Apesar do acúmulo de 12%, Presidente do Banco do Brasil diz que “o pior da inflação já passou”

A declaração foi feita frente ao acúmulo de 12,04% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice que mede a inflação oficial – nos últimos 12 meses.

Postado em: 27-06-2022 às 17h24
Por: Rodrigo Melo
A declaração foi feita frente ao acúmulo de 12,04% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice que mede a inflação oficial – nos últimos 12 meses | Foto: Reprodução/Billy Boss

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira (27/6) que “o pior momento da inflação já passou”. Além disso, Campos aponta que graças ao histórico de convívio que o Brasil teve com altos índices inflacionários, a autoridade monetária brasileira conseguiu “sair na frente”, adotando ferramentas capazes de frear o processo inflacionário.

A declaração foi feita frente ao acúmulo de 12,04% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – índice que mede a inflação oficial – nos últimos 12 meses. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As afirmações foram feitas durante o painel Erosão da Ordem Pública Internacional e o Futuro, no Décimo Fórum Jurídico de Lisboa, na capital portuguesa. Durante o discurso, Neto lembrou que o Brasil “é um dos poucos países que no meio desse processo está tendo revisões para cima” do Produto Interno Bruto (PIB).

Continua após a publicidade

“Inclusive a nossa última revisão no BC aumentou [a previsão de crescimento do PIB] de 1,5% para 1,7% [em 2022]. Provavelmente teremos PIB forte no segundo trimestre. Obviamente, em algum momento, tudo que estamos fazendo vai gerar alguma desaceleração no segundo semestre. Mas ainda assim o crescimento é bastante melhor do que se esperava no início do ciclo de ação”, disse Campos Neto.

Experiência com inflação

Segundo o presidente do BC, a experiência que o Brasil tem com o combate à inflação tem ajudado na definição estratégica para amenizar este problema. “Como nós no Brasil entendemos que era problema mais de demanda, na minha opinião, até um pouco antes dos demais países, o BC do Brasil saiu na frente porque temos memória de inflação muito maior, e mecanismos de indexação muito mais vivos”, disse.

Campos Neto ressalta que todos os países estão subindo juros e que, enquanto alguns países estão no meio do caminho, o Brasil já está muito perto de ter feito o trabalho todo. “Vamos ver ainda alguns países subindo bastante os juros”, acrescentou.

Ainda de acordo com Campos Neto, o Brasil ainda apresenta um “componente de aceleração de inflação”. Ele, no entanto, disse acreditar que o pior momento da inflação já passou. “Temos algumas medidas desenhadas pelo governo que ainda precisamos entender os efeitos delas no processo inflacionário, o que ainda não está claro, mas o Brasil fez o processo antecipado e acreditamos que nossa ferramenta é capaz e vai frear o processo inflacionário”.

Preços e investimentos

Na avaliação do presidente do BC brasileiro, os índices inflacionários que estão sendo registrados em diversos países têm como origem uma “desconexão entre preços e investimentos” que vai além do petróleo, abrangendo também os alimentos.

“Os governos estão enfrentando o dilema de garantir segurança energética e alimentar para a população”, disse. Nesse sentido, “muitos países, em função da guerra, estão adotando medidas protecionistas que estão contaminando o resto da cadeia de inflação”. “E o anseio de gerar segurança alimentar e energética dos governos está sendo feito de maneira descoordenada e gerando queda de investimento”, acrescentou.

Segundo Campos Neto, a falta de coordenação está gerando queda em investimentos tanto em energia quanto em alimentos. “Precisamos entender que quem produz alimentos e energia não é o governo, mas o setor privado e que o governo tem de endereçar o problema das classes sociais mais baixas, mas não pode se desviar das práticas de mercado, porque, no final das contas, são os mercados que produzem alimentos e energia”, completou.

Em Goiânia

Em junho, Goiânia registrou variação mensal de 0,54% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A variação acumulada no ano atinge 5,84% e em 12 meses alcança 12,77% na capital goiana. O IPCA-15 mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. O resultado mostra se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O item com maior peso na cesta de compras das famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos na capital é o veículo próprio, que subiu 1,38% no mês de junho, acumulo de 7,93% no ano e 16,08% nos últimos 12 meses. O índice apresentou a décima sexta alta consecutiva, após ter subido 0,67% em maio e 1,62% em abril e março do ano corrente.

Veja Também