Páscoa deste ano deve sofrer retração das vendas no varejo, diz CNC

Postado em: 26-03-2021 às 08h09
Por: Nielton Soares
A confederação estima que será o menor faturamento dos últimos 13 anos, ao em torno de -2,2%, em relação ao mesmo período do ano passado | Foto: reprodução

A expectativa da Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para a Páscoa de 2021 é
de queda nas vendas de 2,2%, em comparação à mesma data do ano passado, que foi
considerada muito ruim, com retração de 28,7%. A data deve movimentar no varejo
do país R$ 1,62 bilhão.

“Se confirmada essa expectativa,
vai ser o menor faturamento em 13 anos. Desde 2008 que o faturamento do varejo
com a Páscoa não é tão pequeno como esse que a gente está esperando”, disse à
Agência Brasil o economista senior da CNC, Fabio Bentes. As estatísticas
mostram que o movimento de vendas da Páscoa é crescente ano a ano até 2019, com
pequenas oscilações, e despenca em 2020. O faturamento caiu de R$ 2,33 bilhões,
em 2019, para R$ 1,66 bilhão, no ano seguinte.

A variação do dólar, que subiu
23% entre a Páscoa de 2020 e a deste ano, explica a expectativa negativa para o
período, que é considerado a sexta data comemorativa mais importante para o
comércio varejista brasileiro, depois do Natal, Dia das Mães, Dia dos País, Dia
das Crianças e Black Friday.

“O dólar ficou 23% mais caro”. E
como a Páscoa envolve produtos importados ou insumos importados, significa que
ou o varejo importava esses produtos e aumentava o preço, ou não importava,
argumentou Fabio Bentes. “E a opção que o varejo fez foi reduzir as importações
este ano, porque o consumidor brasileiro não aguenta um aumento expressivo de
preços, ainda mais para itens não essenciais como esses”.

Com isso, a importação de
chocolates, por exemplo, somou 3 mil toneladas em 2021, a menor quantidade
desde 2013. O mesmo aconteceu com o bacalhau, cuja importação totalizou 2,2 mil
toneladas, menor patamar desde 2009, segundo a CNC.

O economista comentou que “o
varejo não apostou na Páscoa deste ano porque percebia que a situação da
economia e as conjunções de consumo não iam bem. Isso explica a opção por não
importar, em vez de promover reajuste de preços muito acima da média”. A previsão
da CNC para o carro-chefe da Páscoa, que são os chocolates, é de alta no preço
de 7%, de modo geral.

Bentes destacou que a queda de
2,2%, prevista para a Páscoa de 2021, não pode ser analisada isoladamente. Ela
tem que ser contextualizada, levando em consideração o estrago provocado pela
crise do ano passado nessa data comemorativa, em decorrência da pandemia de
covid-19. “Então, uma queda de 2,2% em cima de uma queda de 28%, a gente está
falando de retração de 30% em relação ao que o varejo vendia em 2019”,
observou.

Visão positiva

Ao contrário da CNC, o
levantamento feito pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ)
para o estado do Rio de Janeiro, estima que a Páscoa será mais positiva para o
comércio fluminense, e deverá movimentar R$ 829 milhões, contra R$ 518 milhões
na mesma data do ano passado. A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 18 de
março e contou com a participação de 389 consumidores de todo o estado.

De acordo com a sondagem, cerca
de 8,3 milhões (59,6%) de fluminenses estão com a intenção de presentear na
data, contra 4,8 milhões no ano passado (37,6%). O número de consumidores que
demonstraram intenção de presentear aumentou 22 pontos percentuais de um ano
para outro.

Na Páscoa de 2021, 40,4% dos
entrevistados revelaram que não devem dar presentes. No ano anterior, esse
percentual foi 62,4%. Para o IFec, o levantamento mostra uma melhora em relação
à fase aguda da pandemia, mas ainda abaixo dos resultados pré-pandemia,
observados em 2019.

Os itens que devem ser mais
procurados são ovos de chocolate (59,4%), bombons (51,8%) e barras de chocolate
(46,7%), seguidos por bichinhos de pelúcia (6,1%), cesta de Páscoa (5,1%) e
colomba pascal (4,6%). Cada consumidor deve gastar, em média, R$ 99,70, valor
que se manteve praticamente estável se comparado à 2020. Dos que pretendem
presentear, 53,8% manifestaram a intenção de dar mais uma opção.

Questionados sobre onde farão
suas compras, a maior parte dos consultados respondeu que se dividiria entre
lojas físicas e online (60,4%), seguindo-se só loja física (26,4%) e só online
(13,2%).

Crescimento

De acordo com estimativa do Clube
de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do
Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), o comércio varejista
espera crescimento de 1% nas vendas para a Páscoa, a primeira data comemorativa
do ano para o setor. Na mesma data de 2020, no início da pandemia do novo
coronavírus, o comércio carioca registrou queda de 38% nas vendas. Juntos, o
CDLRio e o SindilojasRio, representam mais de 30 mil lojistas.

Segundo informou o presidente das
duas entidades, Aldo Gonçalves, a Páscoa não se restringe mais à venda de ovos
de chocolate e caixas de bombons, mas se expandiu para o varejo dos setores de
brinquedos, vestuário, calçados e bolsas, papelaria, perfumaria e cosméticos,
joias e bijuterias, eletrodomésticos, utensílios para o lar e telefones
celulares

Aldo Gonçalves afirmou que, nos
últimos anos, “o comércio passou a apostar na Páscoa como um novo filão de vendas,
oferecendo outros produtos além de chocolates, atraindo a atenção não apenas
das crianças, mas também dos adultos, dos casais e dos namorados”. (ABr)

 

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