Ode ao vinho brasileiro: Viagem pela produção da bebida no país

Postado em: 10-06-2021 às 09h44
Por: Redação
O Cerrado goiano produzir ótimas bebidas do deus Baco. Regiões como a de Paraúna são ideais para o cultivo da videira | Foto: Reprodução

Por Edna Gomes

A melhor maneira de descrever o período que estamos passando na pandemia: gritos internos. Às vezes, acordo disposta e produtiva, em outras, triste, pensativa, tensa, sem rumo. Nesses dias — mais frequentes, tenho de confessar — tento escrever poesias, mas não consigo. Comprei tinta para pintar meu apartamento, mas minhas paredes continuam brancas. Aí, tento arrumar os armários e em vez de ficar fácil encontrar cada peça, eu misturo as misturo ampliando a bagunça. Vou para a Netflix e percebo que já vi as melhores séries, passando algumas na velocidade máxima, só vendo o final.

Meus leitores, alguns devem estar tristes neste momento ou alegres na companhia da família, confiante que tudo vai passar. As pessoas estão sendo vacinadas lentamente, propiciando esperança. Lembre-se: ninguém é feliz sozinho. Sempre tem um amor, um amigo ou uma taça de vinho.

Há pensamentos que só se escuta dentro de uma taça de vinho, porque não há melhor túmulo para a dor com os olhos cheios de languidez. Somos todos humanos e quanto ao destino: iguais com o mesmo fim caótico, irrefutável. Meu pai, que era um nobre, porém indouto, dizia: “Não devemos guardar para amanhã o prato feito para o dia de hoje”.  Que a vida é efêmera e sem garantias de final feliz, todos sabem, mas o que mais agrada aos seres humanos — isto de forma generalizada —, é ser juiz da vida dos outros. Alguns fazem publicamente seus julgamentos, outros preferem o anonimato, mas em comum condenando o outro.

Quem era contra a vacina, toma escondido, porque sabe que não tem alternativa. Só sei de uma coisa: neste momento, a única garantia para termos o retorno normal de nosso modo de vida, é acreditar na ciência. Não podemos acreditar em políticos demagogos e ignorantes, mas naqueles homens públicos que pregam preservar, pensar no coletivo, tudo vai passar e se vacine!

Nunca estivemos tão longe uns dos outros e ao mesmo tempo tão separados. Por incrível que pareça, nunca tivemos tanta possibilidade de estar perto e dar tanta importância ao abraço, ao beijo, ao carinho, aos amigos, na família.

Que Impotência meu Deus! Querer e não poder, sentir e não exalar, cantar e não ritmar, amar e não poder tocar. Estamos em um novo tempo. Agora é hora de revermos nossos conceitos, olhar para dentro, pedir perdão, perdoar, ter coragem de amar de verdade sem preconceitos e não ter medo de dizer “eu te amo”: É chegada a hora de sermos solidários, olhar o mundo com essência na alma, retornar mensagens que ficaram perdidas e fazer declarações sinceras, mesmo que machuque. Não podemos mais perder tempo com pessoas insensíveis.

Confesso que nesta pandemia, estou cansada de viver tudo todo dia. Um cansaço introspectivo. Este cansaço me fez ter um olhar macro para a vida, perceber que posso fazer mais pelo outro e de ter a percepção da grandeza do amor. Infelizmente a vida perdeu a garantia. O único sentido de estarmos vivos hoje é de sermos grandes, nutrirmos nossa alma de amor e sermos grandes em nossa essência. Estou vivendo diferente, mas minhas atitudes ainda podem  ser repensadas e fazer a diferença.

Da Serra Gaúcha aos vinhedos do Cerrado

Sendo assim eu tinha preconceito sobre os vinhos brasileiros, mas nesta pandemia eu fui pesquisar sobre os vinhos brasileiros e fiquei encantada. Não é segredo que amo vinho. Bebo minha tacinha sagrada todos os dias e não abro mão disso. Mas, no empório, passava reto pela prateleira de rótulos nacionais porque não tinha nenhuma vontade de prová-los. Se você faz parte desse time, está na hora de conhecer melhor o que temos por aqui. Certeza que vai rever seus conceitos. Porque vou lhes dizer: temos muitos vinhos interessantes em nosso País, principalmente o espumante que tem sido sucesso mundo afora.

A Serra Gaúcha e Santa Catarina, por exemplo, além de investirem em tecnologia de ponta e bons profissionais, tem fatores climáticos perfeitos para a produção de espumantes de qualidade, como amplitude térmica elevada que é a variação de temperatura entre o dia e a noite. Em Goiás, na região de Paraúna, temos clima e terroir para produzir bons vinhos. Sim, no Cerrado produzimos ótimas bebidas do deus Baco. Regiões com essa característica são ideais para o cultivo da videira. O calor durante o dia faz com que a uva amadurece corretamente, enquanto o frio da noite permite que a videira descanse e faz com que as frutas retenham acidez e frescor.

Mas não só os espumantes merecem atenção. A produção de vinhos tranquilos – que é como chamamos – também já é notável e vem conquistando diversos prêmios internacionais.

Quanto aos preços, é verdade que, por culpa da alta carga tributária, muitas vezes não são menores que os importados. Se você se animou, minha dica é: não se prenda só aos rótulos que você encontra nos empórios. Tem muito vinho incrível que você ainda não conhece sendo produzido em todo o Brasil. Atualmente encontramos vinhos produzidos não só no Sul, mas em São Paulo, no Vale de São Francisco, Minas Gerais, Paraná e até no Rio de Janeiro (!). A maioria dos produtores vende diretamente para o consumidor final, basta entrar nos sites das vinícolas, realizar a compra e você receberá suas garrafas no conforto da sua casa. Se abra ao novo, se permita, pesquise, prove, procure as novidades — e tire suas próprias conclusões. Posso garantir que vai valer a pena. Essa é uma causa que abraçarei a partir de agora. O motivo é simples: o vinho nacional merece. (Epecial para O Hoje)

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