Festival celebra cinema com 200 filmes gratuitos

O evento homenageia o cineasta Glauber Rocha, morto a 40 anos, com o polêmico curta ‘Di Cavalcanti Di Glauber’

Postado em: 14-08-2021 às 09h17
Por: Lanna Oliveira
O evento homenageia o cineasta Glauber Rocha, morto a 40 anos, com o polêmico curta ‘Di Cavalcanti Di Glauber’ | Imagem: Reprodução

Com dez dias de duração, começa no dia 19 de agosto o Festival Curta Kinoforum. Considerada a casa dos festivais, a InnSaei.TV reúne 200 filmes, de 39 países e de diferentes gêneros. A programação faz parte da comemoração de aniversário do espaço e apresenta obras premiadas em Cannes, homenagem a Glauber Rocha, produções de diretoras indígenas, entre outras. De forma gratuita, a 32ª edição ocorre de forma virtual e conta com a organização da Associação Cultural Kinoforum e tem direção de Zita Carvalhosa.

O evento é considerado um dos maiores e mais tradicionais festivais dedicados ao formato curta-metragem no mundo. A produção brasileira está representada por um total de 116 títulos. Estão presentes ‘Céu de Agosto’, obra recém-premiada no Festival de Cannes e que tem no elenco Gilda Nomacce, ‘Ela Que Mora no Andar de Cima’, estrelado por Marcelia Cartaxo, o amazonense ‘Seiva Bruta’, com Luiz Carlos Vasconcelos no elenco e eleito como melhor curta-metragem latino-americano no prestigioso Directors Guild of America (DGA), entre outros.

Há também entre as produções brasileiras filmes que abordam a pandemia, como em ‘República’ de Grace Passô, ‘Monumento ao Wi-fi’ de Gustavo Vinagre, ‘Gilson’ de Vitoria Di Bonesso, ‘República das Saúvas’ de Piero Sbragia e ‘Janelas Daqui’ de Arthur Sherman e Luciano Vidigal. Estão programadas obras assinadas pelos renomados cineastas, como Evaldo Mocarzel com ‘O Menino, O Sabiá e o Rato’, Petrus Cariry com ‘Foi um Tempo de Poesia’, Rafael Conde com ‘O Suposto Filme’ e Sylvio Lanna com ‘Nova Pasta. Antigo Baú’.

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A representação latino-americana soma 19 filmes, produzidos em nove países da região. Entre os destaques está ‘Correspondência’, o mexicano ‘A Felicidade do Motociclista Não Cabe em Sua Roupa’, ‘Quem Diz Pátria Diz Morte’, que focaliza os recentes distúrbios políticos e sociais no Chile, o uruguaio ‘Blanes Esquina Müller’, vencedor do prestigioso festival Bafici de Buenos Aires, o mexicano ‘O Sonho Mais Longo de Que Me Lembro’, selecionado para o Festival de Sundance e ‘A Montanha Lembra’, que venceu uma competição internacional do festival.

Entre os destaques internacionais da programação estão ‘Estrela Vermelha’ do diretor e ator francês Yohan Manca, e obras premiadas no Festival de Clermont-Ferrand: ‘Irmãs’ (Estônia), ‘Nadador’ (Suécia) e ‘Ônibus Noturno’ (Taiwan). A programação inclui ainda ‘Viagem ao Paraíso’ (Vietnã), ‘Passagem’ (Alemão), ‘O Cordeiro de Deus’ (Portugal) e ‘Dustin’ (França), ambos selecionados para o Festival de Cannes. Estão presentes ainda duas elogiadas produções africanas, ‘Chega Para Lá’ (Ruanda) e ‘O Paraíso Desce à Terra’ (África do Sul).

Programação especial e homenagens

O evento celebra também a cultura indígena, com uma mostra dedicada a mulheres cineastas. As produções feitas por jovens das periferias ganham espaço nos programas ‘Diálogos’: André Novais Oliveira e Lincoln Péricles, Cine Social Club e Kinolab Tela Digital. Completam a programação a Mostra Limite, dedicada à experimentação e reinvenção, a Mostra Noturno, com filmes fantásticos e de horror, Mostra Infantojuvenil, focada no público dessas faixas etárias, e os programas Christian Petzold e a Escola de Berlim e Experimenta: Duo Strangloscope.

Doze encontros discutem temas como o cinema das mulheres indígenas, o filme de curta duração no streaming, o cinema realizado nas periferias brasileiras e as produções de cursos audiovisuais durante a pandemia. Participam nomes como os cineastas Graciela Guarani, Paulo Caldas e Kleber Mendonça Filho, o compositor Livio Tragtenberg, o filósofo Pablo Ortellado e Bernard Payen, da Cinemateca Francesa. O festival realiza também uma oficina de crítica cinematográfica e uma gincana audiovisual com escolas e cursos superiores.

Exibições especiais marcam os 20 Anos de Oficinas Kinoforum de Realização Audiovisual, com apresentação do o filme ‘Sobre Olhares – Oficinas Kinoforum’, os 40 anos da morte do cineasta Glauber Rocha, com o polêmico curta ‘Di Cavalcanti Di Glauber’ (1976), e o centenário de nascimento do realizador francês Chris Marker, através da programação do seminal ‘La Jetée’ (1962). A influência deste último em curtas-metragens brasileiros ganha um programa que inclui ‘Vinil Verde’, de Kleber Mendonça Filho, e ‘Juvenília’, de Paulo Sacramento.

E para finalizar a sequência especial do evento, a programação presta homenagem à montadora e professora Vânia Debs, falecida no último mês de junho. São exibidos curtas clássicos em que a profissional atuou, como ‘Verão’, de Wilson Barros, ‘A Garota das Telas’, de Cao Hamburger, ‘O Crime da Imagem’, de Lirio Ferreira, ‘Clandestina Felicidade’, de Marcelo Gomes e Beto Normal, e ‘Morte’, dirigido por José Roberto Torero e protagonizado por Paulo José e Laura Cardoso. 

O festival é organizado pela Associação Cultural Kinoforum e tem direção da produtora cultural Zita Carvalhosa. Segundo ela, o festival este ano “comprova o vigor da produção no formato curta-metragem: mesmo em plena pandemia, recebemos 2.800 inscrições, sendo 600 só de obras brasileiras. O desafio foi montar uma programação com diferentes recortes de tempo e lugares, de vozes e territórios, para todas as idades e gostos. Acima de tudo, o objetivo foi o de criar um evento que celebre a criatividade e a vida”.

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