Páscoa dá destaque para o chocolate, que ganha um toque de sabor se acompanhado de um bom vinho

Postado em: 15-04-2022 às 08h55
Por: Redação
O sommelier Artur Belati revela as melhores escolhas na hora de harmonizar sabores tão distintos | Foto: reprodução

Por Lanna Oliveira

Ressurreição, renovação e renascimento são os sentimentos que permeiam a Páscoa. Uma celebração da tradição do cristianismo, a data relembra os últimos atos da vida de Jesus Cristo. Mas ao longo dos anos o feriado agregou outros significados e símbolos, um dos mais marcantes e mais procurado é o chocolate. Este, seja o tradicional ovo, seja de colher, na caixa ou em barra, faz a alegria da culinária sazonal. Mas eu te pergunto, você já imaginou outras possibilidades para apreciar a guloseima?

Páscoa é sinônimo de ovos de chocolate e ninguém vê a hora de saborear essas delícias. O que pouca gente se lembra é que eles ganham um toque de sabor se acompanhados de um bom vinho. Isso porque a prática de harmonizar a bebida com pratos salgados já é bastante comum, enquanto que com doces é pouco usual. Vale ressaltar que, além de deliciosa, a combinação de vinho e chocolate é benéfica para a saúde, por ambos serem ricos em flavonóides e polifenóis, que ajudam a combater o envelhecimento. 

Deu para ver que motivos não faltam para saborear essa combinação, não tem como essa junção ter um resultado diferente do que uma experiência gastronômica marcante. Mas para que ela seja o mais agradável possível ao paladar, é essencial buscar equilíbrio e complementação entre os sabores dos alimentos e bebidas, ou seja, harmonizar os elementos. Isto implica em uma equação entre sabor, teor de gordura e açúcar, que o sommelier da Grand Cru Goiânia, Artur Belati, ajuda a resolver. 

“Quanto mais doce for o chocolate, mais doce o vinho deverá ser para que a experiência não se torne ‘cansada’ e estimule a próxima mordida”, orienta Artur. Outra dica é combinar bebidas com boa acidez, que limpam a untuosidade deixada pelo chocolate. Para cada tipo, há uma indicação. Com o chocolate ao leite, que é mais doce e gorduroso, a sugestão é que seja acompanhado de um vinho do estilo do Porto jovem, que trará notas de frutas vermelhas e mesma intensidade de açúcar. O Niepoort Ruby é um exemplo. 

Já com o branco, feito a partir da manteiga de cacau, são duas possibilidades. Vinhos brancos de colheita tardia, que além do dulçor, possuem uma acidez vibrante que limpará o paladar, como o Kracher Spatlese, fabricado na Áustria. Outra sugestão é o espumante Nocturno Moscatel, que trará a refrescância das bolhas para neutralizar a manteiga. Com menos gordura e mais cacau, o chocolate meio amargo permite a combinação com vinhos tintos secos, encorpados e com taninos redondos. 

Um bom vinho para esta combinação é o San Marzano Taló Primitivo de Manduria, um rótulo com características similares ao chocolate meio amargo. O do tipo amargo também permite arriscar os vinhos tintos encorpados, como os das uvas Cabernet Sauvignon e Tannat. Apesar das regras e sugestões, o sommelier Artur Belati, que atua na área desde 2017, lembra que cada paladar é único e subjetivo. “Por isso, sugerimos que aproveite essa data para experimentar novos sabores e combinações ousadas”. 

O começo de tudo

A Páscoa é uma celebração da tradição do cristianismo que relembra os últimos atos da vida de Jesus Cristo. Essa festa surgiu sob influência de uma celebração judaica, chamada ‘Pessach’, que acontece no mesmo período. A Páscoa ocorre como lembrança da prisão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo. É a celebração mais importante do calendário religioso do cristianismo e é um período aguardado com muita expectativa pelos fiéis. A data é móvel, e seus critérios de definição foram estabelecidos pela Igreja Católica no século IV d.C.

A Páscoa cristã é um evento religioso que surgiu com base na ressignificação de uma festa realizada pelos judeus na Antiguidade e celebrada até hoje. Trata-se da Pessach, celebração judaica que significa ‘passagem’ e é vulgarmente conhecida como ‘páscoa judaica’. Essa festa acontece em obediência a uma ordem de Javé e relembra aos judeus a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Na narrativa bíblica (Exôdo, capítulo 12), a Páscoa foi instituída como uma ordem de Javé antes da passagem do anjo da morte pelo Egito. 

Essa foi a décima praga egípcia, e, após a passagem do anjo da morte e da morte dos primogênitos naquele lugar, os hebreus foram libertos da escravidão. Essa tradição consolidou-se entre os judeus e com o surgimento do cristianismo, os fiéis adeptos dessa religião deram novo sentido à celebração em homenagem ao sacrifício de Jesus. Assim, os judeus celebram a libertação da escravidão do Egito, e os cristãos, a crucificação e ressurreição de Jesus, eventos chamados pelos últimos como Paixão de Cristo.

(Especial para O Hoje)

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