Ruínas do Antigo Arraial de Ouro Fino vão receber obras de estabilização

Postado em: 03-12-2021 às 09h55
Por: Redação
Após a intervenção, as ruínas irão integrar o caminho de Cora Coralina, transformando-as em ponto de visitação | Foto: Reprodução

Por Elysia Cardoso

Ruínas que se misturam à paisagem de um passado eternizado são as do Antigo Arraial de Ouro Fino, localizadas na região da cidade de Goiás (GO). Elas revelam capítulos da história do território goiano, com memórias contidas hoje nos sítios arqueológicos de um povoado que desapareceu, restando apenas recordações e as histórias contadas das famílias que ali moravam.

Fundado por Bartolomeu Bueno da Silva Filho, em 1727, em meados do século XVIII, o Antigo Arraial de Ouro Fino registrado na canção Chico Mineiro, de Tonico e Tinoco, foi uma localização importante na época da busca pelo ouro no rio Uru e córrego de praia. O local já contou com dezenas de construções no seu perímetro urbano, mas ao passar dos anos entrou em processo de abandono e arruinamento.

Dado o valor histórico e de modo a preservar essas ruínas, a partir de agora elas receberão obras conduzidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da superintendência em Goiás, em atividades que vêm promover o seu escoramento estrutural e a consolidação como atrativo turístico.  No total, serão investidos R$ 330 mil na intervenção, recurso proveniente de medida compensatória de ajustamento de conduta relacionada ao licenciamento ambiental.

O termo de compromisso assinado no dia 25 de novembro, com empresa do ramo imobiliário, prevê uma série de atividades para a preservação das ruínas. As ações visam estabilizar e escorar as estruturas desagregadas, executar injeção de argamassa para consolidação das alvenarias, reparar pontos de infiltração e realizar tratamentos com fins de evitar novos registros de umidade. Além disso, as ruínas irão receber cobertura provisória, uma vez que se encontram expostas às intempéries, e prospecções arquitetônicas para determinação de técnicas construtivas. Ao final, a empresa deverá apresentar o relatório de avaliação técnica.

O arqueólogo do Iphan-GO, Danilo Curado, explica que ruínas são originadas a partir do processo de deterioração e abandono de uma construção. “As [ruínas] do Antigo Arraial de Ouro Fino são consideradas no campo da arqueologia uma representação materializada da história, são vestígios de um passado. Com certeza cabe ao Iphan oferecer o devido tratamento a essas ruínas, de modo a preservar as nossas raízes. Após a intervenção, elas vão se tornar ponto de visitação”.

A empresa tem até 15 dias para apresentar ao Iphan-GO o projeto executivo contendo as atividades relacionadas. As ações estão previstas para serem finalizadas em até três meses, após o início dos trabalhos em campo.  

Rota Turística

As Ruínas do Antigo Arraial de Ouro Fino, após as ações de preservação, irão compor os 300 quilômetros do Caminho de Cora Coralina, trilha que atravessa as cidades históricas de Corumbá de Goiás, Pirenópolis, São Francisco de Goiás, Jaraguá e a cidade de Goiás, além de abranger também os municípios de Cocalzinho de Goiás, Itaguari e Itaberaí.

O caminho que homenageia a poetisa Cora Coralina é composto por cidades históricas e paisagens que tem como objetivo interligar os municípios, povoados, fazendas e atrativos, passando por antigos caminhos, numa rota turística para caminhantes e ciclistas.

“As Ruínas do Antigo Arraial de Ouro Fino são parte da nossa história e o Iphan vai preservar para que elas perpetuem por gerações. Vamos salvaguardar a nossa cultura, a memória, e com isso beneficiar também o turismo nas regiões”, explica o superintendente do Iphan-GO, Allyson Cabral.

Essa é a primeira ação realizada nas Ruínas do Antigo Arraial de Ouro Fino e outros projetos já estão a caminho. “O Iphan já vislumbra uma outra intervenção no local, quando será adicionada uma cobertura total e permanente nas ruínas, cercamento definitivo, placas de sinalização e passarelas que vão integrá-las definitivamente ao caminho de Cora Coralina. São ruínas que jamais serão esquecidas”, enfatiza o superintendente. (Especial para O Hoje)

Compartilhe: