saírem prejudicados, porque o que é levado em consideração são as consequências em curto prazo.

Então as criptomoedas acompanham as quedas das bolsas de valores, só que com muito mais força e velocidade. E na hora de se valorizar de novo, a mesma coisa. Isso, porque elas têm o que chamamos de alta volatilidade

 Ou seja, elas alteram de preço muito rapidamente. Podem subir ou diminuir o valor drasticamente em minutos. 

Mas outros fatores, um tanto quanto contraditórios, estão ligados a essa volatilidade. O principal, e que rege o capitalismo, é a lei da oferta e demanda. Elas são negociadas em plataformas, como Exchanges, que oferecem a compra, venda e a troca de criptoativos. E essas negociações definem os preços.

No caso específico da Bitcoin, a lei da demanda e oferta é um pouco diferente, por isso a contraditoriedade. Porque a escassez da moeda também faz parte do processo. Isso se deve ao fato de que podem existir no máximo 21 milhões de bitcoins no mercado. 

A escassez também é importante para outros ativos como pedras preciosas, ouro e diamante. Já que o bitcoin não pode ser impresso além dessa quantidade, a demanda tende a aumentar, mas a oferta, não. Então, vários investidores já utilizam esse ativo como reserva de valor, proteção ou como investimento. E obviamente, a oferta caindo e a demanda em alta, faz com que os preços sejam impactados. 

Mas outro fator polêmico em relação a essas moedas digitais é que muita gente também põe em xeque a segurança delas. As transações precisam de registros validados e gravados no Blockchain, que é exatamente um registro enorme de transações.

O Blockchain funciona como um banco de dados público com todas as operações realizadas com cada unidade de Bitcoin, ou qualquer moeda digital que seja. Cada transação  é verificada nessa plataforma, para assegurar que os mesmos Bitcoins não foram utilizados anteriormente por outra pessoa.

Quem registra essas transações no Blockchain são os mineradores, que fazem o registro do processamento e conferem as operações feitas com as moedas.Os computadores em que são criadas as Bitcoins têm capacidade de resolver problemas matemáticos complexos para verificar a validade das transações incluídas no Blockchain.

E também, se mais computadores passarem a ser usados para aumentar o processamento da mineração, os problemas matemáticos ficam cada vez mais difíceis, com o intuito de limitar o processo de mineração.

Outro ponto, é que se caso houver uma perda ou esquecimento da “seed” que é alguma frase com uma certa complexidade, que dá acesso à carteira de criptomoedas, os fundos nunca mais poderão ser acessados. Existe uma estimativa feita pelo The New York Times que cerca de 20% das mais de 18 milhões de bitcoins emitidas estão perdidas. Esse valor em dólar é mais ou menos 216 bilhões. E também, se alguém tiver acesso a essa frase, terá acesso aos seus fundos de investimento.

Por outro lado, no ano passado, um relatório chamado Crypto Crime Report mostrou que em 2021 o número de golpes e roubos foi 81% maior que em 2020. A maior parte desses golpes acontecem quando uma plataforma ou projeto simplesmente some com o dinheiro dos investidores. 

Esse tipo de crime tem sido mais comum em aplicações de finanças descentralizadas, ou seja, que contemplam uma variedade de aplicações no espaço do Blockchain. 

Então, também a falta de uma regulamentação mais clara faz com que algumas pessoas tenham medo de investir no ativo. Em alguns países, como a Índia por exemplo, até mencionou uma possível proibição da moeda, o que acarretou em uma queda de 10% no preço da Bitcoin nos últimos anos.

E outro ponto é a ameaça da soberania monetária dos países em geral, pelo fato de que não há como calcular o quanto foi gasto e transferido dentro do país. Isso afeta a medição de inflação e taxas de juros, e consequentemente, o PIB também pode ficar alterado, porque elas não pertencem a nenhum governo. 

Já no contexto brasileiro, na última terça-feira, a sessão de Assuntos Econômicos do Senado Federal aprovou uma proposta para regulamentar as criptomoedas, com o objetivo de dar mais transparência nas operações e evitar sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. 

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