Dj Alok é acusado de não creditar e não remunerar produtores por aproximadamente 14 canções de sucesso do artista

O duo americano Sevenn, formado pelos irmãos Sean e Kevin Brauer, foi criado no Rio de Janeiro na comunidade Meninos de Deus

Postado em: 27-01-2022 às 09h15
Por: Lanna Oliveira
O duo americano Sevenn, formado pelos irmãos Sean e Kevin Brauer, foi criado no Rio de Janeiro na comunidade Meninos de Deus | Foto: Reprodução

Esta semana o universo da música eletrônica ficou balançada pelo rompimento de uma das parcerias de mais sucesso do mercado. O DJ goianiense Alok foi acusado de não pagar os produtores brasileiros-americanos Sean e Kevin Brauer, dupla de irmãos conhecida como Sevenn, por seus supostos trabalhos em pelo menos 15 faixas, incluindo os hits ‘Fuego’, ‘Favela’ e por fim, ‘Un Ratito’ em parceria com Juliette, Luis Fonsi, Lunay e Lenny Tavarez, no qual o videoclipe foi retirado do YouTube após a reinvindicação autoral da dupla.

Filho e irmão de DJs, Alok sempre esteve envolvido com a música eletrônica. Nascido em Goiânia e criado pelo mundo, ele carrega várias referências dos lugares onde passou. No início ligado ao subgênero ‘Psy Trance’, um ritmo mais pesado, hoje se dedica ao que ele mesmo denominou como ‘Brazilian Bass’. Considerado o ‘pai do Brazilian Bass’, o ritmo virou sua marca registrada, e o produtor passou inclusive a divulgá-lo no exterior. E de acordo com o próprio Alok, o apelido para o gênero surgiu diante da dificuldade que todos têm para definir o seu som.

Desde 2016, quando assinou um contrato com a gravadora holandesa Spinnin’ Records, que ganhou notoriedade. Foi com o lançamento da canção ‘Hear Me Now’ com Bruno Martini e do cantor e compositor Zeeba, que alcançou sua projeção internacional, com a música entrando em paradas de vários países. Considerado um dos grandes nomes da música mundial, tudo que gira entorno de sua vida pessoal e profissional gera especulações e desta vez não seria diferente com a acusação do duo Sevenn.

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Sean e Kevin Brauer, a dupla de irmãos conhecida como Sevenn, falam sobre o que eles chamam de “relacionamento comercialmente abusivo e unilateral” com Alok. Os irmãos Brauer, que foram criados no Rio, na comunidade religiosa Meninos de Deus, disseram à Billboard que trabalharam como “produtores fantasmas” em pelo menos 14 faixas para o DJ brasileiro e não receberam nenhum crédito, royalties de publicação ou remuneração. Os irmãos também reivindicam que eles, e não o Alok, criaram o estilo deep-house ‘Brazilian Bass’.

A parceria dos DJs começou em 2015 e os irmãos Brauer dizem que o DJ Alok inicialmente os ajudou, e que ficaram felizes em retribuir o favor. Até que começaram a perceber que ele estava lucrando enormemente com o trabalho do duo sem oferecer nada substancial em troca. Segundo estimativa, caso o Alok seja responsabilizado, a idenização pode chegar a mais de US$ 1,3 milhão se os royalties de execução em outros serviços digitais e rádio forem levados em consideração.

Na última sexta-feira (21), Alok usou os Storys do Instagram para rebater acusações. Ele afirmou ter conhecimento da matéria da revista e está sendo ameaçado há algum tempo. “Eu não vou ceder a nenhum tipo de ameaça, até porque eu não tenho nada a esconder”, disse. Alok ainda complementou que o duo Sevenn sempre foi parceiro durante as produções. Porém, o DJ brasileiro alegou que a dupla está sendo mal direcionada e que ele nunca havia recebido nenhuma notificação por parte do duo em relação à denúncia.

Alok produz músicas desde os 12 anos e ressaltou em vídeo que nunca teve problemas com ninguém, além de alegar ter participado dos maiores sucessos do Sevenn e também nunca ter sido creditado. Ele explicou que o papel do duo Sevenn, na verdade, era masterizar as músicas, processo de finalização que adapta o hit às plataformas musicais. “Eu sempre pagava pelas ‘masters'”, afirmou. Alok terminou alegando que a matéria é resultado de uma série de ameaças por parte do empresário Marcos Araújo, dono da Audiomix. O DJ havia reincidido o contrato com a gravadora e, segundo o artista, o fato não foi aceito pelo empresário.

Por meio dos seus advogados, Marcos Araújo afirma que “tomará as medidas judiciais cabíveis no âmbito cível e criminal para repreender a conduta ilegal do DJ Alok”. Sean e Kevin Brauer também usaram o Instagram para responder os Storys do DJ. Segundo Kevin, Alok tem conhecimento sobre a matéria de denúncia desde o dia 10 de novembro e não havia dado a sua versão. Dentre vários argumentos, sobre a música ‘Un Ratito’, Kevin afirmou que o hit não teve autorização por parte dele para ser lançado.

Muito provavelmente esses debates irão ainda bem longe, mas não se pode negar que, independentemente de quem seja as músicas, elas fizeram história. O mundo conheceu as misturas feitas originalmente com influências brasileiras e colocaram o País no mapa da música eletrônica. Um movimento que conta com grandes nomes como Vintage Culture, Cat Delears, Anna, Gui Boratto, Bruno Martini, entre outros que fazem a história acontecer. Ao final de tudo, os votos são que a música brasileira continue chegando nos quatro cantos do mundo.

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