Setor supermercadista foi o que mais gerou empregos na pandemia

O saldo de vendas foi positivo para o setor de supermercados em 2020, acumulando alta de 9,36%

Postado em: 26-03-2022 às 18h00
Por: Rodrigo Melo
O saldo de vendas foi positivo para o setor de supermercados em 2020, acumulando alta de 9,36% | Foto: reprodução

Durante a pandemia do novo coronavírus, o setor de supermercados foi o maior gerador de empregos no país, com 156.120 novos postos, sendo 57.214 novas vagas, em 2020, e 98.906, em 2021. O setor foi responsável por 6,1% do total de novos postos de trabalho no período 2020/2021, de acordo com o Mapa dos Empregos no Setor de Supermercados, realizado pela Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj) em conjunto com a consultoria Future Tank.

Segundo o estudo, o estado do Rio de Janeiro teve a maior participação do setor supermercadista na oferta de novas vagas de trabalho nos últimos dois anos, com 11.120 novos postos de trabalho (41% do total), respondendo por dois de cada cinco empregos abertos no território fluminense.

O setor supermercadista foi o que mais gerou empregos em sete outros estados brasileiros durante a pandemia: Piauí (21%), com 3.504 vagas; Rondônia (13%), com 1.838; Maranhão (12%), com 6.860; Amazonas (11%), com 4.774; Pará (11%), com 10.819; Pernambuco (8%), com 6.377; e Ceará (7%), com 6.495 postos.

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Goiás gerou apenas 2.556 novos empregos com carteira assinada no setor supermercadista, entre os anos de 2020 e 2021, de acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás (SIC) por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. A SIC informa que o baixo número de novas contratações no setor, foi provocado principalmente pelo ano de 2020, início da pandemia no Brasil.

Apesar de pouca contratação, se comparado aos outros Estados do país, o presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Gilberto Soares, analisa que mesmo diante da pandemia, o setor supermercado continuou funcionando e tendo que contratar mais funcionários devido aos protocolos sanitários.

“Tivemos que contratar mais pessoas por conta dos protocolos de segurança como higienização das plataformas, dos carrinhos, no controle de entrada das lojas. Também tivemos que afastar as grávidas e pessoas de mais de 60 anos. Teve lojas que ampliaram seu espaço de venda, e mesmo diante da crise, outras foram inauguradas. O setor supermercadista não parou. Continuou a todo vapor.”

Vendas

O saldo de vendas foi positivo para o setor de supermercados em 2020, acumulando alta de 9,36% de janeiro a dezembro, em comparação com o mesmo período de 2019. Os números são do Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

As vendas de dezembro avançaram 18,13% em relação a novembro, e quando comparadas ao mês de dezembro de 2019, o crescimento foi de 11,54%.

“Devido às medidas de isolamento social, os brasileiros precisaram mudar seus hábitos, contribuindo com o aumento do consumo dentro do lar. Além disso, os estímulos concedidos pelo governo federal, como o auxílio emergencial, injetaram bilhões na economia, e boa parte desse montante foi gasto no setor”, diz o vice-presidente da Abras, Marcio Milan.

Compras virtuais 

Devido a quarentena, uma das medidas adotadas para contenção do vírus Sars-Cov-2, os consumidores permaneceram em casa, com receio de ir aos estabelecimentos. Por isso, a aposta no e-commerce foi um sucesso. As vendas nesse tipo de serviço aumentaram 21%. 

Segundo o presidente da Asserj, Fábio Queiroz, as mudanças que ocorreram nos supermercados durante a pandemia, como o delivery, devem permanecer.

“Em primeiro lugar, o delivery veio para ficar e nós temos prospecção de crescimento dele. Em segundo lugar, as novas funções que surgiram nos supermercados, como a de gestor de qualidade, são o legado da pandemia. Os consumidores preferiram os locais mais seguros até em comparação com outros que possuam atendimento melhor”, explica Queiroz.

Aumento nos produtos

O Procon Goiás realizou um levantamento de preços dos itens que compõem a cesta básica para o consumo mensal, com o objetivo analisar o aumento dos principais itens alimentícios desde o início da pandemia (03/2020) até (03/2022). 

A pesquisa apontou alta acumulada dos alimentos, destacando 146% no óleo de soja, 144% no café em pó (500 g), 117% no quilo do tomate e 99,03% no pacote de açúcar (5 kg). A batata inglesa subiu 80,37%. No geral, o aumento médio nos últimos 24 meses foi de 57,22%. 

Para um trabalhador que recebe apenas o salário mínimo (R$ 1.212), o comprometimento mensal com a cesta básica (R$ 670,68) é de 55,34%. 

Transporte de carga

O segundo maior setor que mais gerou empregos durante os dois últimos anos da pandemia, foi o de transporte de carga rodoviária, com 136.423 novas vagas. 

A pesquisa ressalta também que os supermercados estão entre os dez maiores geradores de vagas em todos os estados do país. Em termos absolutos, os campeões do ranking em 2020 e 2021 foram São Paulo, com 30.989 postos gerados; Minas Gerais (17.511); Rio de Janeiro (11.120): Pará (10.819); e Rio Grande do Sul (9.757).

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