Gravadora relança clássicos da música brasileira como incentivo para os novos artistas e cultura nacional

Postado em: 01-06-2022 às 10h40
Por: Lanna Oliveira
Bonne revisita o catálogo da gravadora e homenageia discos clássicos e coletâneas famosas de sambas-enredos | Foto: Reprodução

Uma das maiores expressões culturais de um País é a música, e o Brasil sabe tratar do assunto com muita qualidade e diversidade. Dando personalidade para essa manifestação artística, nomes como Arlindo Cruz, Cauby Peixoto, Neguinho da Beija-Flor, entre outros, marcaram a história da cultura nacional. Para transcender o legado de suas histórias, a Quebra Coco Records, liderada pelo produtor Luiz Eduardo Magacho Rozenblit, ou simplesmente Bonne, relança grandes sucessos dos artistas.

Mistura de estilos e culturas, a música brasileira é parte fundamental da nossa história. Do jazz ao funk, os ritmos e batidas envolventes que encontra-se por aqui, conquistaram multidões mundo afora. Contudo, a era digital transformou toda a industrial musical. A Top Tape, uma das mais icônicas gravadoras do Brasil nos anos 70 e 80, deu lugar a Quebra Coco Records, que Além de trazer novos artistas, a empresa busca relançar os grandes sucessos, adaptando-os ao meio digital, fomentando assim a cultura nacional.

O projeto surgiu quando Bonne assumiu a editora Top Tape, alguns anos atrás. O produtor observou no cenário musical o surgimento de remasterizações em forma de remix, e viu ali a oportunidade de reaproveitar os clássicos, e ainda lançar novos artistas. Um exemplo disso é a música ‘É Hoje’, música de Caetano Veloso regravado pelo DJ Lucce e Rodrigo Lampreia. “Eu olhei para o catálogo da editora e vi várias pérolas guardadas, então pensei, por que não reaproveitar os sucessos e usá-los pra divulgar essa nova galera que está pedindo passagem?”.

Antigamente, se criava música de outras formas, com outros equipamentos, estúdios e afins. Para lançar um single, ou álbum, se criava toda uma logística de produção, que ia desde a gravação do som, passando pela prensagem do disco até o envio do material. Agora, com a transformação digital, o processo é mais simples e rápido. “Tivemos essa mudança do analógico para o digital, e isso embarca toda a produção. Hoje, com os streamings, a gente só precisa de softwares capazes e de uma boa distribuição de digital nas plataformas”, ressalta o produtor.

Bonne, responsável por essa nova fase, reintegra seu compromisso com o legado deixado sob sua responsabilidade. Em entrevista, ele revela que valorizar e dar visibilidade para artistas consagrados, por meio dos novos mecanismos digitais, é uma parte importante do que ele está disposto a fazer. “A história da música nacional é riquíssima, e a gente carrega esse legado que foi da Top Tape. Então acho que o principal lema da Quebra Coco é esse, de reestruturar e valorizar a música como um todo”, comenta o sócio e diretor da empresa.

 A Top Tap, gravadora e distribuidora de grandes sucessos dos anos 70 e 80, fez história na música. Bonne enxerga esse momento como uma homenagem à tudo que veio com essa iniciativa, os discos de artistas renomados e as coletâneas famosas de sambas-enredos. “São músicos que a gente cresceu ouvindo, e que trazem uma influência gigante para os novos talentos, então colocar isso nas plataformas digitais não é só um trabalho de distribuição, mas uma homenagem a todos que fizeram da música o que ela é hoje”, diz.

O diretor da Quebra Coco ressalta ainda que todo o trabalho é feito partindo de um princípio social fundamental, de fomentar a cultura nacional, impactando assim, o desenvolvimento do País. Seja com os sucessos do passado, ou com as promessas do futuro, o objetivo de Bonne é transformar o País por meio da música. “Eu cresci dentro da música, e acho que ela é a ferramenta que temos para criar um futuro harmônico, desenvolvido e socialmente justo. Não existe vida sem música!”, finaliza.

O começo de tudo

A produtora e distribuidora Top Tape foi inaugurada em 1969 e entrou no mercado fonográfico com toda força. No primeiro ano já conquistou disco de ouro com o álbum ‘My Pledge of Love’, além dos sucessos de B.J. Thomas: ‘Oh Me, Oh My’ e ‘Rock´N Roll Lullaby’ que também levou disco de ouro. Com a chegada dos anos 70, ela focou nos artistas nacionais e lançou, pela primeira vez, os melhores sambas de enredo da história, tais como ‘O Amanhã’, ‘Teu Cabelo Não Nega’, ‘Bum Bum Paticumbum Prugurundum’, entre outros. 

A década também foi marcada pela Black Music e nomes prestigiados como Motown também levaram o selo da Top Tape. Os anos 80 aumentou o número de lares com vídeo-cassete, o que causou um boom no home video. E como esperado, a Top Tape saiu na frente como uma das principais distribuidoras independentes do mercado brasileiro. Filmes norte-americanos de sucesso no cinema chegaram às vídeo-locadoras via Top Tape nesta época e também séries japonesas que tanto cativavam o público infantil.

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