‘Não Olhe Para Cima’: Entenda o filme que está dominando as redes sociais neste final de ano

Postado em: 29-12-2021 às 08h38
Por: Redação
Novo sucesso de público da Netflix, com Meryl Streep é uma sátira da situação atual do planeta | Foto: Reprodução

Por Elysia Cardoso 

‘Não Olhe para Cima’, com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence e Meryl Streep, estreou na Netflix entrando na lista das produções mais vistas da plataforma e com apenas quatro dias de lançamento já está no top 10 Brasil. O sucesso não é à toa. O longa de Adam Mckay é uma crítica ácida a tudo que tira muita gente do sério esses dias, dos negacionistas das mais variadas vertentes aos políticos sem qualquer compromisso com nada que não seja o próprio interesse, da cultura de celebridades ao consumo midiático frenético. 

Ou seja, um prato cheio para quem quer desopilar a raiva acumulada nos últimos tempos, em uma diversão tipicamente americana. A trama narra a história do professor Randall Mindy (DiCaprio) e sua estudante de doutorado Kate Dibiasky (Jennifer). Ambos são astrônomos na mesma universidade e  descobriram um cometa que está a caminho da Terra. Depois de verificarem sua trajetória de todas formas possíveis, eles comprovam que o impacto com o planeta é inevitável. A partir daí a dupla tenta levar a verdade ao mundo.

Também se faz presente uma presidente negacionista inspirada em Donald Trump (Meryl Streep), tiktokers famosos (Ariana Grande) e por aí vai. O filme também faz uma amostra de como homens e mulheres são tratados nas redes sociais. Pronto, a cientista viraliza nas redes sociais como “a louca do fim do mundo”. Todo tipo de montagem e de memes são feitos sobre ela, que é transformada em demônio e em bichos. Enquanto isso, o professor vira imediatamente o ‘cientista sexy’. Vai parar em capas de revistas como o homem do ano e mulheres caem em cima dele. Já ela é xingada nas ruas.

Problemas reais 

O paralelo mais evidente é com a crise climática, mas o filme serve também como crítica mais ampla a uma sociedade em que opiniões e versões valem mais do que fatos comprováveis. Um mundo que na vida real é ameaçado pelo aquecimento global e por uma grave pandemia de covid-19 e mesmo assim vê florescer o negacionismo, a desinformação e a polarização de assuntos técnicos.

A personagem Kate vem sendo comparada com a cientista Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, por causa de sua indignação diante da indiferença na pandemia. “Foi impossível assistir ao filme e não me sentir representada. O filme retrata a incapacidade das pessoas, sejam cidadãos comuns ou governantes, de reagir de maneira racional à emergência”, escreveu Pasternak em resenha publicada no site Questão de Ciência.

Chamado de ‘alarmista’ no início da pandemia de Coronavírus no Brasil, em março de 2020, ao dizer que a pandemia poderia se estender por anos, o microbiologista e divulgador científico Átila Iamarino vem sendo comparado ao personagem de DiCaprio, que no início do longa tenta mostrar que havia ‘100%’ de chance de o cometa destruir a Terra. “Assistindo Don’t Look Up e desconfortável com o quão próxima da realidade é essa ficção”, escreveu o cientista no Twitter.

Gurus da tecnologia 

Além de toda a crítica feita em torno do poder tomado por políticos negacionistas e suas famílias, o roteiro de ‘Não olhe para cima’ também faz um julgamento aos gurus da tecnologia que agora vendem soluções extraplanetárias. O personagem Peter Isherwell (Mark Rylance), que é o criador do celular BASH, do qual ele se orgulha de ser capaz de prever como as pessoas vão morrer, é um mix de Jeff Bezos e Elon Musk.
Hoje, Bezos e Musk trabalham para a consolidação do turismo espacial e de acordo com entrevistas de ambos os empresários a empreitada está sendo um sucesso. O roteiro do longa não alivia para tais personagens e para o modo de produção capitalista como um todo: seja um cometa, seja o coronavírus, o lucro sempre virá antes das pessoas.

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