Estrangeiros investiram menos em títulos do Tesouro em março

Relatório mostrou que a participação dos investidores não-residentes passou de 12,39% em fevereiro para 11,84% em março

Postado em: 27-04-2018 às 14h20
Por: Victor Pimenta
Relatório mostrou que a participação dos investidores não-residentes passou de 12,39% em fevereiro para 11,84% em março

Os estrangeiros investiram menos em títulos públicos
brasileiros em março, de acordo com o Relatório Mensal da Dívida Pública
Federal, divulgado nesta sexta-feira (27) pela Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério
da Fazenda.

O relatório mostrou que a participação dos investidores
não-residentes passou de 12,39% em fevereiro para 11,84% em março. Em valores
nominais, esse investimento passou de R$ 428,32 bilhões em fevereiro para R$
415,17 bilhões em março.

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A participação dos estrangeiros já foi maior. De acordo com o
Tesouro, em 2014, a participação deles era 18,6%; em 2015, subiu para 18,8%; em
2016, caiu para 14,3% e, em 2017, fechou em 12,1%.

Na avaliação da coordenadora de Operações da Dívida Pública
do Tesouro Nacional, Márcia Tapajós, as quedas que ocorrem mês a mês são
marginais, “mas elas vêm ocorrendo sucessivamente”, disse.

Segundo Márcia, as quedas na participação desses investidores
está relacionada às quedas da Selic, taxa básica de juros da economia, que
atualmente está no menor patamar histórico, em 6,5% ao ano. Isso reduz também
grande parte dos juros pagos pelo Tesouro aos investidores, tornando o negócio
menos atrativo.

“O que ocorre para esses investidores é que o
diferencial de jutos para outros [países] emergentes passa a não ser tão
expressivo, então eles optam por procurar investimentos em outros
mercados”, explicou.

Apesar da queda dos investimentos estrangeiros, Márcia disse
que a situação não é preocupante. “Não é preocupante até porque nossa
estrutura de detentores é bem distribuída, não tem concentração especifica em
um segmento”.

O relatório divulgado hoje (27) mostra que em março os
maiores detentores da dívida pública eram Fundos de Investimento, com 29,21%.
Os Fundos de Previdência ficaram em segundo lugar, com uma participação
relativa de 22,80%. Em seguida, estão as instituições financeiras com 22,39%;
os investidores estrangeiros, com 11,84% da dívida; o governo, 4,38%; as
seguradoras, 3,85%; e outros, 5,53%.

Títulos

Títulos públicos são papéis emitidos pelo Tesouro Nacional
para financiar a dívida pública. Em troca de emprestar dinheiro para o governo,
os investidores recebem determinada rentabilidade, que varia de acordo com o
título contratado.

O relatório mensal divulgado pelo Tesouro mostra que Dívida
Pública Federal (DPF) – que inclui o endividamento interno e externo do Brasil
– teve aumento de 1,51% em março chegando a R$ 3,636 trilhões.

Apesar da queda da taxa básica de juros, o título Tesouro
Selic (LFT), cuja rentabilidade segue a variação da taxa Selic, concentra a
maior parte da dívida do Tesouro. Sozinho, representa 31,07% da Dívida Pública
Mobiliária Federal interna (DPMFi), que por sua vez, representa 96,45% do total
da Dívida Pública Federal.

A vantagem desse título, de acordo com o Tesouro, é que o
valor de mercado apresenta baixa volatilidade, evitando perdas no caso de venda
antecipada. Por essa razão, é considerado um título indicado para um perfil
mais conservador. É indicado também para o investidor que não sabe exatamente
quando precisará resgatar seu investimento.

 Fonte: Agência Brasil.

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