Economia registra freio na alta dos preços

Confira a coluna econômica, desta terça-feira (13/04), por Lauro Veiga | Foto: Reprodução

Postado em: 13-04-2021 às 07h45
Por: Augusto Sobrinho
Confira a coluna econômica, desta terça-feira (13/04), por Lauro Veiga | Foto: Reprodução

Lauro Veiga

O freio na demanda, imposto pelo desastre sanitário enfrentado por todo o País desde o começo do ano, impôs uma parada virtual nas altas de preços durante as duas semanas finais de março – embora a imprensa em geral tenha registrado, em títulos internos e em manchetes, a taxa de inflação
mais elevada para aquele mês desde 2015. O
lado terrível dessa quase estabilidade nos preços está no custo elevado em vidas pago pelas famílias que perderam pais, irmãos, tios,
sobrinhos e amigos.

Como se sabe, na sexta-feira passada, dia
9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números do Índice
nacional de Preços ao Consumidor
Amplo(IPCA) de março, numa variação de
0,93% para os 30 dias domês passado. Embora
o dado tenha passado quase despercebido, a
taxa foi exatamente a mesma indicada pelo
IPCA-15 de março, aferido entre as duas semanas finais de fevereiro e a primeira quinzena do mês seguinte. Ao que indicam as pesquisas de preços do IBGE, portanto, o índice
inflacionário de março foi quase todo resultado de altas de preços ocorridas nas duas primeiras semanas do mês, já que não se registrou alteração na taxa na quinzena final. 

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A inflação dos alimentos, que respondem
por 21,15% na composição do IPCA, chegou
a atingir 2,54% em novembro do ano passado, recuando para 1,74% em dezembro e para
1,02% em janeiro, anotando desaceleração mais importante em fevereiro (0,27%) e
março (0,13%). Para comparação, o IPCA-15
havia apontado variação média de 0,12%
para os alimentos. As maiores pressões de
alta ficaram concentradas em quatro produtos, todos com preços “regulados” pela Petrobrás ou influenciados por decisões da petroleira, como no caso do etanol, que concorre diretamente com a gasolina.

Alta concentrada

Na verdade, os aumentos nos preços da
gasolina, etanol, diesel e gás de botijão responderam por 82,2% da taxa de inflação observada para todo o mês passado, sempre de
acordo com os dados do IBGE. Em fevereiro,
o mesmo grupo de produtos havia respondido por menos de 52,0% do índice inflacionário, proporção que havia se elevado
para algo já próximo de 80,0% no IPCA-15 de
março. Os preços médios da gasolina, responsável por 64,4% da inflação de março, subiram 11,26% no mês, frente a 11,18% na
quadrissemana encerrada na segunda semana de março e a 7,11% nas quatro semanas de fevereiro. O etanol registrou variação
de 8,06% em fevereiro, mas praticamente dobrou o ritmo de alta entre as duas semanas
finais daquele mês e as duas primeiras de
março, saltando 16,38%. Houve ligeira desaceleração na quinzena final do mês passado, já que os preços apontaram variação
de 12,59% para os 30 dias de março.

Balanço

Os preços do diesel chegaram a apresentar comportamento semelhante, sofrendo elevação de 9,05%
nas quatro semanas de março, saindo de 10,66% no levantamento realizado entre
15 de fevereiro e 14 de março. Mas haviam subido
5,40% em fevereiro, quando
os preços do botijão de gás
anotaram variação de
2,98%. Esses preços saltaram 4,60% segundo o IPCA15 de março e fecharam as
quatro semanas do mesmo
mês subindo 4,98%. 

Desconsiderados esses
quatro produtos, os demais
preços anotaram variação de
0,17% em março, abaixo da
taxa de 0,19% anotada pelo
IPCA-15 daquele mês. Em fevereiro, a variação havia sido
de 0,41%. 

Como a coluna já havia
anotado anteriormente (edição de 29/03/2021), o salto nos
preços dos combustíveis não
parece ter influenciado até
aqui os demais preços na economia, que seguiram tendência de desaquecimento nas últimas semanas. Uma das hipóteses a explicar essa desaceleração sustenta-se precisamente no agravamento da crise determinada pelos recordes
macabros que o País tem acumulado como decorrência do
fracasso nacional no enfrentamento da pandemia.

Nos primeiros 12 dias de
abril, os preços de algumas
commodities centrais vinham
apresentando tendência mais
favorável no mercado internacional sob o ponto de vista
do controle da inflação aqui
dentro. Ao mesmo tempo em
que o mercado de dólar passou a apresentar alguma estabilidade – uma estranha
estabilidade a se levar em
conta o desastre sanitário
instalado no País.

A cotação do petróleo
tipo Brent, mais leve, na média dos 12 dias iniciais de
abril, vinha apresentando recuo de 3,8% frente aos preços
médios registrados lá fora ao
longo de março. O barril saiu
de US$ 65,70 para US$ 63,21.
Um “refresco” de qualquer
modo, depois de um salto de
30,8% acumulado entre dezembro e março. 

No caso do minério de ferro, depois da alta de 13,7%
acumulada neste ano, até
março, considerando as cotações médias registradas no
mercado internacional, os
preços apresentaram certa
estabilidade neste começo de
mês, recuando 1,1% na comparação com março. Embora
o País seja grande produtor e
um dos principais exportadores do insumo, seus preços
são ditados pelo mercado externo e influenciam os custos
dos produtos siderúrgicos
aqui dentro.

A cotação da soja em grão
na Bolsa de Chicago igualmente recuou 0,5% entre
março e os 12 primeiros dias
de abril, atingindo, na média,
perto de US$ 14,07 por bushel
(ainda 16,1% mais alta do
que em dezembro passado).
Os preços do milho, no entanto, subiram mais 2,5% neste início de mês, saltando
31,1% frente a dezembro.

Os preços do alumínio,
matéria-prima importada pelo
País, subiram mais 3,3% na
passagem de março para os
primeiros dias de abril, passando a acumular elevação de
14,4% desde dezembro.  

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