Documentário goiano aborda vulnerabilidade de ribeirinhos do Pantanal sul-mato-grossense

Postado em: 27-04-2022 às 08h54
Por: Redação
Filme foi produzido durante expedição que levou serviços essenciais às comunidades de difícil acesso do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul | Foto: Divulgação

Por Elysia Cardoso

A pesca é uma das atividades mais antigas desenvolvida pelo homem. Além de prover a ele alimentação fresca e nutritiva, garante outros recursos necessários à subsistência por meio da troca ou venda do pescado. Mas e quando a sobrevivência de uns impacta negativamente a sobrevivência de outros? Esse tema e outras questões serão debatidas hoje (27), na exibição e discussão do documentário ‘À Margem’, realizado pelo YouTube às 20h. 

Gravado em meados de 2015, o longa-metragem contextualiza a dicotomia existente na região em que, por um lado, populações tradicionais do Pantanal lutam pela garantia da terra e o direito à pesca para sobrevivência de seu povo e sua cultura e, por outro, ONGs ambientais defendem que o compromisso com a proteção ambiental exige a proibição da pesca e o afastamento de qualquer tipo de presença humana dentro de áreas de conservação. Neste contexto, o filme aborda as contradições e desafios para condução de uma política de conservação ambiental inclusiva.

Em entrevista ao Essência, o diretor Igor Caldas conta sobre como estruturou sua pesquisa para a realizar a direção do projeto. “Na época comecei a procurar pesquisas científicas nas universidades sobre diferentes áreas do local. Tinha essa questão de embates sócio ambientais e a partir deste ponto realizei um pré-roteiro do que eu iria encontrar no local. E a partir do que eu observei no local o roteiro foi se desenvolvendo”, relembra.

Sobre a dualidade presente na obra, Caldas aponta: “No filme abordamos os dois lados, pois são os principais pontos que tensionam a situação dos ribeirinhos. Não dá para falar deles e dos problemas que eles enfrentam sem falar do outro lado”. Esse foi o fator principal que despertou o olhar do editor na expedição que levou serviços essenciais às comunidades de difícil acesso do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, percorrendo o Rio Paraguai, no Pantanal.

Um fator destacado pelo diretor na entrevista, é de que o filme foi produzido em 2015, e hoje, em 2022, a situação se encontra a mesma. Pelo menos três comunidades ribeirinhas da região do Pantanal Sul sofrem problemas socioambientais semelhantes aos que são denunciados pelo filme documentário. São elas: a Área de Proteção Permanente Baia Negra – Ladário (MT); Porto Esperança – Corumbá (MS) e Barra de São Lourenço – Corumbá (MS). Sendo assim, se faz a urgência de soluções para o impasse.

Questionado sobre o impacto positivo que projetos como  ‘À Margem’ para a conscientização da  população brasileira, Igor reforça: “Acho que o trabalho que foi feito neste filme é uma realidade que acaba se repetindo em outras regiões do País. Essa situação é bem parecida com as situações que as populações tradicionais enfrentam em outros lugares. Afinal, se trata de uma dicotomia entre homem e natureza”.  

Participação de especialistas

A exibição do filme e discussão a respeito do tema, com participação de especialistas, será realizada de forma virtual no canal do Youtube da produtora audiovisual Moment, que editou a obra. A obra foi viabilizada pela lei Aldir Blanc e o evento foi idealizado pelo jornalista Raphael Bezerra da Silva que foi responsável pela produção executiva e realizará a mediação da discussão online.

A discussão sobre o tema contará com a participação de especialistas como o professor da Universidade Federal do Oeste do Pará Nirson Medeiros da Silva Neto, que possui pós-doutorado pelo Departamento de Psicologia Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo, além de doutorado em Ciências Sociais na área de Antropologia e lidera o grupo de pesquisa “Justiça restaurativa, construção de paz e bem viver: estudos em torno da Amazônia brasileira”. 

Além de Nirson, também haverá participação do professor da Universidade Federal de Pelotas, doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Jorge Eremites, que acumula experiência em trabalhos com comunidades indígenas há décadas, sobretudo entre os Guató, Terena, Kaiowá, Guarani (Avá Guarani), Nambikwara (Katitaurlu do Vale do Sararé) e Fulni-ô do Santuário dos Pajés, e ainda com algumas comunidades quilombolas nas regiões Centro-Oeste e Sul do Brasil. Atualmente, realiza pesquisas junto a comunidades Guató na região do Pantanal.

Outras participantes da discussão serão a juíza federal lotada na Turma Recursal dos Juizados Especiais da Justiça Federal do Mato Grosso do Sul e professora na Unigran e pesquisadora dos direitos da Natureza, Raquel Domingues do Amaral. A artesã, educadora social e anciã indígena Guató Catarina Ramos Guató, representará as comunidades tradicionais do Pantanal Sul no debate.

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