Goiana conquista ouro

No lançamento de dardo, Shirlene Coelho ganha sua 3ª medalha em paralimpíadas

Postado em: 12-09-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
No lançamento de dardo, Shirlene Coelho ganha sua 3ª medalha em paralimpíadas

‘Um ginásio lotado, gritando o meu nome. Eu sou Shirlene Coelho, conhecida pelo público.” Com esta frase, a atleta do lançamento de dardo classe T37, para desportistas com paralisia cerebral, demonstrava toda a empolgação ao conquistar o ouro nos Jogos Paralímpicos do Rio. Ela cravou a marca de 37,57m e virou bicampeã paralímpica. Os cinco lançamentos válidos feitos por ela alcançaram marcas que a permitiriam ganhar a prova.
A trajetória da campeã brasileira passa muito pelo acaso ou pelo destino.“Eu não cheguei ao esporte paralímpico, o esporte paralímpico chegou a mim, me abraçou e não me largou”, diz Shirlene, que nasceu em Corumbá de Goiás.
Em 2005, quando procurou uma organização que ajudasse pessoas com deficiência a entrarem no mercado de trabalho, foi convidada a participar também do esporte e, graças a sua estrutura física, a convidaram para participar do basquete em cadeira de rodas. Ela conseguiu o emprego de assistente geral e a vaga no time, mas desistiu do basquete um mês depois.
“Eu não me adaptei, aí, em 2006, eu fiz um teste no atletismo paralímpico, no lançamento de disco. Com três meses treinando lançamento de disco, eu fui para a minha primeira competição regional em Uberlândia, onde o meu primeiro técnico falou para mim ‘olha disco é a sua prova, o dardo e o peso você vai brincar’. E nesta brincadeira eu conheci o dardo um dia antes de viajar e com esta brincadeira bati o recorde brasileiro na competição, sem ao menos treinar o dardo. Eu peguei o gosto pela coisa e estou aqui hoje”, conta sem esconder o sorriso estampado no rosto.
Continuou mais dois anos no emprego, conciliando os horários de treino com o de trabalho, até conseguir se dedicar apenas à vida de atleta e foi recompensada pela escolha e dedicação. Esta é a terceira medalha de Shirlene em Paralímpiadas. A atleta obteve um ouro em Londres 2012 e uma prata em Pequim 2008.
Ela compete ainda em outras duas provas na Rio 2016, no arremesso de peso e no lançamento de disco. Apesar de não serem a especialidade da atleta, ela diz que está com esperanças. “As duas provas eu vou competir, competindo vamos ver também o que vai acontecer, mas eu treinei também.”

Brasileiro quebra recorde mundial

O atleta brasileiro Petrúcio Ferreira dos Santos, 19 anos, ganhou ontem medalha de ouro nos 100 metros rasos, categoria T47 do atletismo, nas Paralimpíadas Rio 2016. Petrúcio também quebrou recorde mundial da prova, com tempo de 10s57. Na mesma prova, o brasileiro Yohansson Nascimento chegou na terceira posição e ganhou o bronze.
Após a prova, em entrevista à TV Brasil, Petrúcio agradeceu o incentivo da torcida brasileira para conquistar o ouro. “Eu diria que estar participando em casa, com toda essa torcida aqui nos apoiando, eu diria que essa foi a forcinha a mais que a gente estava precisando. Esse apoio, esse incentivo, esse empurrão do pessoal de casa”, comemorou o paraibano.
Yohansson disse que lutou para chegar em segundo lugar e garantir a dobradinha brasileira no pódio, mas sai da competição de cabeça erguida com o bronze. “Eu dei o meu melhor e o mais importante é estar entre os três melhores da competição ao longo desses 11 anos de carreira", disse.
O atleta ainda não decidiu se vai participar da tradicional prova de revezamento por equipes do atletismo. “Fico feliz em saber que a nossa equipe brasileira é uma das mais fortes de todos os tempos do revezamento. Os 400 metros ainda tenho que ver se eu vou correr, porque eu me preparei exclusivamente para correr nesses 100 metros”, destacou.
O Brasil soma agora 21 medalhas nos Jogos Paraolímpicos de 2016 (seis ouros, nove pratas e seis bronzes) e segue na quinta posição do quadro de medalhas.

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Mais de 100 recordes mundiais paralímpicos

Antes mesmo de terminar o quarto dia de competições dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, mais de 100 recordes mundiais paralímpicos já foram batidos. O recorde de número 100 foi batido às 11h51 pelo chinês Benying Liu, nos 50 metros nado livre masculino, com a marca de 54s05. Às 14h13, o total de recordes já estava em 104, após o halterofilista iraquiano Rasool Mohsin ter levantado 227 quilos na categoria masculina de competidores com até 72 quilos.
Até o momento, o primeiro dia de competições (dia 8) foi o que teve maior número de recordes batidos, com 34 registros. No dia 9, outros 31 recordes foram batidos, e no dia 10, mais 24 recordes paralímpicos mundiais. Ontem, já foram batidos 15 recordes até a marca obtida por Mohsin. A expectativa é que esse número fique ainda maior até o fm do dia.

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